9 de fev de 2018


[Resenha] Tash e Tolstói - Kathryn Ormsbee

Ficha Técnica

Título: Tash & Tolstói
Título Original: Tash Hearts Tolstoy
Autor: Kathryn Ormsbee
ISBN: 978-85-5534-046-8
Páginas: 375
Ano: 2017
Tradutor: Lígia Azevedo
Editora: Seguinte
Natasha Zelenka é apaixonada por filmes antigos, livros clássicos e pelo escritor russo Liev Tolstói. Tanto que Famílias Infelizes, a websérie que a garota produz no YouTube com Jack, sua melhor amiga, é uma adaptação moderna de Anna Kariênina. Quando o canal viraliza da noite para o dia, a súbita fama rende milhares de seguidores e, para surpresa de todos, uma indicação à Tuba Dourada, o Oscar das webséries. Esse evento é a grande chance de Tash conhecer pessoalmente Thom, um youtuber de quem sempre foi a fim. Agora, só falta criar coragem para contar a ele que é uma assexual romântica ou seja, ela se interessa romanticamente por garotos, mas não sente atração sexual por eles. O que Tash mais gostaria de saber é- o que Tolstói faria?

Resenha

A jovem Natasha Zelenka é completamente apaixonada pelo escritor Liev Tolstói, a quem chama carinhosamente de Leo. Querendo fundir seu amor pelas obras do autor russo com sua paixão pela sétima arte, Natasha idealiza com seus amigos um canal no YouTube para poderem produzir uma websérie baseada no clássico Anna Kariênina.

Levando muito a sério a websérie, Tash, como é mais conhecida, não espera que a mesma tenha milhões de visualizações ou curtidas, seu maior prazer está em poder utilizar a obra de Tolstói como fonte de algo que lhe representa, uma história de amor que lhe alegra, independentemente de quem a esteja consumindo.

Porém, certo dia o canal de Tash e seus amigos estoura, e muitos novos seguidores começam a acompanhá-los, fazendo com que a série Famílias Infelizes viralize on-line. Surpresa maior é quando o programa se torna indicado na categoria de melhor websérie estreante em um cultuado prêmio de produções independentes do YouTube, o Tuba Dourada.

Por sí só essa é uma notícia animadora para Tash, mas há algo mais, comparecer à premiação significada que ela poderá finalmente conhecer pessoalmente Thom, uma web celebridade com quem conversa via e-mails há meses. Mas apesar de ela estar tendo sentimentos por Thom, ela não tem a mínima ideia de como ele vai reagir ao saber que ela é assexual.
Definitivamente não entendia o apelo do sexo quando, durante uma aula de educação sexual, a sra. Vance disse: 
– Sexo é uma parte da vida como qualquer outra. Somos seres sexuais.
Tudo o que eu conseguia pensar era: Eu não sou. Por quê? 
P. 120
Para começo de conversa, assexual é o termo usado para pessoas que não sentem atração sexual, ou que tem baixo interesse. Isso não tem relação direta com a orientação sexual da pessoa, dito isso, não significa que Tash, por exemplo, não goste de homens, ou que não queira se apaixonar ou ser romântica… Ela é somente um ser humano que não tem pretenções sexuais.

Pra começo de conversa a ideia por detrás de “Tash e Tolstói” é maravilhosa. Seja por sua grande celebração à obra de Tolstói, mesmo em ares contemporâneos, ou por sua coragem e destreza em falar sobre algo que não vemos ninguém falar, que no caso é assexualidade. Não me lembro de ver um filme, uma série ou até mesmo um livro que aborde tal tema, e Kathryn Ormsbee, a autora, merece reconhecimento somente por ousar e inovar nesse quesito.

Agora, tratando de aspectos da escrita e desenvolvimento da obra, no geral vi pontos positivos também. A leitura é rápida e flui, Tash é muito carismática e conquista o leitor. Porém, senti em alguns momentos que a narrativa, que é em primeira pessoa, se tornava um pouco distante, focando em plots que não eram tão interessantes ou necessários para o cerne principal do livro.
Não, não está tudo bem, mas não tenho escolha. Estou acostumada com isso. É como minha mãe lida com conflitos desde que eu era criança. Para ela, é uma questão de esperar as coisas esfriarem.
P. 207
Por outro lado, gostei bastante da criação e diversidade do núcleo familiar de Tash. A autora fez questão de incluir uma família budista, uma mãe imigrante, um pai filhos de imigrantes, personagens vegetarianos, entre outros pequenos detalhes que acabaram enriquecendo bastante a leitura. Outro detalhe bem pequeno, e que não sei se foi de propósito, foi a escolha dos nomes pessoais de algumas personagens secundárias, que possuiam nomes “neutros”, que normalmente podem ser usados tanto para o sexo masculino ou feminino, como por exemplo Taylor e Jack. 

A capa é uma gracinha, e exala bem o tom juvenil da obra, além de contar com um papel especial com textura áspera. O livro, como já é de praxe da Seguinte, vem com um marcador de páginas para ser cortado na orelha, e também conta com um glossário ao final explicando alguns termos usados como “identidade de gênero”, “queer” e “demissexual”.

“Tash e Tolstói” foi uma leitura gostosa, extremamente atual, apesar de ironicamente ser uma celebração à um livro escrito em 1877. Falar sobre sexualidade aos jovens é essencial, e poder educar e abrir os olhos da vastidade sexual existente, ao mesmo tempo que entretém, é melhor ainda. Kathryn Ormsbee foi muito feliz ao escrever uma obra tão sensível e extrovertida, ao qual eu super recomendo.
Meus olhos começam a doer de tanto olhar. Eu me aproximo e apoio a cabeça em seu ombro. Ficamos assim até o sol nascer.
P. 248
Comentários
3
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3 comentários:

  1. Tácio!
    Muito bom ver um livro tão antigo, abordar um tema tão atual quando a sexualidade...
    Se o livro traz todo esse drama e ainda uma protagonista assexuada e toda insegura, além do fato de ser um enredo totalmente inédito na minha opinião, claro que quero ter a oportunidade de fazer a leitura.
    Um carnaval de alegria e moderação e bom final de semana!
    “Quer você acredite que consiga fazer uma coisa ou não, você está certo.” (Henry Ford)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  2. Que capa linda!
    Nunca li nenhum livro que trouxesse esse tema também, achei interessante a diversidade da família da Tash.
    Parece ser um livro bem bacana.

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  3. Tácio, olá!

    A capa remete mesmo a algo bem juvenil, mas o tema me pareceu um pouco inesperado. E é inesperado. Ok, discutir sobre sexo, hoje em dia, ainda é um tabu (infelizmente). Mas a abordagem da autora na obra foge do comum, por tratar a assexualidade, a falta de libido e de se sentir atraído por alguém. E é isso que torna o tema tão inesperado e também, tão interessante. Foi o ponto chave para eu ter a certeza de que quero ler.

    Gosto disso, de apreciar obras com novas abordagens que permitem ser discutidas na sociedade.

    Achei uma ótima dica!

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