9 de mar de 2018


[Resenha] A Baronesa Descalça - Chiara Ciodarot

Ficha Técnica

Título: A Baronesa Descalça 
Autor: Chiara Ciodarot
ISBN: 978-85-9257-279-2
Páginas: 346
Ano: 2018
Editora: Publicação Independente
Vale do Paraíba, 1872. Saraus, bailes, rapazes, cavalgar e defender a abolição da escravatura, são estes os gostos da bela Amaia. Mas tudo parece perder sentido quando seus pais morrem e deixam nas suas mãos uma fazenda de café e um testamento que a impede de alforriar os escravos. Sem saber como administrar uma fazenda e se afundando em dívidas, ela encontra apenas uma solução: se casar. Todo e qualquer solteiro ou viúvo se torna um pretendente em potencial. Ou quase todo. Eduardo Montenegro não é pretendente para moça de família. Fundador do Clube dos Devassos, o misterioso Montenegro não pretende se casar, mas isso não o impede tentar levar Amaia para cama. Enquanto tenta manter a sua integridade física e emocional, Amaia arruma um pretendente inesperado. Será que ela vai conseguir levar adiante o seu plano de salvar a fazenda e os escravos, ou será que a sua atração por Montenegro será maior? O famoso devasso acabará seduzido pelos encantos da charmosa abolicionista e a pedirá em casamento antes que ela se case com outro?

Resenha


Já falei para vocês que adoro conhecer novos autores, não é mesmo? É sempre aquela expectativa, será que irei gostar da escrita, como será que desenvolve os personagens, a narrativa. E quando é nacional então, torço para que me surpreenda e que consiga um espaço no meio de tantos livros estrangeiros.

Chiara nos leva ao Brasil de 1872, mais precisamente em Vassouras, onde a jovem Amaia de Carvalho mora com os pais e a irmã na Fazenda Santa Barbara. Aos vinte e três anos e com uma beleza inigualável, sua única preocupação é participar de saraus, usar belos vestidos e flertar até encontrar um homem descente para se casar, de preferência um que não seja escravocrata, o que devemos presumir, é bem difícil para essa época. Abolicionista assumida, Amaia faz o que pode para salvar alguns escravos da fazenda da família, mas todos veem seus ideais como fantasias de uma mente feminina fútil. Entretanto, a vida de Amaia mudará drasticamente após a recepção de noivado na casa de sua amiga Caetana.

Deixando as filhas na festa de noivado de Caetana Feitosa de Vasconcellos e Roberto Canto e Melo na Fazenda Guaíba, Gracílio e Otávia de Carvalho sofrem um acidente e morrem, deixando as filhas, Amaia e Cora, em uma situação bastante complicada: as duas se odeiam e estarão presas à uma fazenda em falência.
— Mamãe, não a deixe enredar você. — gemeu — Finalmente vocês poderão ver quem Amaia é realmente e quanto desgosto ela traz à nossa família. Eu e metade da festa vimos como ela se porta com os rapazes. Fala com todos os senhores disponíveis e anda de braços dados com o Sr. Montenegro feito esposos! Caía por cima dele como uma... uma... — guardou para si a palavra "rameira", pois poderia escandalizar a mãe o fato de conhecer o verbete — Todos conhecem a fama de devasso do Sr. Montenegro e todos falam mal de Amaia! E quando desapareceu da festa, então?! Não vai fugir de nos responder o que você fazia!
P. 49
Amaia e Cora não tinham a menor noção da situação em que se encontravam, afinal, esse não era o tipo de assunto para jovens casadoiras. Ao descobrir que herdaram a fazenda e com ela uma imensidão de dívidas e que, além disso, não pode alforriar os negros que vivem na Santa Barbara, Amaia percebe que a única solução para a atual situação é casar-se. Porém, os muitos pretendentes que tem parecem desaparecer gradativamente e a situação se agrava à medida que precisa começar a vender vários itens para saldar algumas dívidas, manter a fazenda e os escravos e se alimentar. Cora em nada ajuda e, para falar a verdade, não compreende a gravidade da situação em que se encontram, deixando tudo nas costas de Amaia.

Eduardo Montenegro, conhecido como barão negro, não é um bom pretendente quando as mães pensam em casar suas filhas, mesmo tendo o Barão de Mauá como padrinho, que o enviou para uma educação privilegiada em Oxford, o que todos veem é o fato dele ser cofundador do Clube dos Devassos e sua fama de libertino. Amigo de Canto e Melo há alguns anos e tendo se instalado na cidade de Vassouras quando montou a Fazenda Caridade com um perfil diferenciado para a época, uma colônia de parceria, sem escravos, ele agora precisa se infiltrar entre os escravocratas da região para cumprir sua missão.

É com esse objetivo que chega aos festejos de noivado do amigo e assim conhece Amaia, que o encanta imediatamente - como ela faz com todos, aliás - e o interesse só aumenta à medida que conhece e percebe o quanto ela é diferente das jovens da sua posição e da sua idade, mas essa atração poderá atrapalhar seu objetivo.

Montenegro quer ajudar Amaia, mas sua posição exige que ela tenha um marido e isso ele não pode lhe oferecer, pois jurou nunca se casar, por medo de seu passado lhe assombrar e se repetir. Amaia, por outro lado, em sua busca desenfreada por um marido e uma teimosia fora de série, se mete em muitas confusões e algumas tão grandes que temi por ela nessas ocasiões. Aliás, não dá para dizer que apenas Amaia é teimosa, porque Montenegro também não fica atrás nesse quesito.
— A senhorita passa bem? Vi que saiu da sala meio nervosa.
— Estou ótima, muito bem e obrigada por perguntar. E poderia me fazer um favor, poderia se retirar?! Gostaria de ficar sozinha. — na verdade, esperava o Sr. Leonel e não queria o sarcasmo de Montenegro envolvido.
— Minha presença a incomoda tanto a ponto de preferir ficar sozinha?
— Não, faço isso pelo senhor.
— Por mim? — pressionou os olhos, curioso — Ilumine-me, por favor.
— Eu acho que o senhor tem medo de mim.
— Medo da senhorita? E por quê?
— Medo de se apaixonar por mim. Por isso, brinca tanto comigo. É uma tentativa de me repelir.
Ele se achegou ainda mais, ficando a um passo de distância:
— E por que eu temeria me apaixonar pela senhorita? — havia preso Amaia pelo seu olhar devorador.
— Não sei, talvez algo em seu passado, uma relação amorosa mal resolvida, um problema no histórico familiar... A questão é que o senhor tem medo de amar e, por isso, me trata dessa maneira lasciva. — abriu um sorrisinho de escárnio que o atraiu ainda mais.
— Você acha mesmo que eu temo amá-la. — os joelhos dele tocaram as saias dela — Vejamos...

P. 117-118
Embora tenhamos o romance, Chiara também nos mostra, com alguns fatos e personagens reais que ajudam a ambientar a história, como era a época, a questão da escravidão, a dificuldade de ser uma mulher jovem, sozinha, solteira tentando levar à frente a fazenda da família, contra a escravidão e presa ao sistema, tendo que muitas vezes pensar nos outros antes de si mesma. Sem uma família a lhe apoiar. Também retrata, ainda que rapidamente, o abuso familiar e como isso pode influenciar a vida de uma pessoa, mesmo que acredite que o passado tenha ficado para trás.

Além disso, ainda é preciso falar sobre os personagens. Amaia e Eduardo são teimosos sim, mas isso também é positivo quando vemos que isso faz com que sejam determinados em alcançar seus objetivos, em não desistir quando os obstáculos surgem em seus caminhos. Também adorei Bá, uma senhora que cuida de Amaia como se fosse uma filha e entre elas não há diferença de cor de pele. Sem falar em Canto e Melo e Caetana, duas pessoas incríveis e que tenho certeza de ver nos próximos livros da série e não posso deixar de lado as irmãs caçulas dela, Lavínia e Felipa, que acredito que ainda darão o que falar. Por outro lado, há personagens que poderiam desaparecer de tão nojentos que são e não quererem o bem de ninguém, como Cora, Severo (o capataz da fazenda de Amaia) e as gêmeas Rosária e Belizária, irmãs de Caetana.
— Desculpe-me. — disse ao montar o cavalo.
Inácio segurou o arreio, impedindo-o de ir. Tinha os olhos fixos nele. Parecia um reflexo do jovem Eduardo Montenegro, que vivia sob a opressão de um pai abusivo.
— Você a ama tanto assim? — perguntou o rapazote.
— Do que está falando?
Aqueles olhos instigavam a acreditar que era o próprio Montenegro que estava se estudando:
— Sim, você ama Amaia. Senão, não teria vindo atrás de mim para tirar satisfações. Eu teria feito o mesmo, se eu soubesse o que está acontecendo. E se meu pai estiver por trás disso, eu não me surpreenderia. Ele não vale nada. Deixa minha mãe morrer numa cama em vez de levá-la ao médico, maltrata os escravos como se fossem bichos, abusa de tudo e de todos... — o rosto de Inácio estava repleto de lágrimas — Você precisa salvá-la, protegê-la, ajudá-la, amá-la. Amaia é muito orgulhosa e carente. Ela parece alegre, mas por dentro está chorando, está solitária, quer atenção. Ajude-a a ser feliz, por favor.
P. 162
Falei para Chiara que adorei a história e os personagens que ela criou, só queria que a teimosia de Amaia e Montenegro tivesse ido tão longe na história. Sou uma romântica quando o assunto é livro e queria mais deles como casal na história, não vou mentir.

Chiara ainda nos deixa curiosa quanto ao que é o Clube dos Devassos, personagens a serem explorados nos demais livros da série e a incógnita que é a quantidade de livros da série, pelo fato de ser uma série aberta. Além disso, fiquei realmente impressionada com a profundidade de algumas questões que trouxe na história, resumindo, fiquei na curiosidade de conhecer os demais livros e saber quais serão os novos protagonistas e suas histórias.
Comentários
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4 comentários:

  1. Lay!
    Gosto também de conhecer novos autores, principalmente nacional e achei que a autora soube trazer um romance de época bem ambientado e com os problemas que a escravidão tinha naquela época.
    Fiquei bem curiosa para poder ler.
    “Os lírios não bastam. As leis não nascem das flores. Meu nome é luta, e escreve-se na história.” (Luciana Maria Tico-tico)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MARÇO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  2. Oi Layane!!

    Eu também adoro conhecer novos autores, inclusive os nacionais. Os livros nacionais que li até então não me decepcionaram e eram ricos em uma escrita cuidadosa e bem trabalhada em todos os quesitos.
    Se eu me interessei por esse livro? Com certeza!

    Beijinhos.

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  3. A premissa do livro é muito boa, já imaginei as confusões que Amaia e Eduardo irão aprontar!! Os dois parecem ter muito em comum e acho que vão descobrindo isso aos poucos. Já torço por Amaia conseguir salvar sua fazenda e ajudar os escravos de uma maneira que não tenha que casar com alguém contra sua vontade!

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  4. Fiquei completamente apaixonada pela história do livro adoro livros de época e históricos então eu fiquei muito empolgado entender ele e eu queria saber como eu entro em contato com a autora para garantir um exemplo visto que essa é uma publicação independente

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