7 de jun de 2019


[Resenha] O Construtor de Pontes - Markus Zusak

Ficha Técnica 

Título: O Construtor de Pontes
Título Original: Bridge of Clay
Autor: O Construtor de Pontes
ISBN: 978-85-510-0398-5
Páginas: 527
Ano: 2019
Tradutor: Stephanie Fernandes e Thaís Paiva
Editora: Intrínseca
Se em A menina que roubava livros é a morte quem conta a história, em O construtor de pontes, novo romance de Markus Zusak, presente e passado se fundem na voz de outro narrador igualmente potente: Matthew, o filho mais velho da família Dunbar. Sentado na cozinha de casa diante de uma máquina de escrever antiga, ele precisa nos contar sobre um dos seus quatro irmãos, Clay. Tudo aconteceu com ele. Todos mudaram por causa dele. Anos antes, os cinco garotos haviam sido abandonados pelo pai sem qualquer explicação. No entanto, em uma tarde ensolarada e abafada o patriarca retorna com um pedido inusitado: precisa de ajuda para construir uma ponte. Escorraçado pelos jovens e por Aquiles, a mula de estimação da família, o homem vai embora novamente, mas deixa seu endereço num pedaço de papel. Acontece que havia um traidor entre eles: Clay. É Clay, então, quem parte para a cidade do pai, e os dois, juntos, se dedicam ao projeto mais ambicioso e grandioso de suas vidas: uma ponte feita de pedras e também de lembranças — lembranças da mãe, do pai, dos irmãos e dele mesmo, do garoto que foi um dia, antes de tudo mudar. O tempo, assim como o rio sob a ponte, tem uma força avassaladora, capaz de destruir, mas também de construir novos caminhos. O construtor de pontes narra a jornada de uma família marcada pela culpa e pela morte. Com uma linguagem poética e inventiva, Markus Zusak nos presenteia mais uma vez com uma história inesquecível, uma trama arrebatadora sobre o amor e o perdão em tempos de caos.

Resenha

Treze anos após o lançamento do seu aclamado best-seller, “A Menina que Roubava Livros”, o autor Markus Zusak retorna com uma história inédita para seus leitores. “O Construtor de Pontes” conta a história dos cinco irmãos Dunbar. O cargo de narrador fica por conta do irmão mais velho, Matthew, que através de uma máquina de escrever antiga, irá detalhar o passado e presente de sua família, focando principalmente em seu introspectivo irmão, Clay.

Os irmãos Dunbar moram sozinhos desde que foram abandonados pelo patriarca da família. Decididos a sobreviver, eles aprenderam a cuidar uns dos outros, e esquecer completamente que outrora tiveram um pai. Porém, aquele que um dia os abandonou retorna sem aviso, pedindo a ajuda dos filhos para construir uma ponte em uma cidadezinha próxima. Nenhum dos cinco rapazes aceitam o inesperado convite, exceto Clay, que garante que precisa ajudar a construir a ponte, sem dar maiores justificativas.
Era assim que ela sempre explicava. Contava que o rosto do pai tinha virado um corpo de água. As rugas profundas, os olhos. Até o bigode. Tudo afogado em luz do sol e água fria, muito fria.
P. 79
“O Construtor de Pontes” é um livro sobre laços, perdas e emancipações. A relação dos irmãos Dunbar é muito bonita e acompanhar a estruturação dessa família é interessante, pois a mesma está recheada de camadas, que são trabalhadas através de uma narrativa que flui entre o passado, desde o romance entre o pai e mãe dos meninos, até o momento atual onde Clay se encontra com seu pai para construir a ponte.

Porém, apesar de um enredo interessante, “O Construtor de Pontes” se mostrou ser uma obra arrastada, cansativa e pretensiosa demais. Apesar dos capítulos serem curtinhos, parece que nada de importante acontece na história. Para piorar, o autor cria toda uma estruturação megalomaníaca entre passado e presente, com o intuito de criar um suspense no leitor, que depois do mesmo percorrer mais de 500 páginas, acaba se deparando com um desfecho raso e extremamente decepcionante. Sem contar que a tal construção da ponte que dá título ao romance, é quase inexistente, seja como forma de metáfora ou não.
E saímos juntos – por entre as multidões e as palavras, em uma cidade inchada de sol.
E a morte veio andando ao nosso lado.
P. 232
Na minha opinião, o maior problema de “O Construtor de Pontes” é a falta de uma edição e revisão. O livro possui 527 páginas e essa quantidade é desproporcional as ações realmente importantes da obra. Me sinto um vitorioso de ter lido tudo até o final, sem ter largado a leitura no meio, mas vontade não faltou. O livro tem muitas personagens, mas nenhuma delas trabalhadas de uma forma interessante; muitos eventos, e nenhum deles desenvolvidos de forma substancial; e pouquíssimo conteúdo que de fato interessa e prende o leitor.

É de surpreender que este é o mesmo autor que escreveu uma obra tão querida e diferenciada como “A Menina que Roubava Livros”. Confesso que “O Construtor de Pontes” se assemelha muito mais com a trilogia composta por “O Azarão”, “Bom de Briga” e “A Garota que eu Quero”, que não sei se vocês conhecem, mas na minha opinião são livros tão básicos e arrastados quanto este que aqui estou resenhando.
E você e eu?
Nós não podemos fazer nada.
Um escreve, outro lê.
Você e eu não podemos fazer nada além de eu contar e você ouvir.
Por enquanto, fica por isso mesmo.
P. 367
Infelizmente esse retorno de Markus Zusak não me agradou. Com uma história relativamente simples e um desenrolar lento, a obra promete mais do que entrega, principalmente por vir após uma das maiores obras de ficção da década passada. Treze anos escrevendo um livro, para ele ser tão mal editado e pobre, somente decepção para definir mesmo. Talvez no seu próximo lançamento, Zusak deveria gastar menos anos escrevendo, e simplesmente achar um editor mais competente.

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Comentários
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2 comentários:

  1. Agora fuuu de vez..rs
    É minha leitura do momento e sinceramente, não está fluindo. Já deixei o livro de lado inúmeras vezes, mas ainda não quero desistir, meio que acho sacrilégio com o autor sendo quem é.
    Mas é página desnecessária demais e enredo de menos. Tudo demorando a fluir, sem conexão nenhuma.
    Estou bem desanimada.
    Mas espero de todo o meu coração, terminar(e reclamar)
    Beijo

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    Respostas
    1. Sinto muito, mas compreendo sua frustração =[
      Mas vamos que vamos, demora mas sai.
      Quando terminar, se terminar, depois me conta aqui se as coisas melhoraram para você!
      Beijos

      Excluir

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