8 de abr de 2018


[Resenha] Amor à Segunda Vista - Mhairi McFarlane

Ficha Técnica 

Título: Amor à Segunda Vista
Título Original: Here's Looking at You
Autor: Mhairi McFarlane
ISBN: 978-85-2203-227-3
Páginas: 384
Ano: 2015
Tradutor: Alyne Azuma
Editora: HarperCollins Brasil
E se a pessoa de quem você mais fugiu no passado fosse agora de quem você precisasse? Anna era o patinho feio da escola, mas seguiu em frente e hoje, apesar de uma vida amorosa tragicômica, é feliz e realizada. Amor à segunda vista é sobre aceitar quem somos de verdade e ficar feliz com isso. Os leitores vão rir e lembrar que o mundo dá voltas, queridinha; afinal, tudo é possível, no amor e na vida.





Resenha


Quando li Desde o Primeiro Instante e gostei da escrita da Mhairi e da história que ela criou, fiquei curiosa quando a HarperCollins publicou outro romance dela.

Aureliana Alessi é descendente de pai italiano e mãe britânica e muito de sua herança genética veio do lado paterno de sua família. Mas não foi a cor exuberante de sua pele ou os traços de seu rosto que chamavam a atenção das pessoas quando estava na escola e sim o fato de estar vários quilos acima do que era considerável aceitável. Foram anos sofrendo com o bullying, inventando desculpas para os pais não saberem da dura realidade que era enfrentar a a escola diariamente. Entretanto o ápice foi um evento de encerramento da escola quando, enganada por seu affair James Fraser, ela subiu ao palco para a apresentação que todos estavam fazendo e foi chamada de elefante e agredida com uma chuva de doces que vinham da platéia.
— Acho que ainda é um problema porque você não fala sobre o assunto — Aggy continuou. — E não deixa ninguém falar sobre isso. A mamãe e o papai acham que você vai ficar chateada se tocarem no assunto. Na época, você se fechava no quarto e lia, e agora você guarda tudo aí dentro e mantém as pessoas novas à distância.
P. 273
Os anos passaram e graças a Deus agora, aos trinta e dois anos, ela era a Dra. Anna Alessi, professora de História especializada no período bizantino na University College London. Anna mudou absurdamente depois que saiu da escola. Não foi fácil, mas ela conseguiu emagrecer, deixando no passado o que foi motivo de tanto sofrimento. Depois focou em sua carreira, mas sua vida amorosa não ia tão bem assim e, por esse motivo, tem insistido em encontros com homens que conhece nos apps de relacionamento.

A escola estava no passado, até que foi marcado o reencontro do colégio... Dezesseis anos depois de formados. Claro que ela não iria, enfrentar seus algozes não estava nos seus planos, mas como disse sua melhor amiga Michelle, se estava no passado, nada melhor do que enfrentá-los de cabeça erguida e mostrar que superou e estava muito melhor. Mas Anna não esperava que o popular e o símbolo de sua derrota adolescente fosse se dar ao trabalho de estar entre os mortais, entretanto, lá estava James Fraser mostrando que havia envelhecido muito bem e acompanhado de seu ainda amigo dos tempos da escola Laurence.
Anna pensou sobre isso. Do que ela tinha medo? De ficar sozinha? Não exatamente. Era seu estado natural, considerando que ela passara quase toda sua vida adulta solteira. Tinha medo de nunca ter se apaixonado, ela pensou. Espere um pouco — não, não era medo, exatamente. Era mais uma decepção, ou tristeza. Então qual era o medo do qual ela vivia desviando? Ah, como se ela não soubesse a resposta.
Era o medo de ser aquela garota de novo.
P. 26
Óbvio que seu terror foi infundado, ninguém que estava na festa de reencontro da escola a reconheceu, mas o destino estava determinado a fazê-la encarar o passado de frente quando, dias depois de ter conseguido fugir da fatídica festa, ela reencontra James na primeira reunião para a exposição sobre Teodora no British Museum, o trabalho pelo qual Anna esperou tanto.

A interação entre os dois começa muito difícil, afinal Anna fica apreensiva de ser descoberta e ser novamente hostilizada por James, mas quando percebe que isso não acontecerá, fica claro que podem ser grandes amigos.
— Acho que o castelo é o elemento principal nessas fantasias — James comentou. — Todas vocês querem uma mistura de Bernie Ecclestone com "O Gostosão da Semana" da MTV. Não vejo nenhum livro com o título Possuída por um pobretão.
— É o terceiro da direita para a esquerda — disse Anna, apontando para a prateleira. — Sim, essa doença condicionadora de gênero provavelmente é a razão pela qual nunca encontrei ninguém — ela continuou, um pouco taciturna. — Minhas expectativas são muito altas.
P. 254
Com a narrativa em terceira pessoa, nós também temos a oportunidade de conhecer o lado de James dessa história. Realmente ele não reconhece Aureliana em Anna em nenhum momento, ainda que o sobrenome dela tenha lhe instigado algo na memória, que logo foi esquecido. Seu foco tem sido consertar seu casamento, afinal, com menos de um ano de casado, uma casa recém comprada e um gato como integrante da família, sua esposa o deixou sem muitas explicações, o que o deixa perdido no limbo, esperando que ela volte.

Quando vemos o lado de James, fica muito claro que ele não sabe reagir quando algo lhe é negado e a partida da esposa, deixando o gato que ele não gosta para trás, seu trabalho que não é o que ele imaginava e ter de lidar com pessoas fúteis na maior parte do tempo não tem contribuído de forma muito positiva no seu cotidiano e Anna será seu refúgio depois que eles passam a se entender.
Ele valorizou o que era errado por muito tempo — coisas falsas — e se perguntou por que a vida parecia uma mentira. "Bem, dã", James podia ouvir sua irmã dizer.
James não sabia como contar para Anna que ela o tinha salvo de uma vida de superfície pura, nenhuma substância, ou se algum dia seria capaz de fazê-lo. Não queria que ela pensasse que era seu grilo falante, um lindo motor de redenção.
P. 331
Embora o livro seja um romance e a gente torça para que as coisas se resolvam (duvidei que isso fosse possível, a medida que lia o livro) o foco é muito maior na autodescoberta e não digo só de Anna, James aprende muito ao longo da história. Outros personagens também tem seus momentos de aprendizado: Aggy, irmã mais nova de Anna, que está de casamento marcado, Michelle e Daniel, melhores amigos de Anna.

Foi incrível. Ri das muitas piadas ridículas, das escolhas literárias de Anna (criticadas por James só para ser chato), chorei quando vi o sofrimento do passado de Anna e me solidarizei com ela, entendendo como as pessoas podem ser cruéis e nem se darem conta do efeito que isso tem na vida de outro ser humano.
— Você acha que a escola é uma espécie de vergonha, mas não é, ou não para você. A maneira como você se refez prova como você é uma pessoa extraordinária. É o que eu quero dizer, e isso é mais importante do que dizer que estou perdidamente apaixonado por você, porque se apaixonar por você é fácil, Anna. Mas o que você fez é difícil. Você é extraordinária.
P. 373
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Comentários
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6 comentários:

  1. Acredito que o livro conta muiro sobre os valores de uma pessoa, não focar tanto na aparência e sim sobre o que tem por dentro da pessoa, parece ser bom e vale a pena ler, irei colocar na minha infinita lista de livros.

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    1. Vale a pena demais, Lilian, os temas abordados pela Mhairi são muito importantes e merecem ser debatidos.

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  2. Esse livro tem um tema mais de cotidiano, né? E foi exatamente isso que me chamou a atenção nele. Fiquei curiosa como a autora deu a reviravolta para resolver as coisas, já que você mesma disse que parecia que isso não aconteceria. Gosto de livros que me façam pensar e parece ser o caso.

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    1. Sim, Eduarda. Cotidiano e atual, totalmente necessário de ser observado e debatido.

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  3. Gosto dos temas trabalhados no livro, são importantes e precisam ser debatidos, porque ainda hoje muitas pessoas sofrem com esse tipo de preconceito. Acho interessante acompanhar a mudança e amadurecimento da personagem, mas acho que um possível romance entre ela e o seu agressor possa ser de alguma forma um tanto quanto forçado. Pode ser uma visão particular que eu tenho, mas não acredito que isso poderia dar certo e nem ser verdadeiro ao ponto de realmente torcermos pelos dois.

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    1. Sem dúvida são temas que precisam ser abordados, Patrini. Quanto ao envolvimento dos dois, quando a gente lê o livro percebe o quanto o personagem mudou, mas só lendo para entender, não dá para falar mais detalhes, quando li não me pareceu forçado.

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