16 de abr de 2018


[Cinema] Uma Dobra no Tempo


Adaptar um clássico da literatura infanto-juvenil para o cinema é sempre um desafio enorme e Ava DuVernay tinha um maior que o normal nas mãos: dirigir uma versão Disney de alto orçamento de um dos livros mais queridos pelos jovens americanos (em uma pesquisa online, ele só perde pra A teia de Charlotte). E o resultado, apesar de alguns tropeços, é um filme de aventura familiar que tem boas lições de aceitação e empoderamento.


As duas obras contam a história da Meg (Storm Reid), uma adolescente que está enfrentando tempos difíceis na escola porque tem um temperamento explosivo, não gosta da própria aparência e tem que lidar um grande drama familiar. Apesar da mãe dela (Gugu Mbatha-Raw) ser uma cientista brilhante e gentil e tentar manter a família unida, Meg e o irmão, o prodígio de cinco anos Charles Wallace (Deric McCabe), sofrem com a ausência do pai (Chris Pine), também cientista, que desapareceu enquanto estudava uma forma de viajar pelo espaço através da dobra.

Quando Meg fica amiga do colega de escola Calvin (Levi Miller) e as Senhoras aparecem, eles partem em uma missão pelo espaço para salvar o pai das crianças, que eles descobrem que está aprisionado por uma escuridão terrível que está se alastrando pelo universo. A Senhora Queé (Reese Witherspoon) é a primeira a aparecer e é o avatar da disposição. É ela que incentiva as crianças a salvarem o Sr. Murray, apesar de não confiar muito nas habilidades da Meg. Logo a gente também conhece a Senhora Qual (Mindy Kaling), que só fala citando outras pessoas, e a Senhora Quem (Oprah Winfrey), a mais sábia das três. Elas servem como guia nessa jornada, mostrando o caminho às crianças até onde podem.


A história tem um quê de ficção científica, com conversas sobre física quântica, frequências e viagem no espaço, mas seu foco mesmo é a aventura e a mensagem sobre amor e aceitação. Na cena em que a Senhora Quem aparece pela primeira vez, ela está muito maior que os outros personagens e a Senhora Queé diz que ela está do tamanho errado. Ela responde “E existe isso de tamanho errado?”. A Senhora Queé também concede um presente estranho à protagonista em certo ponto: “Eu lhe concedo as suas falhas”, ela diz. Tudo isso serve de ensinamento à Meg e ressoa na espectadora, principalmente se ela for mais jovem. Porque às vezes a gente precisa de umas lições e precisa ouvir elas da Oprah, porque, se a Oprah falou, é porque é verdade.

 O visual do filme é magnífico, desde as paisagens deslumbrantes até os figurinos da Senhora Qual, que são os mais bonitos. A trilha sonora é que poderia ser um pouco mais sutil em alguns momentos e foi meio decepcionante não ouvir Sweet dreams tocar durante o filme, sendo que a música foi tema do trailer. Todos os atores estão bons em seus papéis, apesar de alguns não terem momentos mais brilhantes porque o roteiro não dá espaço pra isso.


Alguns temas do livro tiveram que ser removidos do filme, porque não fazem sentido pra nossa época ou não se encaixavam na narrativa, como as referências à ameaça comunista e à religiosidade da autora. Essas mudanças não atrapalham o desenvolvimento da trama, que poderia ter se beneficiado de um distanciamento um pouco maior do material original. Algumas das decisões artísticas mais acertadas do longa foram fruto desse distanciamento, como tornar a família da protagonista birracial (o que traz uma nova leitura sobre o fato de ela não gostar do próprio cabelo, como no livro) e a verdadeira identidade da escuridão.

Tem efeitos bonitos, tem aventura, tem a Oprah dizendo pra gente se amar, tem tudo que eu teria gostado de ver quando tinha uns doze anos. Esse é um filme pra apreciar como se você fosse mais jovem.

Numa escala de um a cinco memes da Oprah, o quanto eu gostei do filme:
Comentários
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3 comentários:

  1. Impossível não amar um filme com a Oprah e com um monte de lições de empoderamento. Eu já havia curtido o trailer do filme, e como é a Disney é difícil ficar decepcionado depois do longa completo. Ainda não assisti, confesso, mas só pelo que tu citou na resenha já dá pra perceber que eu vou curtir. Gosto da mistura de gêneros e temas (todos bem importantes) que a história traz, e acho que não apenas adolescentes vão gostar de conferir o filme. As lições que ele carrega são pra vida e muita gente ainda precisa aprender com ele.

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  2. Li essa resenha durante o horário de trabalho, mas acabei não tendo oportunidade de comentar sobre. Não é do tipo de filme que me agrade, porém acredito que não custa nada se render um pouquinho ao universo proposto.
    Quando vi o título, eu assimilei automaticamente ao título do livro que foi (acredito eu) lançado recentemente. Aí eu pensei: mas já tem adaptação cinematográfica?
    Se eu assistir em breve, apareço aqui para comentar o que achei. ;*

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  3. Olha, quando vi o trailer do filme nem sabia que existia o livro e muito menos que tinha uma HQ lindíssima que a Darkside iria publicar. Vi o trailer e achei os efeitos bacana, um filme bem família pra assistir e se divertir. Quando o filme saiu foi uma enxurrada de críticas negativas que fiquei até desanimada de ver. Acho que as pessoas estavam pensando que se tratava de outra coisa, ou por serem fãs demais do livro queriam que tivesse certas coisas, não sei, apenas sei que deixei para assistir em outro momento. Hoje lendo sua resenha vi que o filme foi bem bacana pra você, uma experiencia que valeu a pena e quando eu for assistir eu espero que seja assim pra mim.

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