15 de jun de 2019


[Entrevista] Vinícius Grossos



Em 2016 entrevistamos Vinícius Grossos alguns meses após o lançamento de “O Garoto Quase Atropelado”, seu segundo livro, sendo o primeiro pela Faro Editorial. Quatro anos depois, aqui estamos de novo com uma nova entrevista, desta vez para descobrirmos um pouco mais da sua nova obra “Feitos de Sol” que chega às livrarias em Julho e que já se encontra em pré-venda na Saraiva, com exemplares autografados. 
"Faça sua lista de filmes para alugar no fim de semana, prepare as músicas para gravar na sua mixtape e faça uma viagem no tempo diretamente para 1999. Feitos de Sol é nostálgico, recheado de cultura pop, e tem aquele sabor de primeiro amor que a gente sente, independentemente da época. Final da década de 90... Cícero é um nerd de quinze anos, fã de quadrinhos e que acredita que o mundo vai acabar na virada de 1999, por causa do bug do milênio — quando os computadores de todo o planeta iriam se descontrolar por não terem sido programados para entender a mudança das datas. Hoje pode parecer loucura, mas muita gente acreditou nesse risco. E ele não estava sozinho. Na busca pela última edição da revista do seu herói favorito, ele conhece Vicente, um garoto de família religiosa com quem ele logo se identifica. Vicente também acredita no fim do mundo, mas por outro motivo: o Apocalipse. Com suas diferenças, crenças e afinidades, Cícero e Vicente vão juntos desbravar um mundo além do que conheciam e, no caminho, descobrir mais sobre si mesmos. Dois jovens com histórias de vida cheias de adversidades e reviravoltas, numa época em que tudo era ainda mais complicado... É quando aparece, sem avisar, o amor..."
Agora que vocês já conhecem a capa e sinopse de "Feitos de Sol", confiram a exclusiva entrevista com o autor Vinícius Grossos:
De Tudo Um Pouquinho: “Feitos de Sol” é o seu primeiro livro desde “O Garoto Quase Atropelado” escrito somente por você. Por que optou por este intervalo e qual foi o impacto dele na sua forma de escrever?
Vinícius Grossos: Esse intervalo foi consequência de me abrir para projetos em parceria. Os convites para “1+1: A Matemática do Amor” e “O Verão em que Tudo Mudou” chegaram em sequência, e eu senti que devia abraçá-los, porque eram condizentes com tudo o que eu estava construindo e faziam sentido para mim.
Depois disso, me mudei para São Paulo, passei por certas dificuldades emocionais que me colocaram num limbo psicológico que afetou totalmente meu ritmo de escrita.
Quando eu literalmente encontrei o sol, escrevi o livro novo em pouco menos de dois meses.
DTuP: No próximo mês de Julho será o lançamento de “Feitos de Sol”. Nos fale um pouco mais deste projeto.
VG: É um livro muito especial pra mim. Tem uma carga pessoal fortíssima, fala sobre a vivência de muitos jovens ainda hoje (por mais que se passe nos anos 90), e além de cultura nerd, tem o amor como motivador - o tipo de história que eu amo!
Nele, temos dois protagonistas, com histórias de vida diferentes, motivações diferentes, mas que são ligados por gostos em comum.
Gosto de pensar que a vida é um pouco disso: vários estranhos conectados por motivos afins!
DTuP: Você nasceu em meados da década de 90. Por qual motivo decidiu ambientar a história do livro em 1999?
VG: Por causa de um motivo em específico. O livro tem uma passagem de tempo, mas meus personagens têm 15 anos quando a história acontece de fato. Quando eu tinha meus seis anos, em 99', eu tinha a vivência religiosa como um mote muito forte. E, por muito tempo, morria de medo de perder todos que eu amava, porque o mundo iria acabar. Seria o grande retorno de Jesus!
Esse medo foi o motivador para escrever o livro e, imaginando eu com meus 15 anos, vivendo essa realidade, acho que seria terrivelmente "porra louca" - assim como Cícero e Vicente.
DTuP: Quando criança você queria trabalhar com quadrinhos, e os leitores mais atentos podem perceber que seus livros sempre trazem referências à este universo. Desta vez os quadrinhos serão de extrema importância para sua obra. Quais referências deste tipo de literatura você gosta de utilizar em seus trabalhos?
VG: Odeio os termos de alta e baixa cultura. Para mim, cultura é cultura e ponto. Então, dessa vez, eu mesclo e brinco com os grandes clássicos dos HQs e as revistinhas de banca, que a gente encontra facilmente. Os meninos são igual a mim: sem preconceito cultural.

DTuP: Em “Feitos de Sol” você vai falar pela primeira vez sobre religião. Se considera uma pessoa religiosa? Tal abordagem virá de uma relação pessoal sua com a mesma?
VG: Não religioso, propriamente dito. Mas muito espiritualizado, sim. Me sinto afim com praticamente todas as religiões e segmentos.
Mas, neste livro em especial, vou abordar como a espiritualidade, quando usada de um jeito errado, pode destruir uma vida. Porque, de certa forma, quase destruiu a minha.
Todas as religiões, praticamente, tem como base o amor. Algumas só se esquecem disso... hahaha
DTuP: Sua interação com os leitores pelas redes sociais é bastante forte. O quão importantes são estas ferramentas no auxílio da propagação de seu nome e de seus livros em pleno 2019?
VG: A conexão que eu tenho com meus leitores é um dos maiores presentes que a literatura trouxe para a minha vida. A maior função das minhas redes sociais é única e exclusivamente poder me conectar diretamente com eles. Quem é meu leitor, sabe, eu respondo todo mundo, gosto de conversar, de conhecê-los, de saber o que eles gostam ou não gostam. Mais do que autor, acho que eles me veem como amigo, e isso é maravilhoso!
DTuP: A crise no mercado editorial é conhecida por todos nós. Lá em 2016 você me disse que em 10 anos “gostaria de viver exclusivamente de livros”. A situação atual do mercado já lhe afetou diretamente? Ainda acha que é possível viver somente deste meio?
VG: Me afetou completamente... Não posso abrir muito o jogo, vai que eu sou processado! Mas eu tento encarar esse momento sombrio da melhor maneira possível. Eu não vou parar.
Enquanto tiver uma pessoa no mundo querendo me ler, aqui estarei eu.
DTuP: Você é uma pessoa musical e faz sempre questão de incluir músicas em seus livros e até mesmo criar playlists para eles. Podemos esperar mais músicas em “Feitos de Sol? Se sim, como será a importância delas nesta narrativa em especial?
VG: Totalmente sim! Mas músicas dos anos 90, é claro.
A música tem dois caminhos distintos na narrativa. Uma, é como quem já leu meus livros conhece. Elas estão ali, no pano de fundo, servindo como uma construção da narrativa e do ambiente.
Mas há uma playlist que... Hum... Ela é de extrema importância pro livro. E há uma mensagem escondida nela. Vamos ver se a galera descobre!

DTuP: Se o mundo fosse acabar na virada do ano, assim como na premissa de “Feitos de Sol”, o que você gostaria de ver ou fazer antes de morrer e por qual motivo?
VG: Acho que eu iria me recolher com a minha família e as pessoas que eu amo. Acho que gostaria de passar o fim do mundo em paz. Talvez no mar...
DTuP: Está claro pela sinopse que “Feitos de Sol” tratará de um romance entre dois jovens rapazes. Sendo o Brasil uma nação extremamente homofóbica, que tipo de mensagem você quer passar para os seus leitores, principalmente em um momento tão obscuro de nosso país?
VG: Eu já trabalhava com esse tipo de narrativa antes do país mergulhar num local onde máscaras caíram... E, agora, mais que nunca, quero que os meus livros cheguem ainda a mais pessoas. Seja um amigo no meio de uma ignorância que cega e mata. Somos fortes e estamos juntos.
DTuP: Sua escrita é muito visual e suas personagens muito ricas e verossímeis. Tem vontade de vê-las tomarem vida em alguma produção de audiovisual? Se acharia capaz em transformar seus livros em roteiros?
VG: Yaaaas. É um sonho, viu? Quem sabe em breve...
Na minha vida, os grandes sonhos chegam quando eu menos espero.
Torce por mim!
E sim, acho que adoraria ver minhas personagens na tela do cinema, e contribuir com isso, no roteiro, seria um presente (para mim e para os leitores).
DTuP: Nesses últimos quatro anos qual foi a melhor coisa que o mundo literário lhe proporcionou?
VG: Eu poderia falar que andei de avião pela primeira vez por causa dos livros, ou todos os lugares que conheci, mas, definitivamente, quando eu estou mal, triste, é o amor que recebo dos leitores que me ergue de novo. Então é o amor, a conexão que nasce e se alimenta através das minhas narrativas.

DTuP: Quando você veio em Salvador, durante a sessão de bate-papo, um garotinho pediu dicas para escrever, pois ele queria ser que nem você. Como se sente sabendo que consegue ajudar a dar uma voz aos jovens? Quais dicas você poderia oferecer para estes aspirantes a escritores?
VG: É uma honra. Mesmo. Mas tento a todo momento trazer para os novos leitores que a linha entre a publicação ou não é muito pequena. Apesar de exigir muito trabalho, e muito mesmo, eles não devem se rebaixar por ainda não serem publicados.
Tenho um mantra que gosto de usar até hoje. O Não nunca vai me parar. Ele geralmente me dá mais combustível pra correr atrás do que eu quero com ainda mais garra.
DTuP: Para finalizar, onde você quer que “Feitos de Sol” te leve? Quais objetivos você tem com este trabalho e que tipo de marca quer deixar com ele?
VG: Meu objetivo ao escrevê-lo, inicialmente, era me curar de um amor que me deixou destroçado. Depois ele foi se transformando em algo maior, e hoje acho que ele não é mais meu. Ele é de cada um que for ler e vai se conectar de amplas maneiras com o livro.
Eu estou apenas de coração aberto, com a certeza que fiz o meu melhor, e entreguei amor ao mundo. Você pode me dar o seu amor de volta?
_________

E aí? Vocês já leram algum livro de Grossos? Gostaram da entrevista? Estão ansiosos para "Feitos de Sol"? Lembro então que o livro já se encontra em pré-venda na Saraiva, e seu lançamento está marcado para  dia 16 de Julho.
Comentários
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Um comentário:

  1. Conheço as letras do autor em 1=1, A Matemática do Amor e com certeza, foi bem suficiente para admirar demais o trabalho dele.
    Por isso,quando vi este lançamento chegando, meus olhos já brilharam e não vejo a hora de poder conferir mais este trabalho.
    A capa é um espetáculo e trazer um pouco sobre anos 90, todos os tabus e conceitos da época com certeza, criou uma atmosfera bem gostosa.
    O autor é uma simpatia só e oh, gostei disso de trazer também um pouquinho sobre religião mudando as pessoas ou as estragando. Realmente algumas esquecem do preceito básico que é o amor e o respeito!!!!
    Adorei!!!!
    Beijo

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