16 de jan de 2018


[Resenha] Lembra Aquela Vez - Adam Silvera

Ficha Técnica 

Título: Lembra Aquela Vez
Título Original: More Happy Than Not
Autor: Adam Silvera
ISBN: 978-85-7980-280-5
Páginas: 335
Ano: 2017
Tradutor: Lucas Peterson
Editora: Rocco Jovens Leitores
Finalista na categoria romance juvenil do Prêmio Lambda, o mais tradicional do segmento de literatura LGBT do mundo, e celebrado por veículos como The New York Times (“lindo romance de estreia”) e Chicago Tribune (“comovente”), entre outros, Lembra aquela vez conta a história de um garoto do Bronx (re)descobrindo sua sexualidade. Aos 16 anos, Aaron carrega no pulso uma cicatriz que registra a dor pelo suicídio do pai, mas, com o apoio da mãe e da namorada, Genevieve, está determinado a seguir em frente. Quando a garota viaja para um acampamento, porém, Aaron se aproxima de Thomas, e acaba encontrando nele mais do que um melhor amigo. Confuso, Aaron considera recorrer ao LETEO, um instituto que realiza procedimentos científicos para apagar memórias indesejáveis, na tentativa de esquecer lembranças ruins e, principalmente, quem ele é. Mas será possível encontrar a felicidade fugindo de si mesmo? Com uma narrativa pungente e sincera, Adam Silvera fala sobre bullying, homofobia, medo, incertezas, ética, amizade, amor, aceitação e a procura pela felicidade.

Resenha


Misturando gêneros, “Lembra Aquela Vez” é um interessante young-adult, pois ao mesclar romance com ficção científica, a obra de Adam Silvera consegue se distanciar bastante de trabalhos no mesmo segmento, o que faz com que seja instantaneamente um destaque. 

Aaron Soto tem 16 anos e vive no Bronx, em Nova York. Com uma vida difícil, o jovem vê sua adolescência se perder em um caminho sem volta. Após perder o pai, que se matou dentro da banheira de casa, Aaron carrega em seu próprio corpo as marcas desta perda, registros de uma falha tentativa de seguir as mesmas escolhas de seu patriarca.

Enquanto lida com a pobreza de seu bairro e as responsabilidades de seu relacionamento com sua namorada, Genevieve, Aaron precisa entender o que está acontecendo com seu coração. Após conhecer o novo vizinho, Thomas, nosso jovem protagonista começa a questionar sua sexualidade, e com medo de ser rejeitado e de magoar as pessoas que ama, Aaron prefere recorrer a um procedimento capaz de modificar sua memória, ao invés de ser fiel a seus sentimentos. Mas será que vale a pena abrir mão de seu verdadeiro ser, em uma tentativa de se privar das possíveis dores?
É como quando você é criança e quer ser astronauta, até se dar conta de que isso é impossível, apesar de todos falarem que nada é impossível, fazendo até questão de citar momentos específicos da história só para fazer você se sentir um idiota.
P. 93
Além de tratar de temas como bullying e homofobia, Adam Silvera consegue inserir muito bem em sua obra, de uma forma sutil mas eficiente, uma crítica social, onde as condições de vida das personagens acabam por afetar diretamente em suas escolhas e modo de vida. Escolher Nova York como locação da história pode até parecer clichê, porém ambientar tal narrativa em uma região menos glamurosa da cidade faz toda diferença.

No primeiro parágrafo, mencionei rapidamente que “Lembra Aquela Vez” possui traços de ficção científica – hoje em dia pode-se dizer também que há um quê de Black Mirror. Apesar da narrativa deixar claro que a história é contemporânea, é evidente que o procedimento capaz de apagar e modificar as nossas memórias não passa de uma hipotética invenção. Esse aspecto foge completamente dos clássicos romances, pois não chega a ser massivamente trabalhado, servindo somente como um aditivo ao plot principal.
– Você me pergunta isso como se não tivesse sido um menino durante toda a sua vida. Alguns caras fazem das suas mentes uma prisão. Eu gosto de viver fora das grades. Se somos diferentes, não tenho nenhum problema com isso.
P. 155
Apesar de ser o primeiro livro publicado do autor Adam Silvera, gostei bastante da sua conduta. Ao deixar a narrativa em primeira pessoa, o leitor se conecta rapidamente com Aaron, e não pude de deixar de notar que possivelmente ele seja uma representação fictícia do próprio autor, que assim como a personagem principal, possui as iniciais do nome AS e mora no Bronx. Minha maior crítica à escrita de Silvera talvez seja algumas passagens extensas demais, sem nenhum conteúdo relevante de fato, fazendo com que o ritmo do livro ficasse arrastado sem necessidade.

No geral, gostei bastante de “Lembra Aquela Vez”, não só por sua criatividade, mas também por seu tom mais sério do que o normal, tom este que acredito ser responsabilidade da escrita de Adam Silvera. A capa também é um ponto positivo que me agradou, e não posso deixar de citar uma certa reviravolta que acontece mais para o fim do livro... Tal evento é essencial para obra, tanto por fugir do óbvio e ir fundo ao inesperado, mas também por trabalhar as personagens sob uma nova perspectiva, porém aviso logo que a própria orelha do livro entrega esta surpresa. Logo, se for se aventurar na vida de Aaron, pule direto pro capítulo um.
Eu não quero mais ser eu.
[...]
Sei que será uma mentira não ser eu, mas sei também que estarei fazendo um favor para mim mesmo a longo prazo, [...].
A felicidade não deveria ser tão difícil assim.
P. 180-181
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Comentários
10
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10 comentários:

  1. Olá!
    Eu gostei muito do livro. Tem uma premissa muito boa e com temas bem interessante, onde isso acontece muito na sociedade que deixamos de ser o que queremos para não magoa aquele que amamos. Adorei e estou bem curiosa para ler!

    Tempos Literários

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  2. Tácio!
    Tenho gostado muito de ver os livros com temática LGBT e esse aborda o tema de uma forma diferenciada, incluindo um pouco de ficção, mas principalmente mostrando que o protagonista prefere não ter suas memórias de volta, o que o mostra um tanto vulnerável a quem realmente ele é.
    E o melhor é que as personagens são bem contruídas.
    Gostei muito e quero ler!
    Desejo uma semana mais que abençoada e Novo Ano repleto de realizações!!
    “Meta para o Ano Novo? Ser feliz!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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  3. Oi, Tácio.

    A dor da perda do pai e uma nova descoberta em relação à sua orientação sexual, com certeza é algo muito conflitante, e ao mesmo tempo forte na vida do Aaron, que é tão jovem ainda.

    O medo causa incertezas. Quando alguém como o Aaron não aceita a si mesmo, a rejeição começar aí mesmo.

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  4. Oi meu bem, tudo certo?
    Já estou seguindo o blog e acompanhando nas redes sociais.
    Parabéns pelo trabalho! ♥
    Beijos. :*
    www.freakandcreepy.com

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    Respostas
    1. Olá Gabriele, tudo bem?
      Muitíssimo obrigada pelo carinho ;)

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  5. Olá, uau todas essas coisas pelas quais o personagem está passando deve ser bem emocionante de ler.
    Parece ser um livro interessante.

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  6. Oi Tácio
    Achei a capa lindíssima, a sinopse me agrada mas no momento não me despertou a vontade de ler a história.
    Mais pra frente quem sabe...

    Bjooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  7. Olá, Tácio.

    Fui cativada e estou muito interessada em fazer a leitura desse livro, por está composto de tantos temas plausíveis de serem discutidos na sociedade. A questão da perda, do suicídio, de não entender a si mesmo, descobertas sobre a sexualidade, medos, anseios, tentar alcançar a felicidade e questionar-se: o que de fato é felicidade?

    Vou em busca do livro, certamente, para experimentar um universo ainda tão pouco discutido e jogado para debaixo do tapete de parte da sociedade.

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  8. A premissa do livro e um tanto quanto muito criativa, e foge muitos dos clichês que vemos por aí se tratando de temas como orientação sexual, e a relação como as pessoas lidão com tal situação. Até pelo fato de se incluir um pouco de ficção cientifica, mesmo que seja apenas no sentido literal. Não sei se leria a obra, fiquei com certo pé atrás, até pelo fato de alguns momentos a leitura ser arrastada, entre outros pontos.

    Venha participar do sorteio de um kit da caixinha da TAG Livros http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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  9. Eu amo ler livros com pegada LGBT e eu acabei achando esse livro por recomendação do Skoob logo após eu ter terminado de ler Simon e a agenda homo sapiens O livro é tão delicado na medida que é muito tenso gosto de como ele fala de temas pesados de uma forma bem natural e isso agrada muito no livro

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