3 de mar. de 2020


[Resenha] Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino - Terry Sullivan e Peter T. Maiken

Ficha Técnica 

Título: Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino
Título Original: Killer Clown: The John wayne Gacy Murders
Autores: Terry Sullivan e Peter T. Maiken
ISBN: 978-85-9454-182-6
Páginas: 432
Ano: 2019
Tradutores: Lucas Magdiel e Mariana Branco
Editora: DarkSide Books
O palhaço Pennywise, de It: A Coisa, é apenas uma ficção macabra perto de Pogo, o alter ego de John Wayne Gacy. Cidadão modelo. Empresário de sucesso. Voluntário do hospital. Um dos assassinos em série mais sádicos de todos os tempos. Poucas pessoas podiam ver o monstro cruel sob a maquiagem colorida de palhaço que Gacy usava para entreter as crianças. Poucas pessoas podiam imaginar o que estava enterrado em sua casa de horrores. Quando um adolescente desapareceu pouco antes do Natal de 1978, Gacy foi detido e uma equipe de investigadores foi enviada até sua casa com um mandado de busca. Enquanto vasculhavam o local procurando por pistas, toparam com indícios cada vez mais comprometedores e sinistros. O promotor do caso, Terry Sullivan, começava então a maior caçada de sua carreira. Sullivan reconstruiu a investigação — de registros de violência no passado de Gacy à horrível descoberta de mais de trinta vítimas atribuídas ao assassino e ao chocante relato de testemunhas oculares — para levar o leitor ao centro de um julgamento e seus desdobramentos. Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino, novo livro da linha Crime Scene®, da DarkSide® Books, traz detalhes de investigações e audiências de John Wayne Gacy pela voz de quem caçou e prendeu o assassino em série brutal. Capítulo a capítulo vemos o caso se desenrolar, e as duas faces de Gacy — a do empresário bem-sucedido que ainda encontrava tempo para se dedicar aos interesses da comunidade e aquela que os psiquiatras nomeados pelo tribunal pintaram em seu julgamento — se mesclarem. Raramente é possível fazer um retrato tão profundo e fiel de um monstro. A história de Gacy veio à tona e perturbou profundamente os moradores de Chicago. Como confiar novamente nas figuras que os rodeavam? O julgamento foi repleto de depoimentos e conjecturas obscenas da defesa, mas terminou com Gacy condenado à morte. Ele aguardou a execução de sua sentença por catorze anos, e usou seu período de isolamento para pintar diversos quadros (palhaços, autorretratos, figuras religiosas e bastante polêmicas), muitos dos quais foram vendidos — outros tantos queimados. Poucos anos depois da condenação de Gacy, as pessoas viriam a se assustar novamente com palhaços, mas dessa vez na ficção: Stephen King lançou It: A Coisa em setembro de 1986, deixando para sempre a imagem perturbadora do palhaço Pennywise na mente de todos. Apesar de nunca ter confirmado a inspiração, os fãs do escritor de coração assombrado relacionam a origem do personagem com o visual de Gacy. E para quem sofre de coulrofobia, meio sorriso distorcido pela maquiagem excessiva já basta para causar pesadelos.

Resenha


Alguns detalhes são necessários quando se escreve um livro sobre um assassino real: o histórico familiar do sujeito, laudos médicos, relatos de psiquiatras envolvidos no caso, fotos da vítimas quando vivas, plantas do lugar em que os crimes foram cometidos. O que não é necessário é mencionar cada detalhe que deu errado durante as investigações. É compreensível que os policiais entrevistados queiram ter seus nomes na história mas, quando o livro é escrito por policiais e não jornalistas, tudo vira uma grande cerimônia para dar tapinha nas costas de policial burro que ajudou o criminoso.

O grande circo midiático (trocadilho intencional) que se criou ao redor de John Wayne Gacy é compreensível: Gacy é um dos assassinos em série com o maior número de vítimas confirmadas da história, numa época em que ainda não se compreendia o conceito de serial killer (termo cunhado pelo agente do FBI Robert Ressler nos anos 1970). O empreiteiro foi condenado por torturar e matar trinta e três rapazes num período de seis anos. A revelação dos crimes foi um choque para sua comunidade, já que Gacy era visto como um empresário simpático que se vestia de palhaço para animar criancinhas em hospitais.

A grande falha do livro é esquecer o que realmente é relevante aqui: os crimes e o assassino. O tempo que poderia ser gasto destrinchando a personalidade de Gacy e examinando seu modus operandi é desperdiçado nomeando cada policial que atuou na investigação. Cada policial que jantou na casa do suspeito, que pagou um café para ele, que seguiu Gacy por dias a fio sem lhe aplicar nem ao menos uma multa de trânsito. Chega a ser irritante acompanhar a história de como um homem que já tinha passagem pela polícia e ligações com vários meninos desaparecidos conseguiu enrolar os policiais por quase duas semanas antes de ser preso pelos assassinatos.

O ponto positivo é que há muitas conversas com o assassino, então é possível criar uma imagem muito nítida de sua personalidade egocêntrica e tão desprovida de empatia. As conversas infelizmente ficam um pouco perdidas entre todos os relatos dos policiais. Se o livro tivesse sido escrito por um jornalista ou escritor, teria sido muito mais fluido e melhor estruturado.

John Wayne Gacy se tornou um marco não só no bizarro culto a serial killers como na cultura pop, e é um dos motivos pelos quais muita gente tem medo de palhaços (Stephen King também colaborou muito com a fobia com o lançamento de It em 1986). O livro inclusive conta com uma galeria de palhaços famosos (alguns icônicos, outros terríveis), uma adição excelente à edição que já conta com o acabamento primoroso da coleção crime scene: capa dura com ilustrações do próprio Gacy e a fitinha amarela exclusiva da coleção.

Apesar de ser necessário um pouco de paciência para lidar com o estilo de escrita, Killer clown é um volume importante para qualquer prateleira de crimes reais que se preze. Ninguém sabe sobre serial killers de verdade até conhecer a história de Gacy e seu alter ego Pogo, o palhaço.

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Comentários
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2 comentários:

  1. Eu sou doida para ler esse seguimento da Editora! Acabei de ler recentemente BTK e claro que amei. Mas realmente as resenhas deste livro do "palhaço" não estão sendo positivas não.
    A maioria dizem que o enredo é arrastado demais e que os crimes meio que são deixados de lado.
    Mesmo assim, eu ainda quero muito conferir esta obra e as demais do selo DarkSide!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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    Respostas
    1. Oi, Angela!
      Eu achei Columbine o mais bem escrito desse selo atá agora. O que faz sentido, já que ele foi escrito por um jornalista. O do BTK achei um pouco arrastado também, e ele não é tão interessante como serial killer. Espero que ainda assim você consiga aproveitar o livro.
      beijos

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