2 de abr de 2018


[Resenha] O Que Toca o Coração - Silvia Spadoni

Ficha Técnica 

Título: O Que Toca o Coração
Autor: Silvia Spadoni
ISBN: B079DH3VVG
Páginas: 248
Ano: 2018
Editora: Independente
Tudo o que Sebastian Wright, Conde de Nottingham, deseja é trazer à vida de sua jovem irmã um pouco de alegria e interesse pela temporada na Corte. Para isso está disposto até mesmo a aturar os caprichos de uma petulante professora de piano. Flora precisa de trabalho. Com um inverno rigoroso a frente, ela não será capaz de suportar meses com pouco carvão e lenha insuficiente. O convívio com a doce Emma compensaria a arrogância e o orgulho de Lorde Sebastian, símbolo de tudo que ela mais menospreza na nobreza. O que ambos não esperavam é a inexplicável atração que surge quando a convivência se intensifica e explode numa situação imprevista. Porém a aristocracia possui suas exigências e o casamento com uma jovem malnascida não está entre os planos de um conde. Por outro lado, Flora jamais se permitiria viver como amante depois do exemplo que teve dos pais. Será possível a nobreza de caráter ser mais valorizada do que a nobreza do sangue? Poderá a beleza da alma cativar mais do que a aparência física? O que realmente toca um coração?

Resenha


Aqui estou eu me apaixonando por outra história criada pela Silvia Spadoni, que tem o poder de me fazer torcer contra muitas convenções sociais da época em que se passam seus livros e me faz suspirar com os casais que cria.

Dessa vez, em Londres de 1819 ela nos apresenta Flora Cranford, uma jovem pianista de vinte e três anos que há dois trabalha dando aulas de piano para se sustentar. Logo no início da história vemos que ela é convidada pela mãe de uma de suas alunas para tocar em um sarau, uma ótima oportunidade para mostrar seu talento e conseguir novos alunos. É nessa apresentação que Lady Emma Wright, também amante dos concertos de piano, se encanta com a belíssima apresentação de Flora tocando composições de Bach.

Emma tem apenas dezoito anos e estava com tudo preparado para sua apresentação à Sociedade, mas um acontecimento recente fez com que ela se tornasse reclusa e abatida, o que preocupa demais seu irmão Sebastian - Conde de Nottingham, que, após um conselho do amigo, Lorde Harry Mitchel, o Visconde de Linley, decide contratar os serviços de Flora, para animá-la com algo de que gosta.

Embora não aprove a maneira como o conde a convocou para uma entrevista, Flora não podia se dar ao luxo de recusar uma proposta de trabalho e, logo que conheceu sua futura aluna, a afinidade entre as duas ficou evidente; o que não podia ser dito de sua impressão a respeito do conde.
— Que homem insuportável — foi o pensamento de Flora antes de iniciar uma conversa agradável com sua jovem aluna sobre as sonatas de Bach. Com um suspiro aliviado percebeu que, se conseguisse evitar Lorde Wright, seria muito agradável dar aulas a Emma. A jovem era gentil e não tinha sequer um traço da arrogância do irmão e ela percebeu que ambas se dariam muito be. E se a moça tivesse aptidão para o piano, seria perfeito!
P. 31
A presença de Flora traz de volta a vitalidade de Emma, que precisava mesmo de alguém com uma idade próxima a sua para conversar e Sebastian aproveita para aos poucos convencê-la a retomar suas atividades normais e pensar em seu ingresso na Sociedade. Entretanto, para isso a jovem precisará de uma dama de companhia e é aí que Flora assume mais um cargo e com isso passará a morar em Mansfield House, onde terá de conviver diariamente com Sebastian.

Sebastian Wright tem trinta anos e desde a morte dos pais assumiu a criação da irmã, o título e todas as responsabilidades que vieram com ele, mas o que mais o incomodou foi ter de deixar a vida em Teversal, propriedade rural da família para assumir sua posição na Câmara dos Lordes em Londres e todas as atividades que exigiam sua atenção e embora soubesse que em algum momento também precisaria gerar um herdeiro, casar-se ainda não estava em seus planos. 


Para quem via de fora Sebastian era a imagem de um homem frio e insensível, mas a verdade é que isso é apenas uma fachada. Quando Flora passa a conviver com os irmãos vê o quanto Sebastian ama e se preocupa com o futuro de Emma e, ao passarem uma temporada no campo, é quando ela conhece o verdadeiro Sebastian: simples e dedicado às sias responsabilidades com todos que dependem dele.
O comportamento de Emma era previsível, a garota era amorosa e gentil e jamais tratava os criados com arrogância. No entanto, a postura de Lorde Sebastian fora inesperada, mais uma vez Flora percebeu outro homem emergir de seu interior. Era curioso, a impressão que ela tinha era de que por vezes o austero e intolerante conde permitia que sua verdadeira personalidade escapasse da prisão que ele mesmo construíra e surgisse livre e benevolente. Ele parecia despir-se de uma capa e abandonar o personagem que parecia ter criado com o fim de esconder seu verdadeiro eu.
P. 119
Quanto mais conhecemos os personagens, mais fica claro que se completam e aqui vem o que falei no início sobre torcer contra as convenções da época. Espera-se que um conde, principalmente um com um título tão abastado quanto o de Sebastian, case-se com alguém de sua classe e não com um plebeia, que trabalha e, como se isso não fosse suficiente, é fruto de um escândalo. Ou seja, o que a Sociedade aceitava era que Sebastian a tomasse como amante e não como esposa. Óbvio que, tendo visto a história de amor de seus pais, Flora jamais aceitaria ser amante de alguém, ela almejava ter um pouco do que seus pais viveram.
— O amor deveria ser mais forte do que as convenções, deveria ser capaz de superar cada uma delas e prevalecer! Eu conheço meu irmão, sei que vocês seriam felizes juntos, só não sei se ele será capaz de afastar-se  daquilo que lhe foi imposto desde sempre!
P. 165
Outro ponto importante que eu gosto nessa história é o fato de Silvia não ter focado apenas nos protagonistas e em seu final perfeito para a história, outros personagens ganham corpo e espaço na história, o que torna tudo muito agradável de ler, porque não é porque um casal está em foco que outros não romances não estejam de desenrolando ali ao mesmo tempo entre outras pessoas. 

O Que Toca o Coração é um romance delicioso, fofo e, como já disse, torci muito pelos protagonistas (e outros também kkk). E para quem ainda não conhece o trabalho da Silvia, além desse livro também super indico sua Série Amores, composta pelos livros Um Amor ConquistadoUm Amor Inesperado e Um Amor Apaixonado

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Comentários
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10 comentários:

  1. Oi Layane, tudo bem?

    Não conheço a autora, mas gostei de toda a proposta envolvida para o enredo desse livro. Eu senti aquele friozinho na barriga, aquele vontade de me render a um romance. Me surpreende também o fato de a autora apostar em romances paralelos ao principal, isso costuma ser bem raro, e é interessante ser desenvolvido até porque, é como você disse, enquanto acontece um romance, tantos outros acontecem também.
    Adorei tua resenha, e espero ter oportunidade de fazer a leitura em breve :)

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    1. Verdade, Jéssica. É difícil encontrarmos romances que também apostem em outros além dos protagonistas e a Silvia além de fazer isso, não se perde em nenhum momento.
      Espero que consiga ler em breve.

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  2. Ooi, adoro histórias em que o mocinho tem uma máscara de ser frio e insensível, mas na verdade é só fachada.
    Acho interessante ter outros romances envolvendo os outros personagens da história.
    Parece ser uma leitura bem agradável.
    Bjs

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    1. Eu também adoro, Lynn, dá outra vida, não é mesmo?!

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  3. Lay!
    Já gosto de romances, de época ainda mais e se tem personagens bem personificados, outros protagonistas atuantes no enredo e um final arrasador, não tem como não desejar a leitura, concorda?
    Confesso que não conhecia a autora, mas fiquei bem estimulada para ler seus livros.
    Desejo um mês abençoado!
    “Ando no traçado do tempo a procura de mim mesmo até hoje não sei quem sou, mas sou um caminhante e não um conformista.” (Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA ABRIL – ANIVERSÁRIO DO BLOG: 5 livros + vários kits, 7 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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    1. Uma união de itens incríveis, não é mesmo Rudy?! Sem dúvida o livro é ótimo, espero que tenha logo a oportunidade de lê-lo.

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  4. Eu ainda não conhecia os livros dessa autora, mas sou super fã de romances. Não costumo ler romances de época, mas só de saber que a protagonista é pianista já fiquei bem interessada. Como parece ser um livro fofo, acho que vou acatar a sua sugestão

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    1. Depois me conta o que achou, certo? Tenho certeza de que irá gostar da história.

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  5. Eu não conhecia a autora ou os livros, mas ele já me ganhou pela capa, cheia de simplicidade e delicadeza. Confesso que não sou muito fã de romances, mas os de época vem com todo o charme de outras culturas e tempos, então fica difícil não se interessar. Além de ter gostado do fato de o romance entre o casal protagonista acontecer de forma lenta e verossímil, gosto também de a autora ter dado destaque e espaço aos personagens secundários, afinal, eles também tem sua função e importância dentro das obras.

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