04 agosto, 2021


[Resenha] Um Novo Capítulo para o Amor - Jenny Colgan

Ficha Técnica 

Título: Um Novo Capítulo para o Amor
Título Original: The bookshop on the shore
Autor: Jenny Colgan
ISBN: 978-65-5565-138-6
Páginas: 400
Ano: 2021
Tradutor: Thalita Uba
Editora: Arqueiro
Zoe é uma mãe solteira que corta um verdadeiro dobrado para sustentar a si mesma e a seu filhinho de quatro anos, Hari. Quando o valor do aluguel de seu apartamento em Londres se torna exorbitante, Zoe fica sem saber o que fazer.
Então, a tia do menino sugere que ela se mude para a Escócia para ajudar a gerenciar uma pequena livraria. Sair de uma cidade em que se sente tão solitária para morar num vilarejo acolhedor nas Terras Altas pode ser a mudança de que Zoe e Hari tanto precisam.
No entanto, ao descobrir que seu novo chefe, o temperamental livreiro Ramsay Urquart, é um poço de hostilidade, e que os filhos dele são mais do que malcriados, Zoe se pergunta se tomou a decisão certa.
Só que o pequeno Hari encontrou seu primeiro amigo de verdade. Além disso, ninguém resiste à beleza do lago Ness brilhando ao sol de verão. Sem falar que é em lugares assim que os sonhos começam.

Resenha


Quem aí lembra da Pequena Livraria dos Sonhos? Pois bem, Nina e Surinder estão de volta, mas esta não é a história delas, e sim de Zoe O'Connell, uma jovem mãe de vinte e oito anos que vive em uma quitinete absurdamente pequena e xexelenta em Londres com seu filho, o pequeno Hari, de quatro anos. 

Zoe se apaixonou por Jaz Mehta rapidamente, mas, ainda que o relacionamento tenha gerado Hari, Jaz nunca os apresentou à sua família, o que leva Zoe a acreditar que parte disso é porque ela não é indiana como a família dele. Para mim, o único motivo é a irresponsabilidade do rapaz, que sempre foi mimado pela família. Jaz não ajuda Zoe com absolutamente nada: ela se vira para conseguir pagar o aluguel, cuidar do filho, trabalhar em uma creche e levar o pequeno em incansáveis consultas médicas uma vez que, aos quatro anos, o garoto ainda não pronuncie nem uma palavra sequer. Entretanto, ao voltar frustrada de mais uma consulta, Zoe descobre que o aluguel será reajustado e não há a menor condição de conseguir arcar com a despesa e este é o momento em que ela precisa colocar Jaz contra a parede; Jaz, que viveu na mesma casa que eles por poucas semanas, deixou o emprego porque não conseguia se manter em uma rotina de trabalho em um escritório e queria ser um DJ famoso e, por isso, vivia viajando e gastando o dinheiro que não tinha enquanto ela precisava comprar roupas em brechós e economizar cada centavo na compra de alimentos para o filho deles.

É assim, sem saber como ajudar o filho — e Zoe por consequência —, que Jaz conta para a irmã que tem um filho. Sabem quem é a irmã dele? Surinder. Que, aliás, está sendo pressionada por Nina a ir para a Escócia para assumir o lugar dela na van enquanto ela estiver se recuperando do parto, o que deve acontecer nos próximos meses.

Surinder será a ponte desta história. Desta maneira, Zoe se vê pegando as poucas coisas que tem e mudando-se para a longínqua e pequena Kirrinfiel, para trabalhar como au pair de uma família que aparentemente desperta a curiosidade da comunidade, e para trabalhar na van de Nina.
Era um conceito bem estranho — que você pudesse se tornar amiga de uma pessoa simplesmente ao analisar suas estantes de livros —, mas, mesmo assim, Zoe acreditava nisso piamente.
P. 93
Zoe é tão apaixonada por livros quanto Nina, então a ideia de ela assumir o volante enquanto Nina estivesse afastada era perfeita, fora o fato de que Nina tem ciúmes de seu precioso negócio e não quer nenhuma mudança. Além disso, elas mal terão tempo para treinarem juntas, e Zoe terá que se virar sozinha. Outro desafio será com os jovens de The Beeches, afinal, ela descobriu que é a “Babá Sete” e que as crianças (Shackleton, doze anos, Mary, nove, e Patrick, cinco) não esperam que ela demore na casa, assim como suas antecessoras. Os três vivem no casarão com a governanta, Sra. MacGlone, o jardineiro e o pai, Ramsay Urquart, um temperamental livreiro que quando está em casa fica trancado na biblioteca e não dá tanta atenção aos filhos.
— (…) A casa foi construída ao redor da biblioteca. Esta parte da construção é bem mais antiga. Do século XVII, acho. Tudo que é tipo de livro foi contrabandeado para cá durante a reforma; era longe demais para os homens do rei fiscalizarem. Acabou ficando conhecida como um refúgio seguro. É daí que vem o nome da propriedade, The Beeches.
(…)
— (…) A palavra “book”, “livro”, vem da palavra “beech”. Era da madeira das faias que os livros, originalmente, eram feitos. As pessoas sabiam que podiam esconder seus livros aqui.
P. 249
A clientela de Nina não é nada fácil de ser agradada e Zoe terá que se virar para vender alguns livros, mas sem dúvida, seu maior desafio está em casa, afinal lidar com três crianças hostis, expulsas da escola, com tempo de sobra para aprontar, uma governanta que mal a tolera dentro de casa e um patrão que não colabora, vou dizer, dureza, enquanto se adapta e espera que seu filho fique bem e que a mudança de ambiente finalmente faça com que ele comece a falar.

Mas se tem uma coisa que os anos difíceis que passou em Londres lhe ensinaram foi a ser perseverante. Quando sua mãe, sua única família, se mudou para Espanha, quando Jaz sumiu de casa, quando se viu enxugando as despesas para as contas serem pagas, quando se viu espremida em uma quitinete praticamente sem espaço para ela e Hari, ela aprendeu que chorar não resolveria seus problemas, ela precisava seguir em frente. Sem dúvida isso a preparou para enfrentar os difíceis clientes e a ajudou a procurar uma alternativa, assim como lidar com as crianças de famílias ricas que ficavam na creche em que trabalhava lhe proporcionaram a experiência necessária para lidar com a situação que encontrou na Escócia.
(Aliás, como autora desta obra e uma pessoa que sempre se automedicou com livros, não posso confirmar ou negar com legitimidade se essa maneira de lidar com a “vida real” é a melhor de todas. Na verdade, como leitora — todos os escritores são meros leitores, no fim das contas —, não sei ao certo se acredito nessa “vida real”. Sei que é uma traição imensa dizer isso, mas, poxa, os livros não são — vou falar baixinho — bem melhores que a vida real? Nos livros, os vilões são aniquilados ou derrotados ou mandados para a prisão. Na vida real, são seu chefe ou o presidente. Nos livros, você sabe o que aconteceu. Na vida real, às vezes você nunca fica sabendo. Nem se sabe ao certo se Amelia Earhart foi encontrada. Então os livros são o que há de melhor, na minha opinião, ou, como diz o velho ditado: qualquer coisa que te faça dormir bem à noite — livros também. Livros fazem você dormir bem à noite.)
P. 220
Ver Hari desabrochar, convivendo com outras crianças, ver Shackleton aprender que existe vida fora do videogame e do celular, Patrick descobrir em Hari o amigo perfeito para ele, que fala pelos cotovelos, e Mary, a mais difícil dos três, começar a demonstrar que pode existir mais do que uma criança birrenta naquele pequeno corpo.

Capítulo a capítulo, Jenny nos envolve em uma história apaixonante, de pessoas apaixonadas por livros, de pessoas com problemas reais, de superação, de recomeço. Há drama, suspense, muito trabalho, um pouco de romance e muito de vida, tudo dosado de maneira a nos deixar presos até o fim do livro.

Só digo para Jenny: por favor, escreva mais histórias, pleaseeeeeeeee.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
Comentários
0
Compartilhe

0 comentários:

Seu comentário é sempre bem-vindo e lembre-se, todos são respondidos. Portanto volte ao post para conferir ou clique na opção "Notifique-me" e receba por e-mail.
Obrigada!

 
imagem-logo
De Tudo um Pouquinho - Copyright © 2016 - Todos os direitos reservados.
Layout e Programação HR Criações