29 de abr de 2018


[Resenha] Todo Dia a Mesma Noite - Daniela Arbex

Ficha Técnica 

Título: Todo dia a mesma noite
Autor: Daniela Arbex
ISBN: 978-85-510-0285-8
Páginas: 240
Ano: 2018
Editora: Intrínseca
Reportagem definitiva sobre a tragédia que abateu a cidade de Santa Maria em 2013 relembra e homenageia os 242 mortos no incêndio da Boate Kiss. Daniela Arbex reafirma seu lugar como uma das jornalistas mais relevantes do país, veterana em reportagens de fôlego - premiada por duas vezes com o prêmio Jabuti - ao reconstituir de maneira sensível e inédita os eventos da madrugada de 27 de janeiro de 2013, quando a cidade de Santa Maria perdeu de uma só vez 242 vidas. Foram necessárias centenas de horas dos depoimentos de sobreviventes, familiares das vítimas, equipes de resgate e profissionais da área da saúde - ouvidos pela primeira vez neste livro -, para sentir e entender a verdadeira dimensão de uma tragédia sobre a qual já se pensava saber quase tudo. A autora construiu um memorial contra o esquecimento dessa noite tenebrosa, que nos transporta até o momento em que as pessoas se amontoaram nos banheiros da Kiss em busca de ar, ao ginásio onde pais foram buscar seus filhos mortos, aos hospitais onde se tentava desesperadamente salvar as vidas que se esvaíam. Foi também em busca dos que continuam vivos, dos dias seguintes, das consequências de descuidos banalizados por empresários, políticos e cidadãos. A leitura de "Todo dia a mesma noite" é uma dolorosa e necessária tomada de consciência, um despertar de empatia pelos jovens que tiveram seus futuros barbaramente arrancados. Enxergá-los vividamente no livro é um exercício que afasta qualquer apaziguamento que possamos sentir em relação ao crime, ainda impune.


Resenha


Às vezes durante a leitura a gente tem que fechar o livro um pouco, parar pra respirar e se recompor antes de voltar. Todo dia a mesma noite é um desses livros. É um retrato emotivo e honesto de uma das maiores tragédias do país e, por vezes, mais cruel que qualquer livro de ficção.

No começo de 2013 houve um incêndio numa boate na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que deixou 242 mortos. O incêndio foi o segundo maior do país em número de vítimas e foi causado por uma série de descuidos e negligência extrema dos donos. O livro da Daniela Arbex conta as histórias de algumas famílias que perderam seus entes queridos e de alguns poucos sobreviventes da tragédia.

Aqui o leitor acompanha a ação dos bombeiros no início do resgate, as tentativas dos paramédicos de descobrir como as pessoas estavam morrendo para poder impedir mais perdas, a fuga desesperada dos sobreviventes e a tentativas das famílias de fazer justiça após o desastre. Tudo isso de forma muito pessoal e descrita com muita emoção e respeito.

É extremamente doloroso ler algumas passagens, principalmente aquela em que os familiares reconhecem os corpos de seus filhos. É sofrimento puro e não existe alegria em nenhuma página desse capítulo. Apesar de ser uma história tão triste, é importante lembrar deste tipo de acontecimento para que ele não se repita no futuro, para manter viva a memória do desastre e para fazer justiça às vítimas e suas famílias.

Um livro sensível e recomendado para quem gosta de não-ficção e histórias reais.
Comentários
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2 comentários:

  1. Um livro que não precisa de uma resenha imensa, apenas poucas palavras que expressem a sensação que é ler esse livro. Gostei disso, Tamy.
    Vejo que foi uma leitura delicada, agoniante por vezes, dolorosa, até porque a autora faz uma abordagem de um caso que abalou todo o país, e não tem como retratar uma história feliz.
    Acredito que seja válido que todos leiam o livro, eu mesma quero ler! Me parece um livro que deve ser lido, em que o leitor poderá ter a oportunidade de sentir as coisas que outras pessoas sentiram com a tragédia e passar a valorizar mais a vida.

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  2. O livro parece ser bem doloroso. Já assisti algumas entrevistas no YouTube, vídeos onde mostravam fotos das vítimas vivas, saudáveis e felizes, antes dessa tragédia acontecer. Acho que é importante falar sobre porque infelizmente até hoje não ouve justiça. A leitura parece ser muito pesada, não sei se realizaria agora, acho que tenho medo de cair numa espiral de pensamentos complicadas. Porém, não tenho dúvidas que seja uma leitura rica e que apesar de triste mostra pra gente que devemos valorizar a vida. Que bom saber que a autora conseguiu passar tudo com delicadeza e respeito, isso é bem importante.

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