9 de set. de 2019


[Resenha] O Diário de Nisha - Veera Hiranandani

Ficha Técnica 

Título: O Diário de Nisha
Título Original: The Night Diary
Autor: Veera Hiranandani
ISBN: 978-85-9454-087-4
Páginas: 288
Ano: 2019
Tradutor: Débora Isidoro
Editora: DarkSide Books
Nisha não é de falar muito. Quietinha e reservada, prefere observar as pessoas ao seu redor e anotar os detalhes do cotidiano em seu diário, onde pode ser ela mesma. E ser ela mesma não é nada fácil no epicentro da Partição da Índia, que, após séculos de tensão religiosa, atinge seu ápice criando dois estados independentes do governo britânico: a Índia (maioria hindu) e o Paquistão (maioria muçulmana). Parte hindu e parte muçulmana, Nisha não sabe muito bem a qual lugar pertence, e não entende os desdobramentos políticos deste momento tão crucial da história. Por que hindus e muçulmanos estão brigando tanto entre si? Por que milhares de pessoas precisam abandonar seus lares? E por que tantas acabam morrendo atravessando as fronteiras? Com as tensões criadas pela separação, o pai de Nisha decide que é perigoso demais para eles permanecerem no lugar que, agora, se tornou o Paquistão. É neste cenário turbulento que Nisha e sua família — a avó, o irmão Amil e o pai — embarcam no primeiro trem, rumo a um novo lar. A DarkSide Books apresenta O Diário de Nisha, novo lançamento da linha DarkLove que vai arrebatar seu coração com a árdua e arriscada jornada de uma esperançosa menina em busca de um lar. Endereçando cada relato do diário para a finada mãe, ela registra sua vida com ricos detalhes ao longo do ano de 1947 — os momentos bons em que prepara pratos deliciosos com Kazi, cozinheiro da família, e os ruins em que o mundo se mostra cruel e nada mais parece fazer sentido. Com esmero e ternura, Veera Hiranandani transmite os conflitos internos de Nisha e retrata a dura realidade provocada pela Partição, que movimentou mais de catorze milhões de pessoas pelas fronteiras e matou pelo menos um milhão durante a travessia. O impressionante recorte histórico é inspirado na trajetória de sua própria família, que precisou atravessar a fronteira de Mirpur Khas para Jodhpur exatamente como a pequena Nisha faz neste livro. Seus avós e pais tiveram de recomeçar em um lugar estranho como uma família de refugiados — história que, tantos anos depois, tristemente ressoa com a realidade de muitas famílias que sofrem com a Guerra da Síria. Vencedor do Malka Penn Award para Direitos Humanos em Literatura Infantil em 2018, Newbery Honor Award 2019 e Walter Dean Myers Honor Award 2019, O Diário de Nisha é a história perfeita para todos os leitores que se emocionaram com a pequena Ada em A Guerra que Salvou a Minha Vida e A Guerra que Me Ensinou a Viver, e também com os relatos verdadeiros em O Diário de Myriam e Refugiados: A Última Fronteira. Assim como os livros mais tocantes da linha DarkLove, que publica poderosas vozes femininas contemporâneas, O Diário de Nisha aquece o coração do leitor com uma história tão bela e sensível que é um verdadeiro tesouro. Através da busca de Nisha por identidade, aprendemos a exercer a empatia e a lutar por um futuro mais pacífico e tolerante. E vemos que reconstruir a vida nunca é fácil, mas fica um tantinho melhor se for ao lado das pessoas que mais amamos.

Resenha

Papai diz que [...] quando as pessoas são separadas em grupos, elas começam a acreditar que um grupo é melhor que o outro.
P. 105
O estudo de história estrangeira que se tem nas escolas brasileiras se foca quase que exclusivamente na Europa. Pouco ou nada se aprende sobre as Américas, África ou Ásia e, consequentemente, pouco sabemos sobre o passado ou a cultura de outros países. São maravilhas e horrores que são desconhecidos pra nós e que só vão ser revelados se por acaso alguma novela se passar em outro país. Ou se um livro estrangeiro for traduzido pro português.

É o caso de O Diário de Nisha, cuja história se passa durante a Partição da Índia (em 1947), um evento histórico do qual a gente não tem nenhum conhecimento mas que teve um impacto gigantesco na configuração que a Ásia tem hoje. Ao se separar da Inglaterra (que colonizava o país há duzentos anos), o território foi dividido em dois países independentes: Índia e Paquistão. Na primeira, ficariam os hindus e sikhs; no segundo, os muçulmanos. A partição gerou uma crise de refugiados e violência pelos dois países. Pessoas foram mortas, famílias precisaram cruzar a fronteira a pé porque os trens eram atacados e um número incerto de mulheres (estima-se que cerca de 50 mil, entre muçulmanas, sikhs e hindus) foram sequestradas durante o período que se seguiu à partição.

 É neste contexto histórico que conhecemos Nisha, uma menina quieta de doze anos que mora com o irmão gêmeo, o pai, a avó e o cozinheiro. Sua mãe morreu pouco depois de dar à luz e é pra ela que Nisha escreve, contando de sua rotina na escola, sobre como gosta de ajudar na cozinha e tem dificuldade de falar com as pessoas. Ela narra seu cotidiano e conta suas impressões sobre as pessoas ao seu redor nas páginas de um diário que ganhou do cozinheiro, sempre se referindo à mãe e dizendo o quanto sente saudade dela, apesar de nunca a ter conhecido. Após a partição, sua família decide que é muito perigoso continuar onde eles moram, porque são hindus do lado muçulmano da divisão, e decidem migrar para “a nova Índia”.
Ele falou que alguém precisa fazer um registro das coisas que vão acontecer, porque os adultos vão estar muito ocupados.
P. 11
O livro segue então a jornada da família de Nisha do Paquistão recém-criado à Índia através do deserto, toda a fome a sede e o medo de uma família de refugiados tentando sobreviver num ambiente político hostil. Uma viagem motivada por uma decisão política que dividiu um povo. Tudo pelos olhos de uma criança adolescendo, em conflito consigo mesma e com seus sentimentos em relação a seu país.

É inevitável a comparação com O diário de Anne Frank, já que ambos são narrados por uma adolescente e contam como suas famílias tentaram sobreviver aos horrores de um momento político conturbado. Mas enquanto Anne Frank é mais introspectiva e fala principalmente sobre sua vida pré-guerra e sua opinião sobre seus vizinhos, Nisha foca em sua jornada e como ela afeta não só sua família como os outros viajantes ao seu redor.

A edição é lindíssima, com capa dura e um design que imita um diário, inclusive com o desenho do fecho, além da lateral ser pintada com arabescos e pássaros. O design é, como sempre, primoroso e o livro parece um caderno muito bonito, com temática indiana e uma ilustração linda na capa.

É importante ler histórias que se passam sem realidades fora da nossa, sejam em outras culturas ou outros períodos históricos. Elas nos fazem enxergar outros pontos de vista e sentir mais empatia por pessoas que, apesar de muito diferentes, tem os mesmos sentimentos e os mesmos sonhos. Uma menina atravessando a fronteira entre Paquistão e Índia em 1947 pode nos ensinar muito sobre família e todo o sofrimento que a guerra inflige sobre pessoas comuns.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob 😉
Comentários
3
Compartilhe

3 comentários:

  1. A DarkSide sempre arrasa em suas capas e diagramação. É uma Editora maravilhosa e por trazer também enredos que fogem um tanto bom do que vivemos por aqui.
    Esta parte sobre a partição, praticamente não é comentada e olha ela aí?! Isso se unindo a história de Nisha e sua família deve ter casado certinho!
    Com certeza, já está na listinha dos mais desejados há um tempinho.
    Espero ler e ter em breve!
    Beijo

    ResponderExcluir
  2. Olá
    Realmente a capa e lindíssima
    Pela sua resenha deve ser um livro impactantes
    Importantíssimo mostrar outras realidades situações que não sabemos
    Anotei a dica e quando tiver oportunidade quero ler o livro
    Obrigada por trazer algo novo
    Não tinha visto esse livro ainda

    ResponderExcluir
  3. Tamy!
    Livros que contam a real história do que acontece em países asiáticos, é sempre engrandecedor.
    Gosto desse tipo de leitura e fiquei bem interessada pela história de Nisha, deve ser uma grande variedade de nova cultura, cheiro, sabores e comportamentos.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir

Seu comentário é sempre bem-vindo e lembre-se, todos são respondidos.
Portanto volte ao post para conferir ou clique na opção "Notifique-me" e receba por e-mail.
Obrigada!

 
imagem-logo
De Tudo um Pouquinho - Copyright © 2016 - Todos os direitos reservados.
Layout e Programação HR Criações