22 de jul. de 2019


[Resenha] E Se Fosse a Gente? - Becky Albertalli & Adam Silvera

Ficha Técnica 

Título: E Se Fosse a Gente?
Título Original: What If It’s Us
Autor: Becky Albertalli & Adam Silvera
ISBN: 978-85-510-0488-3
Páginas: 351
Ano: 2019
Tradutor: Viviane Diniz
Editora: Intrínseca
De férias em Nova York, Arthur está determinado a viver uma aventura digna de um musical da Broadway antes de voltar para casa. Já Ben acabou de terminar seu primeiro relacionamento, e tudo o que mais quer é se livrar da caixa com todas as lembranças do ex-namorado. Quando eles se conhecem em uma agência dos correios, parece que o universo está mandando um recado claro. Bem, talvez não tão claro assim, já que os dois acabam tomando rumos diferentes sem ao menos saberem o nome ou telefone um do outro. Em meio a encontros e desencontros — sempre embalados por referências a musicais e à cultura pop ¬—, Ben e Arthur se perguntam: e se a vida não for como os musicais da Broadway e os dois não estiverem destinados a ficarem juntos? Mas e se estiverem? Aos poucos, eles percebem que às vezes as coisas não precisam ser perfeitas para darem certo e que os planos do universo podem ser mais surpreendentes do que eles imaginam.

Resenha


Arthur ficará em Nova York por um mês durante as férias de verão, enquanto faz um estágio em um escritório de advocacia, e nestas quatro semanas a vida do jovem rapaz irá mudar completamente, já que ele viverá o seu primeiro amor.

Certa manhã, enquanto está andando pelas extensas ruas da Grande Maçã, Arthur acaba conhecendo o nova iorquino Ben em uma sede dos correios, pois ele está prestes a enviar uma caixa para o seu ex-namorado contendo todos seus pertences.

Durante poucos minutos, através de uma conversa peculiar, em um local mais peculiar ainda, Arthur e Ben trocam um papo, e fica evidente que ali existe uma química. Mas, por ironia do destino – ou não –, Ben desaparece antes que os dois possam trocar seus números de telefone. Realmente tocado com a descontraída e gostosa conversa que teve com Ben, Arthur decide juntar todas as informações que possui, na tentativa de encontrar aquele estranho em meio aos quase 9 milhões de habitantes de Nova York.
Eu vou encontrá-lo. Isso vai acontecer. Meu coração dispara no peito quando imagino isso. Ele estará atrás do balcão, entediado, com um ar sonhador e com o cabelo bagunçado da maneira mais adorável possível.
P. 95
“E Se Fosse a Gente?” é uma obra conjunta entre os autores Becky Albertalli e Adam Silvera. Ambos escritores já permearam a lista de mais vendidos com seus Young Adults, porém o maior trabalho entre os dois é definitivamente o “Simon Vs. a Agenda Homo Sapiens” (ou conhecido também por “Com Amor, Simon”) de Becky.

Neste livro, apesar de não ser evidenciado, fica claro que os capítulos que narram o ponto de vista de Arthur foram escritos por Becky Albertalli, enquanto as passagens de Ben por Adam Silvera. Esse fato se deve principalmente pelas cidades natais dos autores serem as mesmas de suas respectivas personagens. Apesar dessa mudança entre cada capítulo, os autores conseguiram entrelaçar satisfatoriamente suas escritas, para que ambas não ficassem tão destoantes entre si.

Porém, nem essa sintonia entre os autores conseguiu salvar “E Se Fosse a Gente?” de um problema grave: coerência. Apesar da leitura ser bastante rápida e fluida, a narrativa não consegue entregar desenvolvimentos complexos e elaborados. Fiquei com a constante impressão que as dificuldades das personagens principais surgiam do nada e as suas soluções apareciam tão rápido quanto.

Tal falta de coerência afeta principalmente o gosto do leitor, que ao meu ver irá se entreter mais com os capítulos escritos por Albertalli, já que Arthur consegue trazer um pouco mais de nuances do que Ben, apesar de que tanto um quanto outro conseguem sair de 0 à 100km/h em questões de parágrafos, o que acaba gerando uma falta de empatia, mesmo em momentos que deveriam trazer à tona a simpatia de nós leitores.
Talvez isso não vá dar certo e eu não vá sentir falta dele. Mas não posso ir de A para B sem passarmos por A e B primeiro. Viver o momento.
P. 191
Mas nem tudo é embaraçoso, já que o livro possui pontos positivos também. O maior deles definitivamente é uma normalização de personagens LGBTQ+. Aqui tanto os pais de Arthur quanto de Ben sabem de sua realidade, sem contar os seus amigos próximos. Logo, qualquer situação que aconteça no romance dos dois, não provém necessariamente da orientação destas personagens, como normalmente obras deste tipo abordam, mas pelo simples fato que relacionamentos ocasionam altos e baixos, independentemente de quem seja seu respectivo par.

Outro aspecto positivo de “E Se Fosse a Gente?” é a qualidade de suas personagens coadjuvantes, que muitas vezes conseguem roubar a cena, sendo Dylan, melhor amigo de Ben, o melhor representante deste elogio. A atmosfera nova iorquina também é outra característica interessante, e sua ambientação com o universo da cidade, incluindo suas inúmeras referências à musicais da Broadway, é bem legal de ver.
Então encaro a tela do meu celular por cinco minutos seguidos, com o maior sorriso de toda a minha vida.
P. 208
“E Se Fosse a Gente?” é uma obra gostosa, mas que poderia ser muito mais. Seus autores iniciam a obra de uma forma divertida e curiosa, porém da metade para o fim, pecam ao desenvolver um relacionamento corrido, nem um pouco convincente e ao mesmo tempo clichê. Para uma leitura leve e desapegada é uma excelente pedida, mas aviso desde já que o final do livro é daqueles que dividem opiniões.

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
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