22 de abr de 2018


[Resenha] Rio Vermelho - Amy Lloyd

Ficha Técnica

Título: Rio Vermelho
Título Original: The Innocent Wife
Autor: Amy Lloyd
ISBN: 978-85-9581-014-3
Páginas: 266
Ano: 2018
Tradutor: Carlos Szlak
Editora: Faro Editorial
Você acredita nele... então porque está com tanto medo? Uma combinação perfeita de A Sangue Frio e Making a Murder! Como confrontar quem você ama quando você não tem certeza se quer saber a verdade? Há vinte anos, Dennis Danson foi preso pelo assassinato brutal de uma jovem no condado de Red River, na Flórida. Agora ele é o assunto de um documentário sobre crimes reais que está lançando um frenesi online para descobrir a verdade e libertar um homem que foi condenado erroneamente. A mil milhas de distância na Inglaterra, Samantha está obcecado com o caso de Dennis. Ela troca cartas com ele e é rapidamente conquistada por seu aparente charme e bondade para ela. Logo ela deixou sua velha vida para se casar com ele e fazer campanha para sua libertação. Mas quando a campanha é bem sucedida e Dennis é libertado, Sam começa a descobrir novos detalhes que sugerem que ele pode não ser tão inocente....

Resenha


Dennis Danson foi preso quando tinha 18 anos de idade por ter matado brutalmente uma jovem em sua cidade natal, Red River. Vinte anos anos se passaram, e após ser o personagem central de um documentário sobre crimes, um debate nacional surge sobre a condenação de Dennis e a possibilidade de seu caso ter sido julgado de uma forma errônea.

Enquanto isso, na Inglaterra, Samantha, que vive uma vida muito sem graça após um difícil divórcio, acaba se esbarrando na história de Dennis ao ponto de ficar obcecada. Desta forma, a moça envia uma carta para Danson, e após alguns meses nesse vai e vem de troca de mensagens, ela decide largar tudo para ir até a Flórida visitar aquele rapaz desconhecido, mas que de alguma forma lhe tira o sono e acelera o coração.

Ao chegar nos Estados Unidos e finalmente conhecer Dennis, a relação dos dois, que basicamente acontece através de uma parede de vidro no presídio local, floresce ao ponto de Dennis pedir Samantha em casamento. Apaixonada e confiante que o caso de seu amado será revisto, Sam nem imagina onde está se metendo, afinal, independentemente da suposta inocência de Dennis, ela não sabe nada sobre ele, além de sua relação com um assassinato. Porém, já foi dada a largada neste jogo, e só resta a Sam jogá-lo para realmente descobrir se ela entrou para ganhar ou perder.

– Não há versões. Não há história. Há apenas o que todos por aqui sabem que é verdade. É algo que forasteiros nunca entenderão, porque não estavam aqui, não conheciam as famílias como nós e não conheciam Dennis. Não como ele era então, antes de vocês o tornarem o que ele é agora. Antes de ele aprender a se mostrar como presa, e não como o predador.
P. 68

“Rio Vermelho” é um thriller com proposta interessante e ganhador de uma competição de best-sellers do Daily Mail. Escrito por Amy Lloyd, a obra é narrada através de um narrador onisciente, e dividido em três partes. A escrita de Lloyd é boa e se desenrola facilmente, e o fato dos capítulos não serem muito longos nem arrastados, dá uma potencializada nesta sensação de fluidez.

Com um número limitado de personagens, os fatos basicamente ocorrem entre Sam e Dennis: antes, durante e após ele sair da cadeia. A construção desse relacionamento, principalmente acompanhando essas subdivisões temporais, é a cerne principal da narrativa, que tenta ao máximo criar em Samantha a dúvida de ter ou não um relacionamento saudável com um homem que ela mal conhece. E obviamente, o que isso pode acarretar à ela no quesito perigo.

– Pois não deve ter medo dele. Dennis não fez nada. – Sam perguntou-se como poderia provar para o menino que tudo não passava de história e mitos. – Além do mais, sou casada com ele. Eu saberia se ele fosse um cara mau. Dennis nunca machucaria ninguém.
P. 167

Girando em torno dessas plots de “Dennis é culpado ou inocente?” e “Samantha fez bem em largar sua vida para ficar com ele?” que o livro se desenrola, porém não de uma forma surpreendente. Apesar de ter devorado o livro, a previsibilidade foi grande, e a falta de um suspense fez com que tudo ali fosse muito simplório. “Rio Vermelho” é uma obra constante, começa de uma forma e continua na mesma frequência até quase o final, onde tenta – e consegue brevemente – injetar um gás.

O final em si é bastante interessante, bem cru, bem direto e reflexivo. E na verdade, tal final é o epílogo, pois infelizmente as ações finais na minha opinião foram descritas de uma forma muito corrida e vaga, e senti muito, pois as possibilidades de desfecho eram imensas, e não vi aproveitamento. Durante a leitura eu conseguia visualizar as personagens gritando para a autora, pedindo por mais algumas páginas, para que tudo acontecesse de uma forma mais orgânica e menos acelerada. Uma pena que ela não os ouviu…

[...] No caminho de volta, Sam cochilou e sonhou com eles indo embora de Red River. Quando isso acabar, ela pensou, Dennis será diferente. Havia algo naquele lugar que fazia com que seu marido mudasse; e Sam podia sentir que a mudava também.
P. 196

No mais, como já disse, “Rio Vermelho” é uma obra constante, sem muito suspense ou reviravoltas, mas agradável. A edição como sempre está muito bonita, apesar de não ter gostado muito da capa, por ter achado ela muito poluída na parte superior. De qualquer forma, acredito que o livro tem fatores suficientes para agradar os fãs de um romance policial.

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Comentários
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2 comentários:

  1. Esse livro foi lançado em algum mês desse ano, eu acredito que o vi no "Novidades Literárias" daqui. Eu criei um interesse pela sinopse que o livro apresenta, e pensei, vai ser um livro bacana. Tua resenha acabou de provar o contrário kkk
    É uma pena que o livro não trabalhe tão bem o suspense como eu imaginava que seria construído. E a falta desse suspense, me fez, agora, perder o interesse no livro. Acredito que o potencial desse livro era, através da concedida liberdade e da construção de relacionamento entre os personagens, descobrir se de fato o homem era inocente ou não, e no meio disso construir uma narrativa de ação (muita ação!) e suspense.

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  2. Esse gênero sem dúvidas chama a minha atenção. Ainda não tinha visto nenhuma resenha sobre ele, tento não criar aquela expectativa louca as vezes porque não quero me decepcionar, sabe? Então foi até bom saber que algumas coisas são meio previsíveis e que apesar de ser um livro instigante de ler ao mesmo tempo segue meio que numa linha. Pretendo ler e estou adorando esses lançamentos da Faro, tomara que eles continuem investido no gênero e trazendo essas autoras e também autores novos!

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