15 de abr de 2018


[Resenha] A Forma da Água - Guillermo Del Toro & Daniel Kraus

Ficha Técnica 

Título: A Forma da Água
Título Original: The Shape of Water
Autor: Guillermo Del Toro & Daniel Kraus
ISBN: 978-85-510-0277-3
Páginas: 351
Ano: 2018
Tradutor: Edmundo Barreiros
Editora: Intrínseca
Richard Strickland é um oficial do governo dos Estados Unidos enviado à Amazônia para capturar um ser mítico e misterioso cujos poderes inimagináveis seriam utilizados para aumentar a potência militar do país, em plena Guerra Fria. Dezessete meses depois, o homem enfim retorna à pátria, levando consigo o deus Brânquia, o deus de guelras, um homem-peixe que representa para Strickland a selvageria, a insipidez, o calor — o homem que ele próprio se tornou, e quem detesta ser. Para Elisa Esposito, uma das faxineiras do centro de pesquisas para o qual o deus Brânquia é levado, a criatura representa a esperança, a salvação para sua vida sem graça cercada de silêncio e invisibilidade. Richard e Elisa travam uma batalha tácita e perigosa. Enquanto para um o homem-peixe é só objeto a ser dissecado, subjugado e exterminado, para a outra ele é um amigo, um companheiro que a escuta quando ninguém mais o faz, alguém cuja existência deve ser preservada. Mistura bem dosada de conto de fadas, terror e suspense, A Forma da água traz o estilo inconfundível e marcante de Guillermo del Toro, numa narrativa que se expande nas brilhantes ilustrações de James Jean e no filme homônimo, vencedor do Leão de Ouro em 2017. Uma história cinematográfica e atemporal sobre um homem e seus traumas, uma mulher e sua solidão, e o deus que muda para sempre essas duas vidas.

Resenha

Ganhador do principal prêmio da última cerimônia do Oscar, “A Forma da Água” é uma fábula fantástica que narra a jornada de Elisa Esposito, uma funcionária de limpeza de um centro de pesquisa norte-americano. Talvez, a principal característica de Elisa é o fato dela ser muda, apesar disto não defini-la por completo. Trabalhadora e solitária, Esposito ganha vida ao descobrir que na Occam, o seu local de trabalho, existe uma criatura marinha trazida por soldados após uma expedição na América do Sul.

Tal criatura é chamada de deus Brânquia, e tem uma semelhança muito grande com um peixe, já que possui escamas, membranas e guelras. Mas, ele também demonstra ter características humanóides, como o fato de ser bípede e conseguir se comunicar mesmo sem a necessidade da fala, assim como Elisa. O interesse de Esposito pelo deus Brânquia é instantâneo, pois ela consegue ver nele tudo que vê em si mesma. Logo, ela decide que precisa ajudá-lo a escapar do centro de pesquisas, antes que a criatura seja morta, mesmo que isso coloque o seu emprego – e também a sua vida – em risco.
[...] Com esse disfarce, ele seduz as mulheres mais belas da aldeia e as leva para sua casa no fundo do rio. Quase não se vê mulheres perto do rio à noite, de tanto medo que elas têm de um rapto encantado. Mas, para mim, é uma história de esperança. Um paraíso submarino não é preferível a uma vida de pobreza. Incesto e violência?
P. 20/21
“A Forma da Água” é mais uma história criada pelo agora oscarizado diretor Guillermo Del Toro, o mesmo responsável pelo aclamado “O Labirinto do Fauno” (2006) e das adaptações cinematográficas dos quadrinhos de “Hellboy” (2004). Diferentemente do que possa parecer, “A Forma da Água” não foi um filme adaptado de um livro, tendo aqui o inverso acontecido. Surgindo primeiramente como um produto audiovisual, a obra foi transformada depois em livro pelas mãos de Daniel Kraus em parceria com o próprio criador e roteirista do filme, o Del Toro.

Gostei bastante do longa-metragem de “A Forma da Água”, e apesar dele não ter sido meu filme favorito da temporada de premiações, sua qualidade é evidente, principalmente se tratando do visual estético e fotográfico. Referindo-se a história, lembro que tive um problema no romance entre Elisa e sua criatura marinha, já que tudo parecia muito corrido, não dando tempo de torcer por aquele casal. No livro, tal relacionamento é a melhor coisa da narrativa – além obviamente das representatividades que carrega –, porém, assim como na telona, não é muito bem desenvolvido.

Sendo bem sincero, não consigo entender a necessidade de transformar um bom roteiro em um romance literário, e aqui não funcionou muito bem. Antes tivessem pego o tal roteiro e publicado da forma que foi originalmente concebido. A obra escrita por Kraus e Del Toro é massante, arrastada e extremamente confusa, pois opta em ser fiel ao filme, esquecendo que a ferramenta para contar a história é totalmente diferente.



Ao invés de acompanharmos somente um ou dois personagens principais, os autores optaram por narrar o desenrolar de personagem por personagem, inclusive aqueles que não dão peso nenhum a obra. Ficamos alternando entre Elisa, sua melhor amiga de trabalho Zelda, seu vizinho Giles, o agente Strickland, entre outras personagens, em uma confusão capaz de deixar qualquer leitor louco, pois você não sabe de cara qual momento e personagem da história está acompanhando naquele capítulo.

Falando em capítulos, eles são em sua maioria bem curtinhos, geralmente entre duas ou três páginas. O livro é dividido em partes, e esses capítulos vão dentro delas. A primeira parte é muito interessante, pois é a que de fato difere do filme, contando como o deus Brânquia foi capturado (por curiosidade, tal nome da criatura nem no filme é citado). Os capítulos finais de cada grupo, em sua maioria, são o que dão certo fôlego a leitura, porém é só uma nova parte se iniciar, que o marasmo retorna.
[...] Ali era um lugar onde a fantasia superava a vida real, onde era escuro demais para ver cicatrizes o silêncio não era apenas aceito, mas imposto por funcionários armados com lanternas. Por duas horas e oito minutos, ela se sentiu completa.
P. 70/71
Na minha opinião, “A Forma da Água” como obra literária é recheada de altos e baixos, possuindo uma narrativa inconstante e quebrada, não ajudando o leitor a se conectar e compreender o que está lendo. É importante dizer também que é uma leitura com pouquíssimos diálogos, logo tornando o livro bem descritivo, e muitas vezes exagerado. Não odiei a experiência, mas gostaria que ela tivesse sido tão bela aos meus olhos quanto o filme foi, ou até mesmo quanto a capa da adaptação, que é um grande acerto. Sei que é raro ouvir isso, mas neste caso, prefiro o filme.

Amazon
Comentários
3
Compartilhe

3 comentários:

  1. uma pena que a adaptação do filme pro livro não ficou tão boa, ainda quero assistir mesmo não sendo fã de filmes que concorrem ao oscar
    http://blogradioactive.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Logo que esse filme foi lançado, e sendo do Del Toro, minha atenção ficou totalmente voltada para ele. Acho a história cheia de pontos positivos e um dos maiores para mim são os temas essenciais de serem discutidos que a trama trabalha. Confesso que adaptações de roteiros de cinema pra livro sempre me deixam apreensiva, exatamente por serem meios extremamente diferentes e com ferramentas distintas pra narrar a história. Acho que essa confusão de personagens que tu mencionou pode me desanimar um pouco, mas a beleza e magia da história acabaria me conquistando, no final.

    ResponderExcluir
  3. Eu, particularmente, acreditava que o filme fosse uma adaptação do livro. Engano meu!
    Vi diversos elogios quanto à produção cinematográfica, também comentei do trailer já aqui no blog, em geral, tenho vontade de assistir.
    Já no que diz respeito ao livro, esta é a primeira resenha que eu leio sobre, e é uma pena que a adaptação literária não tenha agradado. Mas, infelizmente é um risco que há, não só na adaptação literária de um filme como também, algumas vezes, na adaptação cinematográfica de um livro, como ocorreu com "Os Instrumentos Mortais".

    ResponderExcluir

Seu comentário é sempre bem-vindo e lembre-se, todos são respondidos.
Portanto volte ao post para conferir ou clique na opção "Notifique-me" e receba por e-mail.
Obrigada!

 
imagem-logo
De Tudo um Pouquinho - Copyright © 2016 - Todos os direitos reservados.
Layout e Programação HR Criações