15 de mai de 2018


[Resenha] A História de Malikah - Marina Carvalho

Ficha Técnica 

Título: A História de Malikah
Autor: Marina Carvalho
ISBN: 978-85-250-6336-6
Páginas: 336
Ano: 2017
Editora: Globo Alt
Malikah conheceu muito cedo toda a crueldade de que o ser humano é capaz. Escravizada e trazida ainda criança da África ao Brasil, sofreu as mais diversas formas de violência, especialmente depois de ter engravidado de Henrique, o filho do dono da fazenda onde trabalhava. Mesmo sendo resultado de uma relação de amor, estar grávida de um de seus senhores era uma afronta aos homens da casa-grande, por isso Malikah foi duramente castigada e quase morta. Malikah e seu bebê, Hasan, só conseguiram escapar com a ajuda de Cécile e Fernão, que lhes deram abrigo na Quinta Dona Regina, um lugar novo onde todos, brancos e negros, poderiam viver em liberdade. Porém, mesmo com a relutância de Malikah, Henrique continua por perto, arrependido por não ter protegido sua amada e tentando se aproximar de Hasan. Mas como um homem que foi ensinado a cometer tantas atrocidades poderá dar a uma criança o amor incondicional? Apesar de Malikah ainda sentir algo por ele, é possível perdoar alguém que representa para ela tantos anos de injustiça e sofrimento?

Resenha


Eu já amava os livros da Marina, mas ela se superou ao entrar nos romances históricos. Me apaixonei  por O Amor nos Tempos do Ouro e não foi diferente com A História de Malikah.

Nesse romance a protagonista é a ex-escrava Malikah e, embora seja uma história independente, se passa cronologicamente após o primeiro livro. Aqui Malikah vive com seu filho Hasan na Quinta Dona Regina, terras de Fernão, sua esposa Cécile e da filhinha Bárbara, para onde todos foram após fugir da Fazenda Real, terra do abominável Euclides de Andrade. Mas tem outra pessoa que vive nessas terras e de quem Malikah quer distância: Henrique.

Malikah foi trazida da África quando ainda era criança junto com a família, mas apenas ela e a mãe chegaram com vida ao navio que as trariam ao Brasil. Por um milagre conseguiram ficam juntas, na mesma fazenda, mas enquanto sua mãe foi levada para a casa-grande (para onde as escravas mais bonitas eram levadas) a criança foi relegada aos cuidados dos demais escravos da senzala.

Desde cedo Malikah conheceu a crueldade humana, mas também descobriu que o carinho e a amizade poderiam vir de diversos lugares, inclusive de um garotinho loiro e de olhos azuis, ninguém menos que o filho do patrão.

Henrique também cresceu sendo alvo da crueldade do pai, mas a presença da mãe, dona Inês, fez uma grande diferença na vida dele. Ela inclusive incentivava a amizade do filho com Malikah, mas alertando do perigo que seria para ambos caso Euclides desconfiasse de tal aproximação.
— Não é sempre, mas vez ou outra eu esbarro nela pelos arredores da fazenda. Nós gostamos de conversar, contar histórias. — O menino franziu o cenho. — Malikah ficará encrencada se for pega, certo?
— Teu pai não haverá de gostar mesmo. É contrário a qualquer regalia oferecida aos escravos. — Inês fez um barulho desdenhoso com a boca. — E ainda acredita que irá para o céu. — Essa observação ela proferiu entredentes. — Contudo, meu anjo, se ser amigo de Malikah te faz bem, e a ela também, claro, quem disse que ele precisa ter conhecimento dessa situação, concorda?
— Iremos mentir para ele, mamãe?
— Omitiremos, querido, para teu bem e o bem da menina.
P. 61
Entretanto, Euclides tomou sim conhecimento dessa amizade, que só cresceu ao longo dos anos e fez de tudo para separar o filho da escrava e sem a interferência das mães das crianças foi ainda mais fácil. Mas a cada retorno de Henrique eles se aproximavam ainda mais. Não que isso impedisse Euclides de envenenar a fraca personalidade de Henrique contra Malikah. Tanto que, ao descobrir a gravidez dela, duvidou da paternidade da criança.

Alternando os capítulos entre passado e presente conseguimos entender porque Malikah não quer que Henrique se aproxime dela e de Hasan. A confiança conquistada durante muitos anos foi quebrada quando ela mais precisou dele, mas Henrique mudou muito nesses dois anos que tem vivido na Quinta. A verdade é que ele voltou a ser quem era quando jovem, com uma influência maior da mãe do que do pai.
— Mas hoje ela teria orgulho de mim. Bom, penso eu que sim. Gosto de acreditar nisso. — Ele diminuiu o tom de voz. — Não sou como meu pai, Malikah. Tenho me esforçado ao máximo para me parecer com o meu irmão. Então, acho mesmo que minha mãe sentiria orgulho de mim.
P. 86
A história narrada pela Marina mostra o quanto era difícil a vida no século XVIII: escravocratas, bandeirantes, africanos, indígenas tentando viver no mesmo lugar, uns com mais "armas" do que os outros. Alguns não sendo sequer considerados humanos aos olhos de outros. Marina aproveita o romance para trazer à tona questões tão antigas e infelizmente ainda presentes na nossa sociedade, afinal, engana-se quem acredita que não existe preconceito, mesmo em um país tão miscigenado.
— (...) tu agiste com o coração, como Jesus nos ensinou, ao vencer as barreiras do preconceito. Todos os seres humanos são iguais aos olhos de Deus. Imbecis são aqueles que creem no contrário. — Padre Manuel Rodrigues reduziu o tom de voz. — Inclusive a maioria dos clérigos, infelizmente. Rezemos para ter um coração que sempre abrace a todos, sem distinção. Afinal, Deus há de julgar-nos conforme tratamos nossos semelhantes.
P. 323
Uma leitura incrível, personagens fortes em busca de seus caminhos, com erros e acertos ao longo da história. Marina me deixou sedenta de uma nova história, que espero que seja logo publicada.

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Comentários
5
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5 comentários:

  1. Sabia do lançamento do livro, mas não havia percebido que é da mesma autora de "Simplesmente Ana"(há tempos que quero lê-lo!). E, agora, "A História de Malikah" também vai para a minha lista. Achei muito interessante ela explorar esse lado escravista da história e, ainda por cima, misturar com romance! Sei que vou adorar esse livro!

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  2. Oi Lay

    N conhecia a autora e n tinha lido nada sobre o livro mas achei interessante!!!

    Bjoooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  3. Lay!
    Acho bem bacana quando uma autora consegue se superar com uma história que continua a saga de livros anteriores.
    Marina escreve bem e trazendo a história da chegada de Malikah como escrava e por tudo que passou, deve ser uma ótima continuação.
    Maravilhosa semana!
    “Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente. A maioria das pessoas nunca ouve. “(Ernest Hemingway)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MAIO BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  4. Olá Lay!
    Que livro lindo e bem doloroso, apesar de contar uma historia que realmente acontece em épocas passas e bem difícil conta né. O livro tem uma premissa muito boa e com uma historia emocionante, espero conhecer a historia desse livro!

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  5. Já vi várias resenhas positivas sobre a autora, mas ainda não tive oportunidade de ler nenhum deles.
    Gosto bastante de romance de época e achei a história super emocionante, ainda mais trazendo a história de uma escrava.

    beijjinhos
    She is a Bookaholic

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