22 julho, 2021


[Resenha] 1984 - George Orwell

Ficha Técnica 

Título: 1984
Título Original: Nineteen Eighty-Four
Autor: George Orwell
ISBN: 978-65-86490-16-9
Páginas: 256
Ano: 2021
Tradutor: Antônio Xerxenesky
Ilustrações: Rafael Coutinho
Editora: Antofágica
Em uma sociedade em constante estado de guerra contra outros países e contra os inimigos do sistema, cada cidadão deve viver sob a permanente vigilância das teletelas. Qualquer sinal de comportamento ou pensamento desviante da ideologia do Grande Irmão é severamente punido pela Polícia do Pensar.
Funcionário do Ministério da Verdade responsável por reescrever notícias e registros históricos, Winston Smith atua alterando o passado e, assim, o presente. Treinado para obedecer e calar, ele começa, no entanto, a questionar essa realidade. Seus atos de rebeldia contra o sistema, como ousar manter um caderno subversivo, parecem mínimos, até que ele se depara com a oportunidade de fazer algo maior e colocar sua vida em risco por uma sonhada mudança.
Publicado originalmente em 1949, este clássico de George Orwell é uma obra fundamental sobre opressão e totalitarismo e possibilita inúmeros paralelos com o momento que vivemos, 70 anos depois. A nova edição da Antofágica, além de contar com tradução de Antônio Xerxenesky, ilustrações de Rafael Coutinho e apresentação de Gregório Duvivier, também traz textos extras de Luiz Eduardo Soares, especialista em segurança pública, Débora Reis Tavares, estudiosa de Orwell, Ignácio Loyola Brandão, um dos principais autores contemporâneos e membro da Academia Brasileira de Letras e do jornalista Eduardo Bueno, criador do canal Buenas Ideias no Youtube.

Resenha


Há anos me perguntava sobre o fascínio que a obra 1984 despertava nos leitores. Eu conhecia a história superficialmente, mas até ler de fato não temos uma verdadeira noção do quanto esse livro nos impacta (se você leu e não parou diversas vezes para refletir ou se não te incomodou de alguma forma, me desculpe, mas leia novamente). 

Winston Smith, nosso protagonista,  vive em Londres, no país chamado Campo Aéreo Um, que antes da guerra era conhecido como Inglaterra. Ele tem trinta e nove anos, trabalha no Ministério da Verdade e acredita que está no ano de 1984. Bem, digo que ele acredita porque desde a guerra não é possível ter certeza de muitas coisas a respeito do passado e do presente. Então, como saber se realmente tem trinta e nove anos e se de fato está no ano de 1984?
A história parou. Nada existe além de um presente sem fim, no qual o Partido sempre tem razão.
Posição 45%
Após a Segunda Guerra, o Grande Irmão e o Partido surgiram e três grandes potências passaram a dominar o mundo: Oceania, Letásia e Eurásia. Desde então essas potências estão em constante guerra pelo poder supremo. Winston vive na Oceania, e seu trabalho no Miniver consiste em alterar os dados do passado de acordo com a orientação do Partido, alterações essas para garantir que o Partido nunca estivesse errado.

Os funcionários do Partido são constantemente vigiados pelas teletelas, que jamais são desligadas. É por meio delas que o Partido vigia a maior parte da população: o que fazem, quando fazem, suas expressões faciais. Assim, essas pessoas aprenderam a não expressar qualquer tipo de reação externamente. O que nos leva a pensar que o Partido controla tudo, menos os pensamentos. Mas será mesmo?
(…) o motivo mais importante para o reajuste do passado é a necessidade de proteger a infalibilidade do Partido.
Posição 63%
Ainda que o regime vivido na Oceania, o Ingsoc, tenha instituído o duplipensar, onde era possível manter dois pensamentos contrários e aceitá-los sem qualquer questionamento, e tantas outras regras, Winston ainda conseguia se lembrar do passado, do tempo antes do Partido assumir, antes da Novilíngua ser criada, antes das pessoas que eram inteligentes demais serem vaporizadas. Mesmo que ele fosse uma criança. Na verdade Winston consegue se lembrar de situações que o faz questionar se ele realmente viveu a situação ou se foi alucinação, afinal, será que outras pessoas também se lembram que há alguns anos a Oceania não estava em guerra contra a Letásia e sim contra a Eurásia, agora sua aliada? Ou que as condições de vida pioraram e não melhoraram como é anunciado? Ou que as produções de alimentos e outros itens não eram tão incríveis assim e tantas outras mudanças?
Os dois objetivos do Partido são conquistar toda a superfície da Terra e extinguir de uma vez por todas a possibilidade de pensamento independente.
Posição 57%
Ao longo da narrativa, Winston demonstra uma constante vontade de se rebelar contra as imposições do Partido de pequenas maneiras, como escrever um diário, comprar itens do passado no bairro dos proletas, classe essa que é a base da sociedade e não é vigiada constantemente. Ele também acredita que a base de uma revolução está justamente nessa classe, pela quantidade de pessoas que estão nela, mas ao mesmo tempo acredita na existência da Irmandade, uma organização secreta criada por Emmanuel Goldstein, o inimigo maior do Estado.

Entretanto, ainda que acredite nisso, Winston não é uma pessoa de atitudes grandiosas; ele se rebela, mas não revoluciona, não incita pessoas a se unirem em prol de uma mudança significativa; sua rebeldia apenas o beneficia por um curto período.
Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota pisando em um rosto humano… para sempre.
Posição 79%
A distopia escrita por Orwell em 1948 (olha aí a inversão dos dois último números e temos o ano da história) é assombrosamente similar com tudo que vivemos nos últimos anos e principalmente com os dias atuais e, se o leitor tiver alguma dificuldade em perceber isso (duvido que não perceba), nesta edição da Antofágica há textos complementares no início e no fim do livro que nos ajudam na reflexão das similaridades: falta de privacidade, os dois minutos de ódio e a semana do ódio que podemos facilmente relacionar a atual prática do cancelamento, telas por todos os lados vigiando, manipulação dos fatos e informações para o benefício político, a criação de uma nova língua que encurta o vocabulário a cada ano — ao contrário do que normalmente acontece —, retirando palavras e tornando impossível expressar-se contra o Partido e tudo que ele representa e tantas outras coisas.
A mutabilidade do passado é a doutrina central do Ingsoc.
Posição 63%
Demorei bastante lendo esse livro, pois constantemente meus pensamentos vagavam, analisando como um livro escrito há tanto tempo podia ser tão real atualmente. Mas a base disso é o fato de que, de 1948 até os dias atuais, a base da sociedade não mudou. Ou seja, nós temos uma classe proletária na base da sociedade, que suporta toda o restante e as poucas mudanças que ocorrem na pirâmide se dá nas classes intermediárias, subindo ou descendo. Porém, quem está no super topo da pirâmide (o Grande Irmão), permanece.

Terminei a leitura há dois dias, já discuti sobre ela no Clube de Leitura, mas a história ainda fervilha dentro de mim. Ocasionalmente percebo que estou ali pensando nas similaridades com a atualidade, com o desgoverno (aplicando aqui a Novilíngua) que temos, com as fake news surgindo a todo momento nas redes sociais. Tenho certeza que esse livro ainda vai me fazer refletir bastante e sei que fará o mesmo com quem se permitir essa leitura.

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P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
Comentários
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2 comentários:

  1. Olá! Este livro é simplesmente incrível e a leitura para lá de perturbadora, tamanha foi a minha revolta ao me deparar com as últimas páginas (que por alguns segundos, imaginei se tratar de uma pegadinha) que ao finalizar corri para desabafar com a minha irmã, as similaridades encontradas na história são assustadoras e nos fazem refletir por muito e muito tempo, afinal um livro escrito a tanto tempo, mas tão atual não é para qualquer um, Orwell simplesmente arrasou.

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    1. Nossa, nem me fala, eu demorei muito para concluir a leitura porque era tão assustadoramente parecido com a realidade que precisava parar e tentar me reorganizar e não surtar. Muito incrível mesmo!

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