27 de jul de 2018


[Resenha] A Estrangeira - Chirlei Wandekoken

Ficha Técnica 

Título: A Estrangeira
Autor: Chirlei Wandekoken
ISBN: 978-85-66549-39-3
Páginas: 340
Ano: 2017
Editora: Pedrazul
Na primeira metade do século XIX, Eliza se viu sozinha em uma terra tomada por facções rivais. Sem meios, à mercê de abusos, ela aceita se casar sem amor com um aristocrata e capitão do exército da Prússia, Joseph Dahmann. Porém, no dia do casamento, Joseph foi tirado do altar por soldados da facção austríaca, liderada pelo seu próprio irmão, o coronel Heinz Dahmann. Forçada pelo cunhado a viver em um cativeiro, assediada dia e noite, ela foge para a Inglaterra à procura de seus parentes. Mas, quando chega à Inglaterra, nada era como ela esperava. Não havia tia, nem tio e nem primos à sua espera. Somente uma velha cabana vazia na qual ela tiritava de frio. Em Londres, o nono conde de Northumberland, ou conde Hotspur como era conhecido, é chamado de volta a Alnwick Castle, no extremo norte da Inglaterra, pois o escudeiro de seu falecido pai havia morrido, e na cabana do velho rendeiro, uma estrangeira havia chegado.

Resenha


A Estrangeira é minha primeira experiência com a escrita da Chirlei Wandekoken, que tive o prazer de conhecer na Bienal do Rio 2017. Ao contrário do que pode parecer a princípio, A Estrangeira não é um romance de época e sim um romance histórico, isso porque tem como característica um aprofundamento maior na ambientação histórica e com a presença de muitos fatos históricos reais.

A Estrangeira nos apresenta duas histórias de amor separadas por mais de quatrocentos anos, mas que se entrelaçam quando a gente menos espera.

Eliza Schumacher é filha de pais ingleses, mas sempre viveu em Leipzig, pequeno vilarejo na Prússia. Embora a vida lá sempre tenha sido muito regrada, após a morte do pai as coisas ficaram ainda mais difíceis para ela, a mãe e a ama que tinha vindo da Inglaterra com eles. Com a doença da mãe e em seguida sua morte, ela aceitou se casar com um ex-aluno de seu pai e capitão do exército prussiano, Joseph Dahmann. As coisas se complicaram quando viu o interesse de seu cunhado crescer, aliado ao desaparecimento repentino de seu noivo e seu consequente cativeiro.

Com muito custo Eliza conseguiu fugir da Prússia e chegar na Inglaterra, na casa de seus tios, no distante condado de Northumberland, que quase faz fronteira com a Escócia. Entretanto, quando chega lá ela começa a descobrir que sua vida foi construída em cima de muitos segredos, que passará a descobrir agora que chegou à terra de seus pais.
Foi quando lorde Hotspur a viu atravessando a rua. Ela e o cão. Os cabelos mal trançados, desgrenhados, caíam sobre os ombros e eram jogados no rosto pelo vento. Ela sacudia para tirá-los de sua visão. Trazia uma cesta na mão, uma simplicidade desconcertante, coloridamente intrigante, diferente de tudo que ele já vira.
P. 11
Edward Percy Northumberland é nono conde de Northumberland e também conhecido como lorde Hotspur, assim como seu ancestral Henry Percy Northumberland, o segundo conde de Northumberland. Essa fama de libertino e impetuoso vem de muito tempo e, em sua viagem para a Inglaterra, Eliza foi alertada para ter muito cuidado, uma vez que iria morar em suas terras.

Com a recente morte da mãe, Edward saiu de Alnwick Castle e foi passar uma temporada em Londres, mas mal teve tempo de descansar, pois logo seu administrador lhe enviou uma carta informando da morte de John Baker, ex-escudeiro de seu pai, e da chegada de uma sobrinha dele, que precisaria de sua proteção.

É tradição que os Northumberland casem-se com os primos Neville e por isso Edward e Harriet Neville estão prometidos em casamento desde crianças, mas Edward nunca oficializou a proposta, mesmo tendo sido criados como irmãos e sabendo que deverá cumprir a tradição da família. Se tem outra tradição, também esdrúxula é o ódio mortal entre as família Northumberland e Douglas, ambas do norte, pois os Douglas são escoceses.

Para quem o conhece, sabe que ele dificilmente se casará com a prima e a chegada da 'estrangeira' agravará ainda mais essa situação, pois a atração que sentirá por Eliza o deixará desconcertado. Assim como Eliza, que precisará aprender a lidar com o que tem sentido pelo conde, que não deve sequer sonhar com isso.
Há segredos nunca revelados; há emoções cuja alegria é irrefutável. Há vidas que, se separadas, são desafortunadas; se, por ironia, se juntam, são benditas, florescem como jacintos na primavera.
P. 330
Sendo o primeiro livro da série O Quarteto do Norte, A Estrangeira traz muitas informações sobre as famílias, sobre os personagens, como que para embasar mesmo a história, o que a princípio me deixou um pouco confusa, com os nomes muito parecidos, personagens das mesmas famílias, mas separadas por quatro séculos além do fato da semelhança na história entre os personagens, repetindo os mesmo erros de seus ancestrais.

Na mesma proporção em que Eliza é uma personagem forte e corajosa, que enfrentou muita coisa para sobreviver, outros personagens secundários mostram a mesma característica: a ama, a duquesa de Prudhoe e sem esquecer a mãe e a tia de Eliza. Do outro lado, a teimosia de Edward me fez ficar com raiva dele muitas vezes, ainda que fosse em busca da verdade, da revelação dos muitos segredos de sua família e de Eliza, ele deixa que o ódio inexplicável entre famílias lhe cegue diversas vezes.

Eu me surpreendia a cada nova descoberta e, quando eu achava que já estava entendendo uma parte, juntando as peças do quebra-cabeça, vinha uma nova informação que derrubava minha teoria, tanto que a Chirlei me deu uma rasteira até na última página do epílogo, quando achamos que não teremos mais reviravoltas.

Adorei a história e fiquei curiosa para conhecer os outros três livros da série, que já foram publicados e têm versão física e e-book. Se seguirem a mesma premissa do primeiro, são repletos de segredos, mistérios, reviravoltas, revelações bombásticas. Já quero lê-los ;)

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Comentários
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5 comentários:

  1. Lay!
    Gostei muito de ver que é um romance histórico e que traz dois romances que se entrelaçam após alguns séculos e ainda tem a descrição dos lugares e os detalhes sobre as personagens que devem trazem um mistério como todo enredo se desenlaça, bacana.
    Bom final de semana!
    “O prazer dos grandes homens consiste em poder tornar os outros felizes..” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Não conhecia a série mas achei bem legal a trama.
    Gosto muito de romance histórico, e ainda mais quando tem uma dose mistério.
    Adorei a dica.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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  4. Parece um belo e cativante romance de época. Gosto bastante de personagens fortes e é bom saber que até mesmo os secundários não foram esquecidos e têm uma história. Espero conhecer essa série e seus mistérios! <3

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  5. Olá!
    Gostei do romance, tem uma historia muito linda e os personagens são bastante forte. Adorei também como são retratados os ligares e a trama..Tem uma ótima premissa, espero poder ler!

    Meu blog:
    Tempos Literários

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