8 de jun de 2018


[Resenha] Nada Escapa a Lady Whistledown - Julia Quinn, Mia Ryan, Karen Hawkins e Suzanne Enoch

Ficha Técnica 

Título: Nada Escapa a Lady Whistledown
Título Original: The Further Observations of Lady Whistledown
Autor: Julia Quinn, Mia Ryan, Karen Hawkins e Suzanne Enoch
ISBN: 978-85-8041-826-2
Páginas: 320
Ano: 2018
Tradutor: Ana Beatriz Rodrigues
Editora: Arqueiro
Em Nada Escapa a Lady Whistledown, a cronista eternizada por Julia Quinn continua a revelar os acontecimentos mais apimentados da temporada londrina. Suas colunas são o fio condutor das quatro histórias que formam esta encantadora e divertida coletânea. Há tanto a ser dito sobre o baile oferecido por lady Trowbridge, em Hampstead, que esta autora não teria como contar tudo em só uma coluna... Crônicas da sociedade de lady Whistledown, maio de 1813. Julia Quinn encanta... A alta sociedade está em polvorosa, afinal a debutante mais promissora da temporada foi rejeitada por seu pretendente... apenas para ser conquistada em seguida pelo charmoso irmão mais velho do canalha que não a quis. Suzanne Enoch fascina...Um futuro noivo fica sabendo que o comportamento escandaloso de sua bela prometida foi parar na coluna de lady Whistledown e volta correndo para Londres com o intuito de ganhar o coração da moça de uma vez por todas. Karen Hawkins seduz...Um conhecido libertino tem sua amizade mais antiga e seu coração postos à prova quando uma adorável dama se encanta por outro cavalheiro. Mia Ryan delicia... Uma jovem é despejada da própria casa por um detestável – embora charmoso – marquês que pretende tomar posse não apenas do imóvel, mas também de sua antiga moradora.

Resenha


Lady Whistledown está de volta em Nada Escapa a Lady Whistledown. Dessa vez, Suzanne Enoch, Karen Hawkins, Mia Ryan e Julia Quinn nos levam em contos ainda mais divertidos da sociedade londrina em um período não tão comum, o mês de janeiro de 1814. Enquanto os membros da sociedade deveriam estar em suas residências de campo, o rio Tâmisa congelou, fato que levou muitas famílias a voltarem para uma temporada de inverno em Londres.

Para iniciar, em Um Amor Verdadeiro, Suzanne nos apresenta lady Anne Bishop e lorde Halfurst, prometidos em casamento desde a infância. Com poucos meses de vida, Anne foi prometida em casamento a Maximilian Trent, mas desde então eles nunca se viram, conversaram ou sequer trocaram cartas, o que deixa Anne completamente indignada, afinal, desde que Max assumiu o título de marquês de Halfurst, ele se mudou com a mãe para Halfurst, na longínqua Yorkshire, onde está recluso há oito anos. Entretanto, ler em Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown que a dama que deveria se casar com ele (quem ele espera que venha até Halfurst para que isso aconteça) está fazendo anjinhos na neve com sir Royce Pemberley, fez com que uma viagem a Londres fosse urgente.

Assim que herdou o título, houve o rumor de que a família Trent estava falida e com a reclusão, nada foi desmentido. A sociedade acredita nisso e que o atual marquês está pobre e criando ovelhas no interior, mas Max não se importa com a opinião dos outros. O que passará a importar é a opinião de Anne, que acabou de descobrir essa parte do boato (e portanto acredita que o motivo do casamento é apenas financeiro), além de que não tem o menor interesse em se mudar de Londres. Viver no interior não é uma opção. Ambos descobrirão que, a imagem que têm um do outro é completamente equivocada.
- Então quer dizer que passei no teste! - exclamou, limpando as mãos e calçando as lucas. - Mas o senhor não passou no meu. E infelizmente não conseguirá passar. Não enquanto Halfurst estiver em Yorkshire.
P. 36
Na história seguinte, Dois Corações, Karen Hawkins apresenta a Srta. Elizabeth Pritchard, uma mulher de trinta e um anos, solteira e conhecida na sociedade por sua excentricidade. Liza ficou órfã aos três anos e foi criada por uma tia até ser apresentada na sociedade, quando perdeu também esse ente querido. Aos vinte e cinco anos, já uma solteirona aos olhos da sociedade, dispensou a parente afastada que mantinha em sua casa e assumiu de vez o controle de sua vida e de sua fortuna.

Embora não tenha uma família próxima, Liza pode contar com a amizade de sua grande amiga lady Margaret Shelbourne e do irmão dela, sir Royce Pemberley. Essa amizade, que já existe há vinte e um anos é o motivo de Liza ser a melhor amiga e confidente de Royce, alguém que lhe aconselha sem julgar. Entretanto, enquanto Royce, com trinta e nove anos, não pensa em se casar em um futuro próximo, Liza (depois de seu último aniversário) percebeu a falta que sente de ter uma família apenas sua, de alguém que a ame de verdade, o que a levou a aceitar a corte de lorde Durham.

Enquanto Meg se preocupa com a possibilidade de Durham ser um caça-dotes, Royce se desespera só de imaginar como será sua vida sem sua amiga por perto, que, caso aceite se casar, viverá no campo, bem longe de Londres. E o desespero só aumenta na medida que passa a enxergar coisas que estavam bem a sua frente todos esses anos.
Liza deixara de ser uma amiga querida, protegida, para se transformar em uma mulher desafiadora ao extremo. Uma mulher que, para sua profunda consternação, ele desejava com todas as suas forças. Desejava-a tanto que chegava a doer.
Mas que inferno, eu quero Liza. Uma forte onda de desejo o invadiu e ele teve que se forçar a respirar. Desejava Liza, sua melhor amiga, a única mulher que sabia realmente quem ele era. A ideia era assombrosa. Perturbadora. E absolutamente impossível. Que diabo deveria fazer agora?
P. 128
Seguindo, Mia Ryan traz em Uma Dúzia de Beijos lady Caroline Starling, uma jovem que, após a morte do pai, passou a viver sozinha com a mãe em Ivy Park até que o novo marquês de Darington, um primo afastado que ela não conhecia, assumiu o título e deu um ultimado por carta para que elas deixassem a residência em até dois dias. Desde então, três anos se passaram e Linney e a mãe vivem em outra residência e não têm nenhum contato com o atual marquês (e nem ninguém), até que ele retorna a Londres nesta curta temporada de inverno.

Linney é uma jovem muito reclusa e considera-se apagada em relação aos seus pais. Assim, ela volta sua atenção aos seus gatos (parênteses aqui porque eu adorei os nomes dos gatos dela: Duquesa, Lorde Libertino e Srta. Cuspidela). Sem forças para ir contra o que a mãe quer, aos vinte e cinco anos, ela está quase noiva do conde de Pellering, um homem que tem certeza que não a fará feliz. Mas, conhecer Terrance Greyson, o atual marquês de Darington, lhe trará novas perspectivas.
- Linney, lorde Pellering é mais do que você merece. Você vai sair desta cama imediatamente e aceitar o pedido dele.
P. 219
Terrance sofreu um acidente no campo de batalha na França e ficou com uma bala alojada na cabeça. Mesmo saindo bem do hospital, os médicos disseram que era praticamente certo que por conta da bala sua inteligência seria afetada e também poderia nunca mais falar. Só quem sabe disso é ele e seu amigo, Ronald Stuart (que na verdade foi quem deu o ultimato por carta), que, preocupado com a forma que a sociedade o abordaria se soubesse de sua lesão, fez o máximo que pode para deixá-lo afastado de Londres.

A inteligência não foi afetada, entretanto, Terrance tem grande dificuldade de se expressar. Embora saiba o que dizer, tem dificuldade em dizer, o que fez com que lhe atribuíssem a fama de esnobe. Mesmo assim, Linney terá vislumbres de quem ele realmente é, e a relação entre os dois é incrível, porque um passa a enxergar o outro como são de verdade e não o que acham deles.

Para finalizar, Julia nos traz em Trinta e Seis Cartões de Amor a Srta. Susannah Ballister, uma jovem que após receber a corte do Sr. Clive Mann-Formsby, estava certa do pedido de casamento na última temporada, mas ele surpreendeu a todos ao anunciar o noivado com Herriet Snowe. Reclusa na casa de campo, Susannah não imaginava que voltaria tão rápido para Londres, ainda sem ter se recuperado do "escândalo", mas era necessário. O que ela esperava menos ainda era que o conde de Renminster, irmão mais velho de Clive, lhe dirigisse a palavra depois de tal situação.

Desde que assumiu o título, David se preocupa com sua família em primeiro lugar, mas mesmo antes disso sua vida sempre girou em torno de evitar possíveis catástrofes por conta do comportamento de Clive, mas ao encontrar Susannah em um baile sentindo-se deslocada por conta dos últimos acontecimentos o impeliu a tirá-la para dançar. O que causou um efeito fantástico, afinal, até esse momento, ninguém havia lhe convidado e depois da dança e de sua partida, ela dançou até o momento de sua partida com os pais e a irmã.

Susannah está abalada com a forma que sua vida mudou desde que Clive se casou e isso a levará a desconfiar da aproximação de David, que passa a gostar cada vez mais da companhia dela, até que pensa em cortejá-la, mesmo sem a certeza de que ela não sente mais nada por seu irmão.
Ele a visualizou no banco de neve, naquele exato momento em que tivera a constatação mais impressionante e emocionante de sua vida. Havia decidido cortejá-la por considerar que daria uma excelente condessa, é verdade. Porém, naquele momento, ao ver seu adorável rosto e ter que se esforçar ao máximo para não beijá-la bem ali, na frente de todos, havia percebido que ela seria mais do que uma excelente condessa.
Seria uma esposa maravilhosa.
Seu coração deu saltos de alegria. E de medo.
P. 296
Enquanto Susannah precisará aprender a confiar novamente, David passará a pensar também em sua felicidade e não apenas no futuro de seu título e de sua família e o que seu coração diz é que Susannah é a mulher certa para esse futuro.

Nos quatro contos os personagens se misturam, afinal, todos estão na mesma cidade e na mesma época, frequentando os mesmo eventos, então, nos dá a possibilidade de ver a história por outro ângulo.

Mais uma vez adorei as histórias criadas e, por serem curtas, a gente termina o livro que nem percebe. Lady Whistledown com seus comentários inteligentes e sarcásticos mais uma vez me fez rir e imaginar as fofocas dessa época.

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Comentários
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5 comentários:

  1. Lay!
    Super resenha, hein? Mostra que gostou mesmo.
    Não tem como não gostar dos livros da Julia.
    Bom ver que ela trouxe uma personagem de outro livro e contou histórias que ela estava envolvida.
    Claro que quero poder ler.
    Uma semana cheia de luz e paz!
    “Sou uma pessoa insegura, indecisa, sem rumo na vida, sem leme para me guiar: na verdade não sei o que fazer comigo.” (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JUNHO - 5 GANHADORES
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  2. Olá!
    Que resenha incrível!
    Amei o livro, já quero ler ele já! A trama é muito envolvente, aquele romance de época que te envolve completamente né.. Eu fiquei bem curiosa com esse amor do livro.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  3. Que interessante parece ser o livro, deu pra perceber mesmo que você gostou muito do livro e que te envolveu bastante.
    Eu particularmente adoro romances de época, e todas essas histórias de amor, ciúme, fofocas..... me deixam muito empolgada para ler!

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  4. Acho muito legal esse tipo de livro que contam várias histórias dentro dele e que se passam em um mesmo local, época, território sabe....
    Ainda não tive a oportunidade de ler, mas espero poder fazer isso em breve e conhecer cada uma dessas histórias de época :)

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  5. Que resenha maravilhosa. Sou fã de Julia Quinn, com essa reunião de escritoras, esse livro deve estar bem melhor. Com certeza esse é um livro que vou ter a prioridade em ler.

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