19 de jun de 2018


[Resenha] O Homem de Giz - C. J. Tudor

Ficha Técnica 

Título: O Homem de Giz
Título Original: The Chalk Man
Autor: C. J. Tudor
ISBN: 978-85-510-0293-3
Páginas: 271
Ano: 2018
Tradutor: Alexandre Raposo
Editora: Intrínseca
Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes. Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás. Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.
que ninguém viu, mas que já começou. O motivo? O poder de não ser esquecido.

Resenha



É o ano de 1986. Na pequena cidade de Anderbury não há muito o que fazer, logo, Eddie, um garotinho de 12 anos de idade, aproveita qualquer possibilidade para sair da rotina em companhia de seus melhores amigos.

Um parque de diversões está na região, e é lá que os tenebrosos eventos começam a ocorrer. Depois deste dia, nada será como antes na vida de Eddie, e mesmo que o desenrolar inicial seja mero acaso, um grave acidente em um dos brinquedos, será somente o primeiro de muitos eventos a derramar sangue na cidadezinha. 

Eddie sempre soube que ele e seus amigos, Gav Gordo, Micky Metal, Hoppo e Nicky, não se encaixavam com o restante dos jovens do povoado, sendo o alvo preferido dos valentões dentro e fora da escola. Logo, eles preferiam ficar indo para cima e para baixo em suas bicicletas pelas desertas estradas ou desbravando os bosques ao redores da cidade. Porém, certo dia em uma dessas aventuras, Eddie e sua turma acabam encontrando um corpo desmembrado no meio da floresta.

Trinta anos se passam, e a descoberta desse corpo ainda assombra aqueles que o encontraram. O que em 1986 era uma mera brincadeira, em 2016 se torna um verdadeiro filme de terror. Quando crianças, Eddie e seus companheiros utilizavam de giz para se comunicarem em códigos, mas como o assassinato nunca foi solucionado, parece que alguém está buscando justiça, e acredita fielmente que as então crianças, possuem relação direta com a morte da jovem. E é assim, que todos os cinco amigos recebem uma estranha mensagem: um papel com o desenho de um bonequinho feito de giz… com uma corda enforcando seu pescoço.

Foi desenhado com lápis de cera, o que está errado. Talvez seja por isso que, como lembrete adicional, o remetente acrescentou outra coisa ali dentro. Viro o envelope e o objeto cai na mesa em uma pequena nuvem de poeira. Um único pedaço de giz branco.
P. 48

“O Homem de Giz” é inteligente, ágil, nostálgico e imprevisível. Com uma narrativa sagaz e dinâmica, a autora C. J. Tudor consegue criar uma obra que alterna entre passado e presente de uma forma que prende o leitor, além de sempre estar adicionando a cada capítulo um ingrediente importante, tanto para a conclusão do mistério como para o desenvolvimento das personagens e das inter-relações destas.

O artifício de utilizar de bonequinhos de giz para atormentar as personagens é de uma simplicidade, mas que ao mesmo tempo se mostra eficaz e assustador. Querendo ou não, essa feliz sacada da autora não se distancia do clássico terror psicológico, que utiliza de barulhos de vento, ranger de portas e sombras na janela para alcançar seu objetivo.

Eu poderia ter deixado o desenho ali. Talvez devesse ter deixado. Em vez disso, peguei uma bacia embaixo da pia e a enchi de água. Afoguei o homem de giz em água fria e restos de espuma de sabão.
Tentei me convencer de que algum dos outros tinha desenhado aquilo. Talvez Gav Gordo ou Hoppo. Uma espécie de piada de mau gosto.
P. 98

Provavelmente, a maior qualidade de “O Homem de Giz” se deve a sua excelente construção. A autora conhece de fato a sua história: sabe muito bem o passado de suas personagens, quem elas são e onde se encontram no presente. Isso possibilita um jogo entre as linhas temporais, conectando cada pequeno detalhe, que surpreendentemente começa na primeira página do livro, ainda no prólogo. Ficar atento é indispensável nesta leitura, caso você queira solucionar toda a teia de aranha que é essa história.

Além da bela composição criativa por parte da autora, preciso elogiar a edição do livro. Impresso em um papel com laterais pretas e confeccionado em capa dura, a Intrínseca entrega ao leitor um exemplar digno de uma edição de luxo, deixando bem claro que este é sem dúvidas, uma das maiores apostas da editora neste ano.

Talvez seja hora de dar um passeio na boa e velha estrada da memória. Só que não será um passeio por um caminho ensolarado de lembranças queridas. Essa rota específica é escura, um emaranhado de mentiras, segredos e buracos ocultos.
E ao longo do caminho há homens de giz.
P. 160

Com ares oitentistas, bebendo da fonte de grandes clássicos do suspense e terror de tal época, “O Homem de Giz” consegue ser singular, saudosista e contemporâneo ao mesmo tempo, criando personagens ricas e um desenrolar complexo, mas sem deixar nenhum ponto com a sua devida explicação. Mais do que indicado, seja por sua beleza exterior, seja por sua qualidade literária indiscutível. Sendo este o primeiro romance da autora, já fiquemos atentos aos próximos passos de uma provável ótima carreira de C. J. Tudor.
Comentários
4
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4 comentários:

  1. Tácio!
    Livro de suspense, mesmo que não seja excepcional, sempre traz uma boa leitura, ainda mais quando a autora intercala lembranças do passado com o presente, gosto muito disso, porque vamos encaixando as peças aos poucos.
    “Nunca sei se quero descansar porque estou realmente cansada, ou se quero descansar para desistir. “ (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JUNHO - 5 GANHADORES
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  2. Olá!
    Já tinha ouvido fala desse livro, mas não procurei ver a trama dele. Gostei em ler a resenha, tem uma premissa muito boa e a historia me deixou bem entretenida e com curiosidade em saber o final..

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  3. Já senti o suspense que é esse livro só pela resenha!
    Eu gosto muito de livros que tenham mistérios que vão sendo desvendados ao longo dele. Eles sempre acabam me prendendo. Fiquei bem animada para ler esse.

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  4. Fiquei muito curiosa aogra para saber desses bonequinhos de giz. Eu amo tanto séries e filmes quanto livros que envolvem o psicológico, pricipalmente quando envolvem mistérios. Primeira vez que ouço falar dele e já quero na minha estante *-*

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