26 de jan de 2018


[Resenha] Geekerela - Ashley Poston

Ficha Técnica 

Título: Geekerela
Título Original: Geekerella
Autor: Ashley Poston
ISBN: 978-85-510-0214-8
Páginas: 384
Ano: 2017
Tradutor: Rayssa Galvão
Editora: Intrínseca
Quando Elle Wittimer, nerd de carteirinha, descobre que sua série favorita vai ganhar uma refilmagem hollywoodiana, ela fica dividida. Antes de seu pai morrer, ele transmitiu à filha sua paixão pelo clássico de ficção científica, e agora ela não quer que suas lembranças sejam arruinadas por astros pop e fãs que nunca tinham ouvido falar da série. Mas a produção do filme anunciou um concurso de cosplay numa famosa convenção valendo um convite para um baile com o ator principal, e Elle não consegue resistir. Na Abóbora Mágica, o food truck vegano onde trabalha, ela encontra a ajuda de uma amiga cheia de talentos para moda que vai criar o traje perfeito para a ocasião. Afinal, o concurso é a chance de Elle se livrar das tarefas domésticas impostas pela terrível madrasta e das irmãs postiças malvadas. Já Darien Freeman, o astro adolescente escalado para ser o protagonista do filme, não está nada ansioso para o evento, embora o papel seja seu grande sonho. Visto como só mais um rostinho bonito, o próprio Darien também está começando a achar que se tornou uma farsa. Até que, no baile, ele conhece uma menina que vai provar o contrário. Esta releitura de Cinderela transporta para o universo nerd os principais elementos do clássico conto de fadas, fazendo uma verdadeira homenagem a todos aqueles que sabem o que é ser fã e se dedicar de coração àquilo que amam.

Resenha


Não é sempre que fico empolgada quando o assunto é releitura, mas alguns são realmente maravilhosos e foi o que aconteceu com Geekerela (o que me valeu a ótima última leitura de 2017), afinal, transformou um clássico em uma história atual e com personagens geeks/nerds. Sendo uma releitura a gente basicamente já conhece a história não é mesmo, mas a maneira como a Ashley nos leva pelas páginas nos deixa apreensivos mesmo assim, talvez pensando que algo pode não dar certo.

Danielle Wittimer é órfã e vive em Charleston com a madrasta Catherine e suas duas filhas, Chloe e Calliope. Embora continue morando na casa que era de seus pais e que seja sua por herança, com dezessete anos ela não pode fazer nada a não ser continuar sob a guarda da Catherine até completar dezoito e poder dar um novo rumo para sua vida. A pergunta é: que rumo tomar?

Elle cresceu com pais apaixonados pela série televisiva Starfield, que passaram essa paixão para ela também, mas desde a morte do pai ela não tem com quem conversar sobre essa paixão, além dos membros de fóruns pela internet. Sem amigos, Elle sente-se muito sozinha e usa seu blog (que, segundo ela, ninguém lê) para escrever sobre sua série favorita. Agora, ela e todos os fãs estão em expectativa quanto a refilmagem hollywoodiana que farão de Starfield, afinal, como qualquer fã que se prese, ficamos sempre apreensivos quando fazem refilmagens, se irão escolher atores que combinem com o papel e não apenas porque são os mais famosos do momento, assim como a história, para que não mudem a essência do que amamos. No caso de Elle, uma das coisas que ela mais espera é que não escolham um ator branco para o protagonista da série, afinal, Carmindor, o príncipe da Federação é negro. Mas talvez, ela devesse ter feito um pedido mais completo, pois, quando anunciam que Darien Freeman, o astro da série Seaside Cove (uma espécie de The O.C.) ela quase morre de desgosto.
Queria que meu pai visse isso. Que estivesse sentado aqui ao meu lado. Ele estaria tão animado quanto eu - não, estaria ainda mais. Mas a realidade é que não tenho com quem conversar sobre isso. Especular sobre quem vai finalmente assumir o comando da Federação de Asas Estelares e seguir os passos lendários de David Singh, o ator que interpretou o príncipe Carmindor original. Já faz meses que escrevo no blog sobre isso, mas ninguém lê. Escrever no Artilharia rebelde é terapêutico, é como ter um diário. O mais próximo de amigos que tenho são as pessoas da comunidade pistoleiros estelares, onde todos têm comentando sobre o possível elenco: muitos estão torcendo para que seja aquele ator fofinho de Bollywood que aparece em todos os GIFs do Tumblr. Mas para mim não importa quem for, só espero que não botem um cara branco no papel do meu príncipe.
P. 20-21
Claro que a revolta pela descoberta de que seu filme pode ser arruinado por conta de um rostinho bonito, Elle descarrega sua raiva em um post no blog, que viraliza rapidamente e logo, o blog que não era conhecido passa a ter milhares de seguidores.

Do outro lado dessa história temos Darien Freeman, o escolhido para interpretar o papel do príncipe da Federação, mas o que ninguém sabe é que Darien é um fã do seriado, conhece todos os detalhes imagináveis e inimagináveis da série, entretanto, ninguém poderá saber desse detalhes, afinal, como diz seu pai e empresário, não seria bom para sua imagem.

Com dezoito anos e uma carreira em ascensão desde conseguiu o papel em Seaside Cove e agora nesse filme, não tem muito controle sobre sua vida. Seus pais são separados e ele não tem muito contato com a mãe, uma nobre inglesa, que desde que se divorciou do seu pai, voltou para a Inglaterra, onde já casou novamente e vive uma vida surreal para a mente dele. O pai, um empresário, só pensa em conseguir que Darien decole em sua carreira como ator, e por isso, há muito tempo o pai perdeu espaço para o empresário. Sozinho e sem amigos, Darien é muito solitário, como Elle, mas o destino irá se encarregar de trazer um pouco de alívio para esses dois.
Sou metade do meu pai. Metade do meu herói. E sou metade da minha mãe. Uma parte suave e delicada, outra dura e afiada. E se eles podem ser Carmindor e Amara, o sangue em minhas veias afirma que eu também posso. Sou a princesa perdida. A vilã da minha própria história, e a heroína também. Sou um pouco da minha mãe e um pouco do meu pai. E existo neste universo. Sou o possível e o impossível.
Não posso dizer que não sou ninguém.
Sou o legado dos meus pais. E me dou conta de que... neste universo, eles também estão vivos. Eles estão vivos em mim.
P. 285
Quando descobre que terá que participar da ExcelsiCon, uma grande convenção em Atlanta, é quando Darien percebe o quão pouco controle tem de sua vida e de sua carreira, mas vamos entender aqui um pouco melhor. Darien adora a convenção, mas ele sempre foi como visitante, como fã e isso foi há muito tempo, antes de ser traído por seu melhor amigo, Brian. Desde então, a única exigência que ele tem é de que não o obriguem NUNCA a participar de uma convenção. E é nesse desespero de não ir, que ele busca diversas formas de entrar em contato com a produção da convenção se passando por seu próprio assistente e cancelar sua participação no evento e é assim queridos que ele começa a conversar com Elle.

A verdade é que Robin Wittimer, pai de Elle, foi um dos fundadores da ExcelsiCon e até hoje ela usa o celular do pai - não por uma questão de recordação, mas sua madrasta, que não queria gastar nem um centavo com ela, lhe deu o aparelho antigo, com o mesmo número para que ela usasse. Em contrapartida, o pessoal da convenção nunca tirou o número de Robin do site (talvez nem soubessem que esse número era utilizado por Elle) afinal, desde a morte do pai ela nunca mais foi a uma convenção. Catherine jamais permitiria isso, e sem dinheiro para comprar passagens para Atlanta e garantir os ingressos, isso era inviável. Mas agora chegou a hora de voltar: o prêmio do concurso de cosplay da convenção é um prêmio em dinheiro e entrada para a premier do filme e com esse dinheiro ela poderá começar a pensar em um novo rumo para sua vida.

Enquanto trocam mensagens, Elle e Darien não tem noção de quem o outro é. Ela a blogueira que o ataca vorazmente na internet e ele o ator protagonista do filme, mas eles vão cada vez mais descobrindo que Starfield lhes deu novos propósitos, lhes ajudou quando mais precisavam. Como os personagens tem qualidades e defeitos que se assemelham muito a eles e que lições tirar de tudo isso.
Até podemos ser diferentes, torcer por casais diferentes ou ser fãs de histórias diferentes, mas, se aprendi uma coisa nestes vinte e três dias enfiado num uniforme da cor errada, interpretando um personagem que eu nunca pensei que seria capaz de interpretar, foi que, quando nos transformamos nesses personagens, partes de nós se acendem como fogos de artifício. E brilham. Nós brilhamos. Juntos.
E, mesmo quando alguns de nós acabam indo parar em universos diferentes, esse brilho nunca se apaga.
P. 322
Eu adorei cada página desse livro, de quando Elle encontra em Hera, sua companheira de trabalho no food truck Abóbora Mágica, uma amizade verdadeira e como isso a ajuda a descobrir sua força interior, aliada as conversas com seu Carmindor. Sem falar na grata surpresa que foi Calliope também, no final das contas.

Amei ter escolhido esse livro para finalizar minhas leituras de 2017, foi um livro fofo, divertido e romântico, com personagens descobrindo a si mesmos e nos ajudando a encontrar dentro de nós nossa individualidade.

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Comentários
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8 comentários:

  1. Desde do ano passado que leio muitas resenhas a respeito deste livro, porém como sou muito leiga nessas questões de mundo nerd, e Geek, fiquei pensando que talvez esta não seja uma leitura que vai me agradar. Mas ao ler sua opinião percebe que se trata de uma história divertida, e com romance, algo que costumo gostar. Além de ter personagens cativantes, e que fala sobre nossa individualidade. Por esta razão pretendo dar uma chance a leitura.

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  2. Lay!
    Releituras são sempre muito boas de serem lidas e se essa é uma da Cinderela contemporânea, deve ser interessante.
    Acredito mesmo que a autora ficou mais focada nas malvadezes e deveria explorar mais o romance.
    Gosto também com essas relações que começam de forma virtual, sem se saber quem está do outro lado, embora seja um tanto perigoso…na vida real.
    Desejo um ótimo final de semana!
    “Que o novo ano que se inicia seja repleto de felicidades e conquistas. Feliz ano novo!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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  3. Ooi, esse livro está na minha estante e eu estou louca para ler.
    Amo releituras dos contos de fadas, esse livro parece ser muito interessante.
    Li alguns comentários bem positivos e estou com grandes expectativas, gosto muito também quando os personagens começam a descobrir a si mesmos.
    Bjs

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  4. Oi Lay
    tô paquerando esse livro faz um tempinho!
    Li tantas resenhas boas que fiquei curiosíssima pra conferir!

    Bjooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  5. Eu adoro ler livros que fazem releituras de contos de fadas que até mesmo de obras clássicas antigas isso sempre acaba aumentando a minha vontade de ler o livro Independente de resenhas críticas e foi aí que eu decidi ler esse livro e eu me surpreendi com a história e foi uma das minhas melhores leituras do ano passado

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  6. Oi, Layane.

    Além de ser uma releitura, o livro tem um diferencial, por ter uma "pegada" nerd.

    Um erro (telefônico) que não será mais um erro, futuramente, quando a Elle e o Darien descobriram tudo. Essas circunstâncias com certeza serviu para que uma amizade fosse evoluída, e com isso, algo a mais.

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  7. Hey.

    Não vou negar, eu li o título em primeiro momento e não assimilei o nome à Cinderela. Hahahaha vai entender né?
    Eu não sou muito fã de contos de fada e certamente não me agradaria ler releituras dos mesmos. Então, descarto a possibilidade de ler esse livro.
    No mais, a capa é muito fofa!

    Por fim, até mais Layane.

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  8. Olá!
    Eu já li resenha desse livro, a historia é muito linda e mas o menos parecida com a Cinderela. Tem uma premissa muito boa e bem envolvente, já faz parte da lista de leitura.

    Tempos Literários

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