4 de dez de 2018


[Resenha] Vox - Christina Dalcher

Ficha Técnica 

Título: Vox
Título Original: Vox
Autor: Christina Dalcher
ISBN: 978-85-8041-889-7
Páginas: 320
Ano: 2018
Tradutor: Alves Calado
Editora: Arqueiro
Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina. O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR #100PALAVRAS O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade. Esse é só o começo... Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir. ...mas não é o fim. Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

Resenha


Inquietante. Com essa palavra posso iniciar a resenha desse livro. Quando Vox foi apresentado no evento dos parceiros, na Bienal, fiquei impressionada com a premissa dele: as mulheres têm uma cota diárias de cem palavras 😱. Sim! Conseguem imaginar isso?

Há um ano o governo dos Estados Unidos mudou drasticamente sua política, voltando a aplicar regras retrógradas. Há um anos as mulheres foram proibidas de trabalhar, de vestir-se de maneira provocante, de estudar as mesmas disciplinas que os homens e, o principal, elas perderam a voz.

Guiados na narrativa pela Dra. Jean McClellan, protagonista dessa história,  vamos descobrir que essa mudança não foi tão repentina assim. Enquanto estudava neurolinguística, sua colega de quarto, Jackie, lutava bravamente em diversas passeatas lutando pela representatividade feminina e das minorias. Para Jean tudo era muito extremista por parte de sua colega, era impossível acreditar que tudo o que ela dizia um dia poderia se tornar realidade. Por isso ela sempre dizia: qual a necessidade de ir nessas passeatas? Qual a razão para deixar seus estudos de lado para ir votar? Para quê me preocupar com o Congresso, com seus integrantes e o que estão discutindo nas sessões?
A pior parte de tudo era que Jackie estava errada. Nós não diminuímos de 20% para 5% de mulheres no Congresso. Nos quinze anos seguintes, fomos reduzidas a praticamente zero.
Nessa última eleição chegamos até mesmo àquele objetivo impensável, e a previsão de Jackie de voltar ao início dos anos noventa parecia sólida - se a pessoa estivesse se referindo ao início da década de 1890.
P. 23
Quinze anos de perguntas desse gênero e com as mesmas respostas de Jean e de tantas outras pessoas levou à ascensão do Movimento Puro. O presidente Sam Myers e o reverendo Carl Corbin levam a população com mão de ferro. Assim, desde a eleição dele as mulheres deixaram de trabalhar e, consequentemente, Jean e sua equipe deixaram sua pesquisa sobre afasia de Wernicke, seu e-mail e linha telefônica foram cancelados, seu passaporte não foi renovado - sua filha caçula nem chegou a conseguir um, a conta bancária também foi cancelada, os livros foram confiscados, internet bloqueada, a TV só transmite os programas permitidos, não há mais shows, peças teatrais e filmes que não sejam previamente autorizados pelo governo. Câmeras foram instaladas nas residências e todas as mulheres, independente da idade, receberam contadores que devem usar nos pulsos, contando suas cem palavras diárias.

Jean é casada com Patrick, médico, que agora trabalha no governo. Juntos eles têm quatro filhos: Steven, os gêmeos Sam e Leo e a caçula, Sonia. Além de todas as outras mudanças, as escolas também tiveram suas alterações: foram separadas por gênero e as meninas deixaram de aprender as mesmas disciplinas, focando apenas no crucial para suas atividades domésticas, além de costura, culinária e afins. Com poucas palavras disponíveis, Jean percebe o quanto Sonia tem falado cada vez menos, como seu primogênito está cada vez mais envolvido pelo Movimento Puro e como ela e o marido têm se distanciado cada vez mais um do outro.
— Vou dizer como mereci o broche. Fui recrutado. Eles precisavam de voluntários da escola dos garotos para fazer rondas nas escolas das meninas e explicar umas coisas. Eu aceitei. E nos últimos três dias estive em campo demonstrando como os braceletes funcionam. Olha. — Ele levanta uma das mangas e mostra a marca de queimaduras no pulso. — A gente vai em duplas e se reveza. Assim, todas as garotas, como Sonia, sabem o que vai acontecer. — Como se quisesse me desafiar de novo, ele engole o restante do leite e lambe os lábios. — Por sinal, eu não a encorajaria a aprender a língua de sinais.
— Por que não?
Ainda estou tentando absorver o fato de que meu filho levou choques de propósito para que "garotas como Sonia saibam o que vai acontecer".
— Mãe, sinceramente... você, mais do que ninguém, deveria saber. — Sua voz assumiu o timbre de alguém muito mais velho, alguém cansado de explicar como as coisas são. — Trocar sinais é contra o propósito do que estamos tentando fazer aqui.
Claro que é.
P. 71-72
Uma situação inesperada fará com que o governo a procure e ofereça a oportunidade de voltar a falar e a trabalhar, mas será que valerá a pena? Trabalhar para um governo que não escolheu, não concorda e não aceita?

As páginas dessa história são angustiantes e perturbadoras, pois nos levam a reflexões profundas sobre nossas escolhas, sobre as consequências de delegar aos outros a escolha do nosso destino, sobre o poder que temos de mudar nossa realidade - para melhor ou pior.
— E quanto tempo você acha que vai se passar até que o reverendo Carl e suas sagradas ovelhas Puras ponham na cabeça que não são só as mulheres e os homens que foram feitos diferentes aos olhos de Deus, mas também os negros e os brancos? Você acha que os casamentos inter-raciais como o meu fazem parte do plano? Se acha, não é tão inteligente quanto eu imaginava.
Sinto que estou ficando vermelha.
— Nunca pensei nisso.
— Claro que não. Olha, não quero ser grosseira, mas vocês, mulheres brancas, só estão preocupadas com... bom... só estão preocupadas com vocês, mulheres brancas.
P. 160
Política, religião, família, poder e ciência são constantes no livro. Também há um romance, mas achei desnecessário. O que acredito ser mais importante nesse história viciante é a reflexão que ela causa no leitor. A escrita transmite tanta verdade que incomoda.

Muitos de nós estamos acomodados em nosso mundo, sem pensar nos outros, sem aproveitar a liberdade que temos de aprender, debater, ouvir, falar. Será que não deveríamos repensar?
— Eu tive que fazer, mãe. Se não fizesse, todos iriam pensar... — Ele para, e um sorriso se esgueira pelo canto da sua boca. — O mal triunfa quando homens bons não fazem nada. É o que dizem, não é?
Steven captou a essência das palavras de Burke, ainda que não as palavras exatas. Mas sei o que ele quer dizer, e assinto.
P. 187
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Comentários
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5 comentários:

  1. Oi, Layane
    Desde o lançamento do livro eu namoro ele pela sinopse.
    Li duas resenhas sobre e cada vez fico mais curiosa para poder ler.
    Nossa um absurdo as mulheres poder falar apenas 100 palavras por dia e ainda levar choque, sem livros, internet (isso não é vida), uma forma de ser submissa aos homens.
    Quero muito saber se a Dr. Jean concordou com essa proposta do presidente e voltou a sua pesquisa.
    É um livro que nos faz refletir sobre nossas atitudes, modo como vivemos dependentes da tecnologia, internet entre muitos outros.
    Beijos

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  2. Este é sem sombra de dúvidas, o livro do momento! Desde seu lançamento, ele tem causado todos os tipos de sentimentos nos leitores e este questionamento que você citou na resenha é fundamental para que a gente mesmo repense nossa vida. Até vai nossa liberdade? A usamos de fato?
    Logo meu exemplar chega e não vejo a hora de poder começar a leitura dele.
    Temos voz. Somos voz!!!! E sim, vamos usá-la para o bem!!!!
    Beijo

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  3. Lay!
    Achei esse livro bem parecido com nossa situação atual em relação a política, temos de delegar a outros que nem sabemos quem é ou o que pensa para governar nosso país e esperamos pelas consequências de nossas escolhas.
    DEve mesmo ser um livro angustiante e até certo ponto, interessante.
    Do jeito que gosto de falar, 100 palavras por dia me deixaríam maluca...kkkkk
    “A melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida.” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DEZEMBRO - 7 GANHADORES – BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  4. Desde lançamento do livro eu to mto curiosa para ler! Ganhei ele numa promoção então estou toda feliz para começar a leitura!
    Se tivesse que falar só sem palavras por dia eu ia ficar louca, já que sou super tagarela!
    Achei mto interessante esse tema abordado, porque é bem atual já que sempre estão tentando nos calar!

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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  5. Venho ouvindo falar bastante deste livro, dizem que é extraordinário, uma distoria e tanto. Nunca tinha parado para ler uma resenha, até poque não estou muito afim de ler sobre coisas feministas, machistas, questões de genero e religião, quero paz destes assuntos, mas gostei bastante da resenha, é um livro que me despertou curiosidade e um dia vou ler com certeza.
    Fique pensando que cem palavras é muito pouco, imaginei eu falando estas cem palavras apenas, é cruel, as crianças em escolas separadas, meninas sem poder ser o que quiser, homens sendo forçados a fazer o que o governo deseja, é muito cruel mesmo sem parecer que é. Gostei tambem dos quotes.

    Beijos,
    www.garotaeraumavez.blogspot.com/

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