15 abril, 2022


[Resenha] Tempestade Selvagem - Beverly Jenkins

Ficha Técnica 

Título: Tempestade Selvagem
Título Original: Wild Rain
Autor: Beverly Jenkins
ISBN: 978-65-5565-250-5
Páginas: 224
Ano: 2022
Tradutor: Dandara Morena
Editora: Arqueiro
Depois de ter conhecido o mundo como oficial da Marinha, o jornalista Garrett McCray agora viaja de Washington até a cidade de Paradise, no Velho Oeste, a fim de entrevistar um médico de destaque para seu jornal, dirigido a leitores pretos.
Garrett achava que o doutor Colton Lee seria um assunto interessante… até conhecer a irmã dele, Spring Lee. Ela mora sozinha, administra o próprio rancho, usa calças jeans em vez de vestidos e é a mulher mais fascinante que ele já conheceu.
Só que Spring não está interessada no amor. Depois de superar um passado turbulento e escandaloso, ela se sente mais do que satisfeita com suas terras, seus cavalos e seus amigos. Até o enxerido jornalista McCray aparecer e bagunçar sua vida.
À medida que a atração entre eles aumenta, suas diferenças podem ser um obstáculo — ou a combinação explosiva de que os dois tanto precisavam.

Resenha


Depois de ter lido o primeiro livro da Beverly Jenkins, eu certamente precisava de mais um. Então, quando soube que haveria mais, eu corri para ler Tempestade Selvagem e conhecer seus personagens. Assim como em Ventos de Mudança, os protagonistas são negros e a história se passa nos Estados Unidos pós Guerra de Secessão (1861-1865). 

Garrett McCray nasceu escravizado, fugiu aos catorze anos e, com o tio, se alistou na Marinha, conheceu o mundo, se alfabetizou. Também com o tio aprendeu o ofício de carpinteiro que tanto lhe dava prazer. Diferente do que aconteceu com muitas famílias no pós-guerra, a sua conseguiu se reunir completamente e, por insistência do pai, formou-se em direito, mesmo que não gostasse disso — e nunca tenha atuado como advogado. Também para ajudar o pai, que trabalhava como porteiro em um grande hotel em Washington, Garrett trabalhava com ele no pequeno jornal que o pai tinha, um jornal noturno de pretos, como era chamado, um jornal pequeno em que os editores trabalhavam depois de seus empregos regulares diurnos. Assim, Garrett, o jornalista/carpinteiro/advogado foi a Paradise no lugar do pai (que não havia conseguido uma folga no emprego) para entrevistar o doutor Colton Lee (não era comum ver um médico negro).

Garrett só não imaginava que a viagem de Washington até Paradise no Território de Wyoming fosse transformar sua vida. Para começar, a viagem foi beeeem mais longa do que ele imaginava e, ele quase não chegou lá e, se não fosse por um resgate no meio de uma nevasca, talvez não estivesse vivo, mesmo no auge dos seus trinta e dois anos.
— A senhorita é uma daquelas mulheres que pensam que nenhum homem presta?
— Não. Conheço alguns que são bons como ouro e outros em quem não confiaria de jeito nenhum. Não pretendo me casar com nenhum dos dois tipos.
— A sociedade acha que uma mulher deve se casar.
— Que bom que não vivo com base no que a sociedade acha.
P. 15
Diferente de Garrett, Spring Lee nasceu livre, mas nem por isso sua vida foi simples, mas atualmente ela vive sua vida sem se importar com a opinião alheia há muito tempo, por isso, aos trinta anos, ela usa calças jeans, tem seu próprio rancho, doma cavalos, caça, anda armada (embora todo mundo na cidade praticamente também ande 😂😂), mas ela se defende sozinha, entendem? Assim, quando ela encontra Garrett caído na estrada no meio de uma nevasca, é claro que ela o leva para sua casa independente do que pensem dela. Ao saber que o homem é o jornalista que era esperado para entrevistar o irmão (que no momento está fora da cidade atendendo um surto de sarampo) é mais uma razão para ela abrigá-lo até que a neve permita levá-lo até a pensão da cidade.

Spring e Garrett passam poucos dias até que ele vá para a pensão, mas é o suficiente para que a atração surja entre eles. Spring claramente entende isso como algo carnal, motivado pelo tempo que não tem ninguém em sua cama, mas Garrett (não que não tenha a ver com desejo físico) também tem muito a ver com quem Spring é, com a personalidade dela. Ela o intriga, o fascina. Embora o cavalheirismo de Garrett e seus modos educados deixem Spring sem saber como agir, ela bloqueia o máximo que pode, em parte por saber que Garrett está em Paradise apenas para fazer uma matéria e em parte porque parece que o passado não foi muito gentil com ela.
O que se recusava a ficar quieto era o desejo dela de que ele ficasse por mais tempo. Tinha uma vontade atípica de lhe mostrar mais de sua vida: seus lugares favoritos para caça e pesca, sua cabana improvisada na montanha e a manada de cavalos selvagens que sempre a deixava fascinada. Nunca um homem a tinha inspirado dessa maneira.
P. 94
Mas mesmo assim, enquanto Garrett está em Paradise, Spring decide que irá aproveitar o tempo disponível e explorar a atração existente entre os dois. Porém, enquanto vemos que ela tenta manter isso no campo platônico, Garrett está há quilômetros de distância, já se imaginando vivendo em Paradise (mesmo que ela não queira um relacionamento com ele — Garrett é um fofo ❤️).

Beverly aborda mais uma vez de maneira brilhante e sem vitimismo a questão do racismo, machismo, abuso, preconceito. Ela traz personagens fortes, determinados. Spring passou por muita coisa no passado e a autora deixa claro como isso moldou quem é e como é difícil perdoar as pessoas que lhe impuseram a dor, o que é absolutamente normal. Garrett, que nasceu escravizado e vive próximo do pai que fez de tudo para manter a família unida, vê a influência deste o tempo todo, querendo que o filho case com alguém importante, que "melhore" o status da família, assim como ele não entende o fato de o filho querer ser carpinteiro e não advogado.
Estar perto de Garrett McCray tinha alterado seu modo de ver a vida, oferecendo perspectivas novas e desafiadoras, desde como ela definia respeito até o que merecia de um homem na cama. Com seu jeito calmo e tranquilo, ele a tinha mudado, não necessariamente para uma pessoa melhor, mas para uma diferente. Ela não sabia como ele ele magicamente havia conseguido isso, nem sabia dizer quando isso ocorreu, mas Spring não era a mesma mulher de antes de encontrá-lo perdido na neve.
P. 158
Pelo que vi, a série já tem pelo menos mais um livro e espero que logo o tenhamos por aqui. Estou adorando as capas que a Arqueiro tem proposto para a coleção, estão lindas e espero que sigam assim. Let's go, Arqueiro!


P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
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