11 de set de 2018


[Resenha] Leve-me Com Você - Catherine Ryan Hyde

Ficha Técnica 

Título: Leve-me Com Você
Título Original: Take Me With You
Autor: Catherine Ryan Hyde
ISBN: 978-85-9454-042-3
Páginas: 335
Ano: 2018
Tradutor: Débora Isidoro
Editora: Darkside Books
August Shroeder é um professor de ciências. Todos os anos, seu destino nas férias de verão é o mesmo: a estrada. Em seu trailer, ele percorre quilômetros e mais quilômetros nas rodovias para visitar os belíssimos parques e reservas naturais. Quando o trailer quebra, August busca conserto na oficina mais próxima. Mas, além do motor home pronto para seguir viagem, ele sai de lá com dois garotos a tiracolo — seus novos companheiros nessa road trip — e a chance de repaginar uma viagem que tinha tudo para ser melancólica e permeada por lembranças doloridas. É com a sensibilidade e o encanto que se tornou marca registrada dos livros da linha DarkLove que Catherine Ryan Hyde fala sobre honestidade, luto, perdas, conquistas e transformações, desatando nós nos corações dos leitores e curando feridas que ninguém imaginava ter. Com sua voz poderosa, que já emocionou milhares de leitores pelo mundo, traz à tona uma discussão sobre a imprevisibilidade da vida e como família nem sempre significa dividir o mesmo sangue.

Resenha

Emocionante e extremamente delicado, “Leve-me com Você” é uma força da natureza, seja por ser tão bem escrito que sua história consegue sair dos limites das páginas, ou seja simplesmente pelo excesso carismático das personagens que a todo momento bombardeiam o leitor com os mais diversos dos sentimentos.

A leitura é leve, gostosa, despretensiosa e bastante afável, provando ser uma daquelas ocasiões onde não lemos com os olhos, e sim com o coração. Tal frase pode até soar meio brega, porém, eu não tenho recordação de ter lido alguma vez em minha vida um livro com tanto poder emocional, sendo literalmente uma real personificação da frase “uma montanha russa de sentimentos”. “Mas do que exatamente se trata essa história?”, você deve estar se perguntando.

Todos os anos durante as férias de verão, o professor de ciências August Shroeder pega o seu trailer e faz uma longa viagem pelos parques nacionais dos Estados Unidos. Inesperadamente, seu meio de transporte dá um problema, e August é forçado a parar em uma pequena vila para procurar uma oficina. Nesta parada, August conhece os filhos do mecânico, Seth e Henry, que por um determinado motivo vão embarcar nessa road trip com ele pelos próximos 3 meses.

Eu me dei o direito de resumir o livro somente a este parágrafo acima. Peço desculpas se você gosta de saber muitos detalhes da narrativa, e sinto muito mesmo se você é do tipo que lê a sinopse do livro antes de ler a resenha, e foi por esse motivo que exclui metade das informações contidas nela. Na minha opinião, a sinopse diz mais do que precisa dizer, e entrega muitos detalhes que são mais interessantes se descobertos somente no processo de leitura.

Os dois fitaram as montanhas em silêncio por mais alguns minutos.
[...]
“Estou tentando pensar em palavras para contar como me sinto com tudo isso.”
“Com as Tetons?”
“Sim, mas não só com elas. Com tudo isso. Tudo… sabe? Esses lugares. A natureza. Eu me sinto diferente. Mas não sei como explicar, não consigo encontrar as palavras.”
“Algumas pessoas dizem que se sentem menores com tudo isso. Como se o mundo, que é tão, tão grande, as fizessem se sentir insignificantes.”
“Não.” Seth não elaborou de imediato. “Maior”, explicou, depois de um tempo.
P. 114

Então, dito isso, no restante desta resenha não irei mais falar sobre a história em si, o que vocês precisam saber dela, já sabem. Daqui em diante irei desenvolver os aspectos subjetivos da leitura, aquilo que não está necessariamente impresso, mas sim o que é absorvido do livro. Mais uma vez, peço desculpas se tal relato foge do que costumo escrever ou do que você busca em uma resenha literária. “Leve-me com Você”, como já disse, é muito delicado para obter algo tão calculadamente estruturado.

Para quem não conhece, Catherine Ryan Hyde é uma consolidada e premiada romancista norte americana. Tendo mais de 50 publicações, entre elas romances, não ficções e contos; curiosamente só encontrei dois livros em português da Hyde na Amazon, sendo um deles “Leve-me com Você”. Nem mesmo um de seus maiores sucessos, “Pay It Forward”, que inspirou o filme “A Corrente do Bem” (2000), foi publicado em terras tupiniquins.

A escrita de Catherine é primorosa, bem detalhada, mas sem ser cansativa. É fácil nos transportamos para a atmosfera desta grande aventura pelos parques que o livro aborda. Os capítulos relativamente curtos também ajudam bastante a fazer com que a leitura flua. Mas, para mim, o ápice da escrita se deve as frases de impacto utilizadas pela autora. Além de serem poéticas e reflexivas, muitas vezes servem como um soco no estômago… e curiosamente, Hyde consegue esse efeito até no que não é dito. Sensacional.

[...]
Filho, nunca peça desculpas por falar o que é verdade, principalmente em uma sala como esta, feita para isso. O que você sente é o que você sente, e, por mais que pense que devia sentir outras coisas, não pode mudar seus sentimentos. Tem coisas na vida que podemos mudar e outras que não.
P. 158/159

Se tratando das personagens, “Leve-me com Você” traz as mais diversas e peculiares características, levando em conta que basicamente temos somente três indivíduos durante maior parte da narrativa. August é a figura adulta, mas que carrega um passado doloroso, fazendo com que seja extremamente paternal e cauteloso. Seth é o pré-adolescente curioso, sonhador, aquele que está aberto a conhecer coisas novas e entender os seus significados, mesmo que eles sejam tristes e difíceis de digerir. Já Henry é a criança pura, temerosa e completamente insegura, mas totalmente atenta a tudo que acontece à sua volta, inclusive as coisas que os adultos acham que ele não consegue compreender.

A edição da Darkside, mais uma vez é impecável e de extremo bom gosto. A arte da capa é rica nos detalhes e traduz bastante da atmosfera da história, sendo a melhor capa deste livro no mundo TODO. E não estou exagerando, pode jogar no Google Imagens, lhe garanto que não vai achar nenhuma versão tão primorosa quanto esta cópia nacional.

[...]
“Talvez culpemos tanto as outras pessoas porque queremos fingir que nunca teria acontecido conosco. Mas poderia acontecer, é claro. Tomamos decisões de vida e morte todos os dias. As chances são favoráveis em quase todas elas. Mas, se alguma coisa dá errado, somos responsáveis. E nunca mais repetimos a mesma decisão.”
P. 165

Podia dizer para quem for ler que separasse uns lenços, mas acho mais interessante que vocês deixem as lágrimas escorrerem mesmo, permitam sentir o livro e suas personagens. Permitam-se perder, permitam-se sentir o luto, crescer e também se reencontrar. “Leve-me com Você” pode ser sobre perdas, mas também sobre achar, independentemente do quer que estejamos procurando. E para fechar, queria dizer que “Leve-me com Você” foi sem dúvidas até então a minha melhor leitura do ano, e que ele se encontra agora no pódio junto com “O Último Adeus”, como os dois melhores livros da DarkLove.

P.S.: Seth e Henry irão roubar seus corações. Estejam avisados.
Comentários
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4 comentários:

  1. Em primeiro lugar é preciso sempre falar das capas e do capricho da DarkSide! É minha Editora favorita..rs
    Não conhecia este livro ainda e sabe o que mais aprecio em uma resenha? É quando ela consegue fazer o leitor desejar o livro e já ir abrindo uma página(Skoob) e jogar o livro lá.
    E foi isso que já fiz!
    Sou fã de histórias assim, leves, despretensiosas,mas que no fundo, escondem muito mais do que se é permitido ver ou ler!
    Já quero e muito conferir.
    Beijo

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  2. Que belo comentário, obrigado <3
    Espero que leia o livro, e ame-o como eu o amei.
    Grand beijo

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  3. Olá Tácio!
    Eu amo as edições da Dark, eles arrasam e se superam cada vez mais...
    Eu estou louca pra ler esse livro, tenho lido mto sobre ele e me parece ser uma leitura que vale a pena...
    Espero ler em breve.
    Bjs!

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  4. Hey

    Amei a capa como sempre a Darkside fazendo um trabalho maravilhoso, fiquei realmente curiosa, não só fã de livros muito detalhados mas que bom que esse não se torna cansativo.

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