13 julho, 2020


[Resenha] Coraline - Neil Gaiman

Ficha Técnica 

Título: Coraline
Título Original: Coraline
Autor: Neil Gaiman
ISBN: 978-85-510-0675-7
Páginas: 224
Ano: 2020
Tradutor: Bruna Beber
Editora: Intrínseca
Certas portas não devem ser abertas. E Coraline descobre isso pouco tempo depois de chegar com os pais à sua nova casa, um apartamento em um casarão antigo ocupado por vizinhos excêntricos e envolto por uma névoa insistente, um mundo de estranhezas e magia, o tipo de universo que apenas Neil Gaiman pode criar. Ao abrir uma porta misteriosa na sala de casa, a menina se depara com um lugar macabro e fascinante. Ali, naquele outro mundo, seus outros pais são criaturas muito pálidas, com botões negros no lugar dos olhos, sempre dispostos a lhe dar atenção, fazer suas comidas preferidas e mostrar os brinquedos mais divertidos. Coraline enfim se sente... em casa. Mas essa sensação logo desaparece, quando ela descobre que o lugar guarda mistérios e perigos, e a menina se dá conta de que voltar para sua verdadeira casa vai ser muito mais difícil ― e assustador ― do que imaginava.

Resenha


Coraline, de Neil Gaiman, volta as livrarias em junho - O Megascópio

Muitos dos filmes infantis que fizeram sucesso nos anos 1990 tinham um toque mais sombrio. Ao contrário dos filmes mais populares do final da década, como os da Disney e os da Barbie, as histórias produzidas no começo da década e no final dos anos 1980 possuem aspectos mais sinistros, bem diferente do que se espera de um "filme para criança". Desde criança morta (Conta comigo, 1986) a abuso infantil (Matilda, 1996), passando por bruxas que comem criancinhas (Convenção das bruxas, 1990).

O que parece muito bizarro perto do colorido dos filmes mais convencionais é mais uma volta às origens das histórias infantis: os contos de fadas originais, onde coisas terríveis acontecem e o fim sempre tem uma moral. Onde Chapeuzinho Vermelho é devorada pelo lobo, a Pequena Sereia não consegue o príncipe no final e a madrasta da Branca de Neve é obrigada a calçar sapatos de ferro quente. Todos esses contos serviam de aviso para as crianças e ensinavam como se comportar e o que não fazer no "mundo lá fora".

Nesse contexto, Coraline surge como um conto de fadas moderno, ou o que eu chamo de "filme de terror para crianças". Uma história que não se preocupa em suavizar tudo e deixar todos os detalhes fofos e coloridos. Coisas ruins acontecem e crianças precisam ser ensinadas a lidar com elas. Porque histórias também servem como aprendizado.

Aqui conhecemos Coraline Jones, uma menina curiosa que adora explorar e acabou de se mudar para uma casa nova. Essa casa era uma mansão que foi dividida em apartamentos e seus vizinhos são muito peculiares. Tem duas ex atrizes de teatro e um velho esquisito que fala com ratos e nenhum deles parece conseguir pronunciar o nome dela direito. Num dia chuvoso e tedioso, Coraline resolve explorar a casa e encontra uma porta que leva até um apartamento que é igual ao seu, exceto por alguns detalhes e o fato de que os moradores são seus outros pais. Eles parecem versões melhoradas de seus pais verdadeiros, só que com grandes botões no lugar dos olhos. Quando seus pais verdadeiros desaparecem, Coraline precisa juntar toda sua coragem e astúcia para encontrá-los e lidar com a ameaça que é sua Outra Mãe. Ela vai contar com a ajuda de um presente nas vizinhas e um gato preto sem nome ("Nós sabemos quem somos, então não precisamos de nomes.").

Coraline retorna às livrarias em nova edição ilustrada - Editora ...

Pode parecer um livro para crianças "esquisitas", daquelas que gostam de coisas meio macabras (tipo o filho do Neil Gaiman), mas é uma obra que serve de lição até mesmo pra adultos. Uma história sobre coragem e sobre fazer o que é certo mesmo quando se está com medo.
Porque coragem é quando você sente medo de fazer algo, mas faz mesmo assim, é quando você enfrenta o medo.
P. 90
A edição nova é gloriosa, toda em capa dura e páginas com bordas roxas, combinando com as cores da capa e as ilustrações magníficas do Chris Riddell, que é um dos meus ilustradores favoritos. Riddell ilustrou outros livros do Neil Gaiman, como O Livro do Cemitério, João e Maria e Felizmente, o Leite. Seus desenhos tem um traço muito peculiar e a forma como ele captura o horror que a Outra Mãe representa é incrível.

O livro virou um filme todo em stop motion (aqueles de massinha) em 2009, pela Laika, o mesmo estúdio que fez Paranorman (2012), Kubo e as Cordas Mágicas (2016) e A Noiva Cadáver (2005). O longa é tão sinistro quanto o livro (o que é ótimo) e bem o tipo de coisa que eu gostaria de ter assistido quando criança.

Se você, assim como eu, ama o Neil Gaiman, histórias infantis e terror, vai amar Coraline.

(O gato ganha o prêmio de segundo melhor gato preto do universo, perdendo só para o Salem)

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P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
Comentários
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Um comentário:

  1. Um dos livros mais desejados do momento e olha essa edição está um escândalo de linda.
    Só tive contato com Coraline pela adaptação que na primeira vez, morri de medo rs
    Hoje já perdi as contas de quantas vezes vi e amo de paixão!!!
    beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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