3 de abr de 2018


[Conhecendo o Autor] Chiara Ciodarot


Não me recordo quando foi que quis ser escritora, porém existem provas: os livros da biblioteca da minha mãe. Eu os rabiscava e dizia que eu os havia escrito – nesta época, eu não sabia nem ler e nem escrever. Alguns anos depois, eu ganhava concursos de frases na escola – as frases mais bem elaboradas eram premiadas com bombons. Ainda, dentro desse universo infantil, ia para a casa das minhas primas brincar e só queria saber de ficar lendo os livros delas, pois eram bem mais divertidos e bonitos do que os que eu havia herdado de um primo mais velho – sim, naquela época, herdávamos livros, pois eram caros.

Foi um pulo para começar a escrever peças de teatro na escola, quando a turma de atores mirins reclamava faltar texto – era uma escola pequena, cuja biblioteca era bem simples e a Internet, na época, era discada e cobrada na conta de telefone. Mudei de escola e conheci a poesia. Daí em diante, cercava-me de professores de Português, Literatura, escrevi o meu primeiro romance – um suspense intitulado Amor Perigoso. Escrevia poemas, contos, peças, fanfics. Tudo ao meu redor era inspirador e, para não perder estas informações, comecei a anotá-las em cadernos a serem consultados.

Minha primeira publicação veio através de uma professora de Português, que era filha de editor. Ela dizia ver em mim uma escritora – mesmo que tirasse nota baixa em sua matéria e fizesse interpretações de texto mirabolantes que a preocupavam. Foi ela quem me mostrou um recorte de jornal em que anunciavam um prêmio literário para autores iniciantes. Inscrevi o conto João e o Pé de Jamelão e, em 2000, tive a minha primeira publicação na antologia Escritores do Brasil 2000, da editora Litteris. Com aquele livro em mãos, decidi: ia ser escritora.

Mas, como toda profissão, me frustrei ao saber que eu não era nenhum gênio e que teria que ralar muito para chegar onde eu queria. Como em 2001 não havia cursos de Escrita Criativa, passei para o vestibular de Jornalismo. Aprendi muito mas, faltando dois semestres para concluir o curso, larguei e fui para Letras. Sentia a necessidade da ficção, de discutir personagens, temas, debater a construção narrativa. Eu tinha saudade das aulas de Literatura. Daí em diante, foi Mestrado e Doutorado em Literatura, publicações em antologias, jornais literários. Contudo, o meu livro ainda não havia saído. Eu não me sentia escritora sem ter um livro só meu.

Um dia, já com 20 anos, fui apresentada a um editor. Ele falava maravilhas do livro que tinha escrito, que eu era isso, que eu era aquilo, e, no final, me apresentou um valor para que publicasse com ele. Era uma pequena fortuna e isso me arrasou. Disse que não poderia, pois não tinha dinheiro, e que, se ele tinha achado tão bom o meu livro, ele é quem deveria investir. O homem não reagiu bem. Alegou que eu nunca seria publicada, que eu nunca seria uma escritora.

Comecei a escrever compulsivamente. Foi quando conheci o Marcio Vassallo, escritor já consagrado. Ele leu o meu manuscrito e fez as devidas críticas. Por fim, antes de irmos, minha mãe fez a pergunta: “Mas ela tem talento?” “Sim, sua filha é uma escritora.”, havia sido a sua resposta.

Manuscritos - primeiros romances
Que difícil! Publicar, para mim, parecia impossível. Achava que poderia ser a minha falta de talento – demorei a acreditar que tinha algum. Eu não entendia o mercado, eu não entendia as editoras. Na minha cabeça era matemática simples: você escreve um livro legal, a editora gosta e publicam. Simples! Não, nem um pouco simples, como vim a saber mais tarde. Por sorte, tinha professores na faculdade que iam me estimulando, apontando erros, me dizendo no que precisava melhorar e eu ia atrás do meu aprimoramento. Sempre muito focada na escrita, fui aprendendo aos trancos e barrancos como funcionava o mercado, errando e acertando, dando um passo de cada vez até que resolvi chutar o balde: vou pagar uma publicação. Tomei esta decisão após um longo aprendizado que durou 3 anos e me fez passar por algumas recusas fundamentais.

Meu romance Noites Pretas e Brancas havia sido finalista do Prêmio SESC de Literatura, em 2011, e eu tinha certeza que era livro para uma grande editora. Um amigo levou o livro para uma amiga editora. De vez em quando eu conversava com ela, que me dizia que eu tinha pareceres a meu favor e que tinha gostado do livro, mas que, como eu era desconhecida, a chance de ser publicada por uma grande editora era quase impossível. Aguardei um longo ano, até que soube que a editora foi embora e o editor que ficou em seu lugar recusou o meu livro. Fiquei arrasada, chorei muito, mas não deixei que isso me parasse. Eu iria adiante. De novo. Tentei outros caminhos, novos percursos, e todos davam no mesmo lugar: recusas, e-mails nunca respondidos. Resolvi, então, pagar pela minha publicação. Peguei o meu finalista do SESC e mandei para uma editora portuguesa que, em uma semana, me passou os valores. Essa publicação ia ter que ser na marra.

Publiquei e o livro ficou lindo, mas precisava de uma ajuda, alguém que fizesse o marketing – não consigo vender nem picolé na praia. Conheci a Giovanna Zago, que me ajudou e quis publicar, pela sua editora, outro livro meu: Teatro de Vampiro. Assim, saiu o meu segundo romance, e no mesmo ano! Com dois livros publicados na mão, faltava uma coisa: público. Quem iria querer me ler? Pouco depois, num evento de romances de época conheci a Elimar Souza. Ela me deu várias dicas e me apresentou a pessoas que foram fundamentais para o meu aprendizado e as coisas foram se dando até chegarem na Coleção O Clube dos Devassos e em A Baronesa Descalça.

A autopublicação tornou-se muito importante, pois ela me permitiu conhecer os leitores, saber o que querem, saber se posso oferecer o desejado, saber quem eu sou como escritora. Possa afirmar que este aprendizado junto aos leitores foi um dos mais importantes nesses mais de 20 anos de tentativas. 

Ainda não cheguei onde quero – e posso – chegar, mas continuo trilhando o meu caminho, com o apoio dos que sempre apareceram no meu caminho: familiares, amigos, profissionais e leitores. E dar uma dica para quem quer escrever: tenha certeza de ser o que você quer, pois vai penar muito, levar muita porta na cara, muito “não”, muita crítica, mas não vai poder desistir, pois tudo depende apenas de você, da sua paciência, da sua perseverança e, claro, da sua criatividade. A minha trajetória pode não ser a ideal – certamente não é, pois tem mais erros do que acertos – mas pode ser um aprendizado para você que quer ser escritor. Espero que os meus erros sejam os seus acertos, e que você alcance o seu sucesso como eu sei que alcançarei o meu.

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♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥ 

Curtiram conhecer um pouco a Chiara? Pois é, assim que Elimar me falou que tinha uma autora nacional que tinha escrito um romance de época que eu certamente gostaria, não perdi a oportunidade, kkkk


Comentários
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13 comentários:

  1. Lay!
    A história para publicar seu livro já dá um bom enredo para um livro, concorda?
    Sei que deve ser difícil e admiro a Chiara por não ter desistido e desejo o maior sucesso!
    Desejo um mês abençoado!
    “Ando no traçado do tempo a procura de mim mesmo até hoje não sei quem sou, mas sou um caminhante e não um conformista.” (Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA ABRIL – ANIVERSÁRIO DO BLOG: 5 livros + vários kits, 7 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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    1. Pois é, Rudy. A Chiara já podia aproveitar e escrever, né? kkk

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    2. Hum... gostei da ideia, Rudy! :) Obrigadíssima! <3

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  2. Estou apaixonada pelo livro: A Baronesa Descalça. Romance de época emocionante e brasileiríssimo.

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    1. Amei também, Bela. Lindo, né? Já quero o próximo <3

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    2. Fico megafeliz, Bela! Obrigada! <3

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  3. Toda vez que conheço o início da carreira de um autor eu me emociono, pois percebo que não é nada fácil. Quando vi a foto dos manuscritos, super me identifiquei, pois quando comecei a escrever fazia a mesma coisa. Ainda bem que ela não desistiu dos sonhos e fechou onde queria

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    1. Verdade, Eduarda. Não é fácil mesmo, mas é importante persistir se esse é o seu sonho!

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    2. persistir sempre e nunca parar! :)
      que a minha história possa servir de aprendizado para outros tanto quanto para mim mesma :)

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  4. Adorei a autora! Me identifiquei com a escrita dela só por esse pequeno texto, com certeza vou procurar mais informações sobre o livro, apesar de não pertencer ao meu gênero literário de costume.

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    1. Dê uma olhadinha, tem resenha da Baronesa aqui no blog ;)

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  5. Obrigada pela confiança, Patrini! :)

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  6. Ain que doçura conhecer a história da Chiara. Eu me recordo da resenha do livro "A Baronesa Descalça" e do fato de esta resenha ter me abraçado e me deixado com muita vontade de ler a obra. Conhecer tua história Chiara, nos incentiva a continuar tentando realizar os nossos sonhos que, por mais que sejam diferentes, merecem ser reconhecidos.
    Eu particularmente já me arrisquei na escrita diversas vezes, escrevi alguns contos, expus a maioria deles a meus amigos mais próximos que diziam gostar do que eu escrevia. Por vezes, eu odiei o que escrevia. Uma amiga já tentou me incentivar a escrever um livro, me perguntei: "pra quem?" Outra amiga me incentivou a publicar meus contos nas redes sociais, conquistar público, mas nunca coloquei a ideia para acontecer efetivamente.
    Em meio à correria, às tentativas de arrumar um emprego melhor, terminar o curso na universidade (que ainda tento) e ter meu tempo livre, acabei desenvolvendo uma trava na minha escrita. Eu simplesmente não consegui escrever mais nada, até então permanece assim. Se sinto falta disso? Sim. Eu adorava chegar em casa depois de um dia cansativo, sentar e começar a escrever, seja algo que me vinha à mente ou algo que vivenciei.
    Hoje, meu objetivo perante à escrita se tornou outro. Em meio à construção do meu artigo para defesa do TCC daqui para junho, vem um misto de ansiedade não só de conclusão de um ciclo como também, do início de um novo. Tenho em mente, dar início a publicações científicas na minha área de estudo (pra quem não sabe, sou graduanda em Contabilidade). Porém, além da ansiedade, sinto um leve receio de que minha escrita não flua, de novo!
    Me surpreendi com a história da Chiara, pelo fato de ela ter insistido, buscado. Muita corajosa em abandonar um curso logo no fim para se arriscar em uma nova aventura. Tá de parabéns moça! Você é um espelho para nós, que queremos e continuamos tentando conquistar o mundo que sonhamos.

    Um abraço e sucesso! ;*

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